Na ONU, Lula trata de soberania e critica interferências externas em processos eleitorais

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O presidente do Brasil também criticou o que descreveu como uso das sobretaxas como armas de coerção e chantagem e defendeu o multilateralismo.

Lula discursa na Assembleia Geral da ONU
Como é tradição, o presidente brasileiro foi o primeiro a discursar no plenário da ONU.
O presidente Lula abriu o discurso de pouco mais de 20 minutos com críticas à própria ONU. Disse que as Nações Unidas falharam em livrar a humanidade das guerras e falou sobre a influência dos Estados Unidos na América Latina, sem citar o nome de Trump:
“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”.
Lula afirmou que a região voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais e criticou a divisão do mundo em zonas de influência. Disse que o povo venezuelano deve decidir o próprio destino. Lula disse que o Brasil não vai terceirizar a defesa das fronteiras e que entregou ao presidente americano uma proposta de cooperação na área:
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”.
Na ONU, Lula trata de soberania e critica interferências externas em processos eleitorais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O presidente brasileiro criticou o que descreveu como uso das sobretaxas como armas de coerção e chantagem e defendeu o multilateralismo. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o representante de Comércio, Jamieson Greer, estavam na plateia. São os dois responsáveis por negociar com o Brasil. No fim do discurso, Lula defendeu o sistema eleitoral brasileiro:
“Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”.
Ao contrário de 2025, o governo brasileiro informou que Lula e Donald Trump não se encontraram nos bastidores da Assembleia Geral da ONU na hora do revezamento dos discursos. O presidente brasileiro assistiu ao discurso do presidente americano. Depois, deixou a sede da ONU e foi para o aeroporto para pegar o voo de volta para o Brasil.
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