Com empréstimo, Vasco preserva valor da SAF antes de leilão — e gastar faz parte da estratégia
DIP de até R$ 150 milhões permite ao clube manter a operação e investir no futebol enquanto busca um novo controlador

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 12:02.
A Justiça autorizou nesta quinta-feira, 11, o Vasco a captar até R$ 150 milhões em um financiamento com a empresa a Almirante Participações, do empresário Marcos Lamacchia. O dinheiro dá fôlego ao clube enquanto avança o processo para a venda de 90% da SAF, mas pode ter também outro efeito: evitar que o ativo perca valor até a chegada de um novo controlador.
O crédito será feito por meio de um DIP, modalidade de financiamento para empresas em recuperação judicial. Os recursos não precisam ser sacados de uma só vez e serão liberados de acordo com as necessidades de caixa da SAF. Lamacchia, responsável pelo financiamento, também é apontado como um dos principais interessados na compra do Vasco. "Esses recursos são importantes e vão permitir ao clube seguir em suas atividades normalmente, ao tempo em que espera a solução permanente pela via da nova SAF", diz Moises Assayag, especialista em finanças no futebol e sócio-diretor da consultoria Channel Associados. "São movimentos conectados na direção correta, que é a busca da solução definitiva e não apenas a paliativa, como uma simples tomada de empréstimo para capital de giro", completa.
Os próximos passos já têm data marcada. A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro agendou para 25 de setembro, às 14h, a audiência para abertura das propostas fechadas pela compra de 90% das ações da nova SAF. Até lá, potenciais investidores poderão apresentar seus lances.
Preservar o valor da SAF
A possibilidade de o dinheiro chegar antes do leilão também abre espaço para o Vasco investir na operação enquanto procura um novo dono. Na avaliação de Pedro Weber, especialista em negócios do esporte e CEO da NextPlay, empresa da gestora de private equity Chenus Holdings, esperar a conclusão da venda para só então colocar dinheiro no futebol poderia ter o efeito contrário: reduzir o valor da SAF que está sendo negociada.
Isso significa que parte dos recursos pode ser usada para manter a competitividade do clube antes mesmo da definição do novo controlador. "O DIP não serve só para cobrir despesas correntes, mas também pode ser utilizado para preservar e até aumentar o valor da empresa em recuperação", diz. "Acelerar contratações e compras no mercado nesse período não é atalho nem vantagem indevida. Cada real investido agora evita perdas que seriam muito mais caras de reverter depois do leilão, e isso beneficia o clube, os credores e qualquer investidor que venha a vencer a disputa", afirma.
O fato de Lamacchia financiar o Vasco e, ao mesmo tempo, aparecer entre os interessados na SAF adiciona outra camada à operação. O empréstimo, no entanto, não lhe garante a compra do clube. O processo de venda continua aberto a outros investidores. "Em troca do risco, ele recebe superprioridade no pagamento, não vantagem automática na disputa societária. E a autorização judicial do financiamento já funciona como controle contra uso indevido dos recursos", afirma Weber.
Tábua de salvação
O financiamento ganhou urgência diante das projeções de caixa do Vasco. Sem a entrada de novos recursos, as análises financeiras do clube apontavam para um saldo negativo de cerca de R$ 200 milhões até o fim de 2026.
Antes de autorizar a nova operação, a Justiça também analisou a destinação dos empréstimos anteriores e considerou esclarecidas as dúvidas sobre o uso dos recursos. Segundo a documentação apresentada, 61,8% dos valores foram destinados a despesas operacionais do futebol, como salários e premiações, e ao pagamento de credores.
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Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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