Bruna Marquezine e Shawn Mendes na Angola: Conheça projeto social criado por brasileiros

Bruna Marquezine, de 31 anos, e Shawn Mendes, de 28, viralizaram na última semana ao serem tietados em Angola. A brasileira, que assumiu o namoro com o canadense nas redes em agosto, foi ao país africano no intuito de apresentar ao companheiro a Aldeia Nissi, projeto social que frequenta desde 2019.
Localizada na cidade de Kuito, na província do Bié, o projeto humanitário foi fundado em 2009 pelo ator brasileiro Caique Oliveira, líder da Companhia de Artes Nissi. A Aldeia ajuda 1,5 mil crianças diariamente, desde a educação infantil até o ensino secundário, dos 5 aos 25 anos.
Eles distribuem cerca de 5 mil refeições distribuídas entre café da manhã e almoço, e também trabalham com cuidados com pessoas com albinismo, apoio à comunidade surda, idosos e viúvas em situação de extrema vulnerabilidade.
Como surgiu a Aldeia Nissi
Caique já levava trabalhos sociais para comunidades ribeirinhas do Amazonas e no sertão nordestino, e foi impactado ao ouvir o testemunho de uma missionária sobre a realidade do país após 27 anos de Guerra Civil. "Eu não conhecia profundamente a história da guerra no país. Quando vi aquelas imagens e principalmente aquelas crianças sofrendo, aquilo me atravessou de uma maneira muito forte", lembra ele em entrevista à Quem.
"Para nós que temos fé, existem momentos em que entendemos que Deus está colocando um povo no nosso coração. Eu entendi aquilo como um chamado", conta. Quando chegou ao país, apenas sete anos após o fim da guerra, sentiu que construiria uma base naquele lugar.
"Às vezes alguém pergunta por que sair do Brasil se também existem tantas necessidades lá. E realmente existem. Nós também trabalhamos no Brasil. Mas acredito que quando existe uma criança chorando e precisando de socorro, não importa a nacionalidade de quem vai ajudá-la. Importa que alguém responda", garante.
Crianças são apadrinhadas mensalmente por pessoas ao redor do mundo por meio de doações, e também recebem apoio de igrejas, empresários, artistas e esportistas, incluindo Bruna e Shawn, que levaram dezenas de brinquedos e mantimentos para a comunidade na última visita. O custo para a sobrevivência do projeto é de cerca de R$ 150 mil por mês, para manter funcionários, alimentação, manutenção, ampliações e todas as necessidades de um projeto desse tamanho.
Legado cíclico
Hoje, são em 100 funcionários - muitos deles são ex-alunos que se tornaram professores, administradores e líderes do projeto. Isso é um dos maiores orgulhos de Caique. "Estamos muito distantes da capital e, desde o começo, tudo foi muito difícil. Mas entendemos que uma das maiores ferramentas para mudar uma realidade é a educação", garante.
"Temos jovens que chegaram à universidade, outros que já se formaram e alguns que abriram seus próprios negócios. Aos poucos você começa a perceber uma geração que não olha mais somente para aquilo que não tem, mas começa a enxergar aquilo que pode construir", aponta.
A Aldeia Nissi tem salas específicas para alunos surdos, aos sábados desenvolvem um trabalho com crianças e jovens com albinismo e, aos domingos, entregam cestas à idosos e viúvas. Além das escolas, eles oferecem uma casa de apoio a aproximadamente 40 crianças, maioria órfã ou vítima de maus tratos, encaminhadas pelo Instituto Nacional da Criança para acolhimento de emergência.
"Essas crianças recebem assistência integral. Algumas aguardam adoção e, em outros casos, trabalhamos para que seja possível uma reintegração familiar segura. Talvez seja uma das áreas mais delicadas do nosso trabalho, porque são crianças que precisam de muito mais do que comida ou escola. Elas precisam de uma casa, cuidado e pessoas que permaneçam ao lado delas", diz.
Caique diz que seu maior sonho é que as crianças atendidas pelo projeto cresçam, construam famílias e trilhem seus próprios caminhos: "Quero me sentar à mesa com aquelas crianças e encontrá-las com suas famílias estruturadas, trabalhando como professores, médicos, empresários, artistas, líderes e profissionais que estejam transformando a própria terra".
Um futuro ainda mais solidário
Entre os próximos planos da Aldeia estão centros de capacitação para os jovens e a construção de um hospital para atender especialmente pessoas com albinismo e câncer de pele. Além disso, eles almejam conseguir energia elétrica para a cidade. "A Aldeia ainda depende de geradores", afirma.
"Se eu pudesse pedir uma coisa às pessoas no Brasil, seria que não olhassem para Angola somente através das suas necessidades. Existe aqui um povo lindo, forte, alegre e que, apesar de tudo o que enfrentou, não perdeu o sorriso. Nós não queremos apenas cuidar dessas crianças. Queremos ajudá-las a descobrir que elas mesmas podem cuidar e transformar essa terra tão linda chamada Angola", garante.
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