The Jerusalem PostBereaved families' forum seeks Shin Bet probe into alleged Ra'am voter-tracking appInquirer EntertainmentSanya Lopez fronts FHM Philippines’ comeback under new managementZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFVarietyChang Chen Urges Emerging Taiwanese Actors to ‘Be Like Water’ at Taiwan Creative Content Fest Golden Horse ShowcaseRapplerThis activist lives the real-world struggle of ‘Bloom Where You Are Planted’GIGAZINE無料で近くにスマートグラスがあるかどうかを教えてくれるアプリ「Nearby Glasses」SBS 뉴스국민의힘 "대통령 인사전횡 막장의 끝…이용철 지명 철회하라"The Sydney Morning Herald‘Clicky Ponting’ handed two-year suspension for finger-clicking deceptionWirtualna PolskaTrump: Rosja i Ukraina chcą się dogadać中国新闻网巴拉圭总统遭弹劾 副总统宣誓接任ESPN CricinfoIndia bowl first in rainy Wellington with both teams unchangedNew Straits TimesPalmer must focus on Chelsea after England snub, says Alonso
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, November 7, 2026

Empreender no Brasil é ruim, mas é bom

Translate

Há uma frase que circula entre brasileiros que foram morar em Miami: viver nos Estados Unidos é bom, mas é ruim; viver no Brasil é ruim, mas é bom. O conforto de lá convive com a saudade do calor humano daqui. Depois de mais de 40 anos administrando empresas, percebi que o paradoxo também vale para os negócios.

Empreender no Brasil é ruim. Juros altos, crédito caro, insegurança jurídica, violência e um sistema tributário que parece um manicômio. Há ainda regras que mudam conforme o endereço. Temos 5.569 municípios, com competências para editar normas locais. Quem opera no país inteiro sabe: abrir uma loja em outra cidade pode significar enfrentar regras completamente diferentes.

Some-se a isso a judicialização das relações de trabalho. Milhões de casos chegam anualmente à Justiça do Trabalho. Muitas ações buscam direitos legítimos, mas o volume revela a dimensão de conflitos, riscos e custos que precisam ser administrados.

Não basta vender bem, cuidar do cliente e controlar o caixa. O empresário precisa dominar licenças, fiscalização e obrigações que consomem recursos antes mesmo da primeira venda. Energia que poderia financiar inovação acaba dedicada a superar obstáculos.

Até aqui, só o lado ruim. O lado bom é menos óbvio: esses obstáculos também afastam concorrentes. Uma empresa estrangeira que avalia entrar no Brasil compara riscos e mercados e pode decidir que o esforço não compensa. Quem já está aqui aprendeu a navegar no labirinto. O que continua sendo um problema também pode virar vantagem competitiva.

Vivi esse paradoxo. Quando fundei a Petz, no início dos anos 2000, os gigantes americanos do setor pet não tinham aqui a presença que tinham nos Estados Unidos. A partir da primeira loja, tivemos espaço para aprender, formar equipes e desenvolver competências. Hoje, Petz e Cobasi integram um grupo de escala latino-americana, com uma operação omnicanal sofisticada. Foi mérito de quem construiu o negócio, mas a menor pressão de concorrentes internacionais também abriu espaço para crescer.

Nos Estados Unidos, o paradoxo se inverte: empreender é bom, mas é ruim. O ambiente é mais previsível, o acesso a capital é mais amplo e novos competidores entram com maior facilidade. Conquistar clientes e preservar margens exige reinventar-se continuamente.

Aqui, muitas vezes, o desafio é entrar no jogo. Lá, é continuar vencendo quando tantos outros podem jogar.

Seria um erro comemorar nossas barreiras. Elas podem proteger empresas estabelecidas, mas afastam investimentos, encarecem produtos e dificultam a vida de quem começa. Não explicam sozinhas a desigualdade, mas ajudam a perpetuar um Brasil com base larga de baixa renda e topo estreito de riqueza, tão diferente da classe média mais ampla americana.

Aquilo que pode ter ajudado minha empresa a crescer não é necessariamente o melhor para o país. Prefiro um Brasil em que seja mais fácil empreender, mesmo que isso signifique mais concorrentes disputando meus clientes.

Afinal, empreender no Brasil é ruim, mas pode ser bom para quem já venceu os obstáculos. O que não podemos aceitar é que o sucesso de quem chegou primeiro dependa das dificuldades de quem ainda tenta começar.

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.