Como chegar aos 90 anos com saúde e autonomia?

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Este é o Tratado da Saúde, esta semana com o doutor João Marques Santos, médico de família dos Centros de Saúde CUF. Olá, doutor. Bom dia, bem-vindo.
Olá, bom dia.
Hoje vamos falar de um desejo de quase todos nós. Como é que podemos chegar aos 90 anos, mas com qualidade de vida e de forma saudável? Doutor João, viver tanto tempo e bem é mesmo possível para qualquer um de nós?
Sim, é absolutamente possível. E mais do que focar no medo da doença ou do envelhecimento, que o segredo está um pouco em focar na saúde e em aproveitar cada etapa da vida. A ciência vai nos mostrar que chegar aos 90 anos com vitalidade depende em grande parte das nossas escolhas diárias e que fazemos ao longo da vida.
Quais são essas escolhas? Há hábitos de estilo de vida que façam mesmo a diferença na longevidade?
Sem dúvida, aqui os estudos mostram-nos que há dois grandes comportamentos nocivos que devemos evitar: o tabaco e o excesso de álcool. Por exemplo, nos homens com mais de 70 anos, o hábito de fumar pode duplicar o risco de não alcançarmos os 90 anos. Além disso, manter um peso equilibrado e praticar pelo menos 30 minutos de atividade física diária pode somar mais 10 anos à nossa expectativa de vida.
Que diferença!
E aqui o exercício físico sozinho consegue reduzir o risco de mortalidade.
Trinta minutos por dia parece uma meta muito concreta. E quanto à alimentação e ao descanso, a dieta mediterrânica continua a ser a nossa melhor aliada?
Na verdade, temos este privilégio. Seguir um padrão de dieta mediterrânica com foco em vegetais, azeite, peixe e um bom aporte de proteína, vai reduzir o risco de problemas cardiovasculares e vai proteger também o nosso cérebro contra um declínio cognitivo. Outro pilar fundamental é o sono. Dormir sete, oito horas por dia vai proteger a saúde do nosso coração e a nossa memória. Dormir muito pouco ou até em excesso, vai acabar por aumentar estes riscos.
É curioso como coisas tão simples têm um impacto enorme. E quando já estamos em idades mais avançadas, o que é que garante que continuamos independentes e lúcidos aos 90?
Sim, um grande indicador desta sobrevivência e de bem-estar aos 90 anos é a nossa força muscular e a nossa autonomia para as tarefas diárias sozinhos. Por isso, manter a força física é vital. Não basta exercitar o corpo, também precisamos exercitar a nossa mente e o coração. Aprender coisas novas vai reduzir o risco de demência, por exemplo. Ter laços sociais fortes.
Ajuda, não é?
Estar com amigos, família, participar na comunidade ou então até manter uma atividade laboral residual. Vai reduzir o risco de depressão em cerca de um terço. E ter um propósito de vida vai nos fazer viver mais e até melhor.
E no que toca ao acompanhamento médico, que papel é que tem nesta longevidade que estamos aqui a falar?
No fundo, é o acompanhamento perfeito para isto tudo. Vai complementar. Vai manter as vacinas em dia, fazer consultas de vigilância regulares com o médico de família. Isto reduz as doenças graves que podem até nem ser diagnosticadas se isto não acontecer. Em suma, vamos não só pensar no envelhecimento, mas sim cultivar hábitos saudáveis para podermos aproveitar ao máximo este momento da nossa vida.
É uma forma de começarmos o dia com energia, um excelente conselho. Muito obrigada, doutor João. Até à próxima.
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