Céline Dion de volta aos palcos... 6 anos depois

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Finalmente regressou aos palcos Celine Dion, em Paris.
Foi maravilhoso. As imagens que se viram.
Sim, as imagens que se viram e todos os relatos falam de um espetáculo muito emocionante e muito emocionado, com Celine Dion a agradecer ao público e a dizer que foi também por causa do público que ela conseguiu esta proeza de ter força para voltar a atuar depois de problemas de saúde, que a obrigaram uma longuíssima paragem na carreira. Foram mais de seis anos. Ela tinha dito que tinha feito uma promessa, que era de conseguir voltar a cantar, não só para o público, mas para ela própria. Aliás, começa por agradecer a paciência do público. Ela tinha feito um último concerto em 2020, entretanto foi-lhe diagnosticada uma doença SPR, Síndrome da Pessoa Rígida. É uma doença neurológica rara, autoimune e que afeta o sistema nervoso central, com sintomas muito incapacitantes.
Muitas dores.
Muitas dores, rigidez muscular progressiva, que faz com que, com o tempo, a pessoa fique com este aspecto muito rígido, curvado e mecânico a falar. Espasmos musculares dolorosos. Como é que canta? E nos pulmões. Um risco de queda também muito grande. Não há cura, os sintomas podem, no entanto, ser minimizados e aparentemente Celine Dion conseguiu fazê-lo com sucesso. Ela desde que foi diagnosticada, saiu praticamente dos holofotes. Fez apenas três aparições públicas e muito breves, uma durante a pandemia, para um evento de caridade à distância. Talvez dessa nos lembremos muito bem, na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris, débil, na verdade.
Completamente.
Mas também com um retorno muito grande por parte do público. No ano passado, num desfile de moda na Arábia Saudita. Agora sim, aqui está. Tem 26 concertos, o primeiro foi no último sábado, 12 de setembro, vai terminar 29 de maio do próximo ano, com uma autêntica corrida aos bilhetes. As notícias dizem que há cerca de nove milhões de fãs que tentaram comprar bilhetes para esse concerto.
Tentativas de nove milhões.
Tentativas de nove milhões.
Gostava de ver.
Gostava de ver?
Sim.
Parece-me que tem uma voz incrível.
Se isso foi com aqueles preços dinâmicos, então os preços devem ter disparado.
Pois, quanto maior a procura.
E é normal que muita gente quisesse ver Celine Dion. No outro dia estava a ler um artigo no The Guardian, a propósito deste regresso aos palcos, com as 20 melhores canções de Celine Dion.
Tu consegues pensar em 20 canções de Celine Dion?
Eu não consigo pensar em 20 canções.
Tu também não consegues enumerar.
Mas os fãs conseguem. E ainda conseguiram ter lá uma grande ausência, o "Ne partez pas sans moi", com o qual ela ganhou o Eurofestival em 1988. É curioso, e depois há um artigo também sobre a carreira de Celine Dion. Ela aprendeu a falar inglês, porque ela é da parte francesa.
Francófona. Canadiana francófona.
Exatamente. Ela aprendeu a cantar inglês dois anos antes de gravar o primeiro álbum em inglês. Depois também há essa curiosidade, logo ali no início dos anos 90. Mas tornou-se, de facto, uma das maiores estrelas. Muita gente associa sempre àquela canção do Titanic, também está nesta lista, mas não está em primeiro. Enjoamos de tantas vezes ouvimos aquela canção.
Às tantas é mais isso, é enjoo.
E quem também enjoa, mas uns dos outros, são investigadores. Semana passada nós recebemos aqui um investigador português que esteve 100 dias em isolamento com outras pessoas para testar as condições de uma viagem espacial a Marte. Cem dias em isolamento é pesado, é difícil, mas o Diogo Paupério Abreu deu-nos aqui um lado positivo a dizer que as coisas correram muito bem, que houve entreajuda. Ora, parece que nem sempre é isso que acontece, porque um teste parecido foi feito na Antártida e uma dúzia de investigadores tiveram fechados também e isolados durante quase um ano. E os resultados não são nada animadores para quem imagina um dia investigadores, seres humanos, a viver de forma permanente em base ou na Lua ou em Marte, que serão, em princípio, os dois lugares com condições para ter lá seres humanos durante mais tempo. E o problema não são as condições em si, o problema são mesmo as relações entre as pessoas que se deterioram bastante com este convívio.
Ao contrário do que disse o Diogo.
Exatamente. Nós falamos da dinâmica dos reality shows e como as pessoas acabam por entrar em conflito muito rapidamente, sendo que aí a lógica é diferente, a lógica é mesmo promover o conflito.
É até explorar, claro, e depois exploram isso.
Aqui não, mas é isso que acontece. Muitas tensões. Isto foi publicado numa revista, na Proceedings of the National Academy of Sciences, e que mostra um aumento dos sentimentos de solidão e conflito, assim como uma quebra no desempenho e na coesão das equipes de trabalho. Ao longo do tempo, também os pensamentos paranóicos se intensificaram, como a ideia de que os outros estão a falar de nós ou de que estamos a ser observados. E há aqui coisas que quem analisou este estudo diz que, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos locais de trabalho, em que mesmo que as pessoas não convivam, por exemplo, não vão almoçar juntas, conseguem trabalhar juntas, mesmo que não haja uma grande proximidade. Ali, não. Ali, o que se demonstra, neste caso, numa das regiões mais inóspitas no planeta Terra, é que o fato de não haver relações pessoais dificulta também a capacidade de trabalhar em conjunto, o que levanta aqui sérias dúvidas da capacidade de um grupo de pessoas estar durante muito tempo isolado, por exemplo, a viver numa base em Marte. As coisas não iam correr muito bem, pelo menos são as conclusões deste estudo, que também abre a possibilidade, a porta para que se estudem formas de mitigar estes efeitos, de viver tanto tempo em isolamento nestas condições e com pessoas com as quais precisamos mesmo de colaborar. Pois, e não há hipótese. Não dá para ir trabalhar para outro lado.
Nem para ir comprar tabaco, para espairecer.
Não dá de casa. Deixem-me só lembrar aqui estas condições, porque no caso da Antártida, eram condições muito difíceis, porque estamos a falar de um lugar- Deixa eu ver, era frio. Era um bocadinho, uma média de 50 graus negativos. A 960 km da costa e a 560 e tal quilômetros do lugar habitado mais próximo. Portanto, é o mais próximo que nós temos, de facto, de imaginar o que será a vida-
Da Costa da Caparica.
Da Trafaria. Este ambiente tem uma vantagem, a comida não se estraga, por exemplo.
Não, a comida não se estraga, o que se estraga mesmo são as relações.
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