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Friday, September 18, 2026

Na ONU, Lula defenderá soberania, mas sem citar ações do governo Trump

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Não que Lula parta do Brasil, no próximo domingo, já sabendo tudo que dirá, enquanto Trump o assiste por um telão nos bastidores da ONU, como fez no ano passado. "Não excluo que tenhamos que reescrever tudo chegando lá", afirmou um auxiliar de Lula, sob reserva, que deve viajar com o presidente.

Um exagero, já que temas como a reforma do Conselho de Segurança, a defesa do multilateralismo, a importância da conservação ambiental e a necessidade de soluções de governança global que encerrem conflitos (como o de Gaza, o do Sudão e da Ucrânia) são clássicos nos discursos internacionais de Lula. O que muda é a intensidade do apelo e da urgência, que dessa vez deverão ser altos. A ONU enfrenta uma crise política e financeira sem precedentes, e se mostra incapaz de encaminhar um processo de consenso que eleja um novo secretário-geral, já que o português Antonio Gutierrez encerra dez anos no posto nos próximos meses.

Nas partes menos previsíveis de seu discurso, Lula deverá fazer uma enfática defesa da soberania nacional e, de maneira polida, convidará todos os estrangeiros (sem citar Trump nem ninguém nominalmente) a ficarem de fora da decisão política dos brasileiros.

Citará a eleição do Brasil como um exemplo da necessidade de defender globalmente a democracia e suas instituições, em claro declínio no mundo ocidental. Mas não deve fazer uma menção nominal ao Judiciário brasileiro como fez no discurso do ano passado. Na ocasião, Lula discursava apenas um dia depois da imposição de sanções da Lei Global Magnitsky à esposa e ao escritório privado do ministro Alexandre de Moraes, que recém relatara o processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Agora, sob a ameaça da retomada de tais sanções, os auxiliares de Lula enxergam um cenário diferente. A crise no STF alimentada pelo pedido de André Mendonça para que o plenário da Corte abrisse investigação contra Moraes por sua suposta relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro levou descrédito à mais alta instância judiciária e produziu desgaste eleitoral a Lula. Nas palavras de um assessor do presidente, trata-se de uma crise doméstica em que a comunidade internacional "não deve ser chamada a opinar".

Em uma variação do tema da soberania nacional, Lula deve defender a cooperação internacional no combate ao tráfico e ao crime organizado transnacional, mas desde que respeitados os princípios do direito internacional e o respeito territorial. Será mais um recado a Trump, cujo governo recém-lançou um documento dizendo que o Brasil falhou em combater as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital), ao mesmo tempo em que elogiava governos de direita na América Latina alinhados ao trumpismo. O tema da segurança pública é central no Brasil e o teor do texto da Casa Branca irritou o governo Lula, que viu na peça uma tentativa de impulsionar a candidatura do oposicionista Flávio Bolsonaro, que já afirmou que o Brasil se juntará à iniciativa geopolítico-militar de Trump para a região, batizado de Escudo das Américas, caso ele ocupe o Palácio do Planalto no ano que vem.

Lula também fará críticas a medidas e sanções unilaterais no comércio, apelando para que os países voltem a resolver suas disputas em mesas como a da Organização Mundial do Comércio, sem recorrer a tarifaços, como Trump fez com o Brasil (atualmente sob taxa de 37,5%) e a outras dezenas de países.

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