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Wednesday, November 4, 2026

Trump perdeu e perdeu muito. Mas será que o MAGA tem futuro?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E no "Tings" conhecem o resultado das eleições intercalares nos Estados Unidos da América, que dão a vitória aos democratas. Este é também o tema do Contracorrente. Faça parte, contamos consigo depois das 10h. Só tem que ligar 91 002 41 85. Carla.

Não foi uma surpresa o resultado, foi uma surpresa a dimensão. Os republicanos perderam o controle do Congresso, e não perderam apenas a Câmara dos Representantes, perderam também o Senado e perderam em alguns estados cruciais, como o Texas. Os eleitores terão feito aquilo que Trump sugeriu, isto é, terão mesmo votado a pensar que era ele que estava nos boletins de votos e o veredicto foi pesado para o presidente. Mas o que pensar do dia seguinte? Irá o Partido Republicano regressar à sua tradição? E o que irão os democratas fazer com as suas maiorias? José Manuel, bom dia.

Bom dia.

Desta vez as sondagens não se enganaram.

Não, no essencial estavam corretas. E portanto, verificou-se aquela onda anti-Trump, que de alguma forma se esperava, e não houve surpresas. Aquilo que o Trump conseguiu algumas vezes, mas basicamente quando era de facto ele que estava no boletim de voto, que foi duas vezes surpreender e ganhar, desta vez não aconteceu. Apesar de eu querer começar por chamar a atenção para três aspectos que apontam para alguma prudência. O que eu quero dizer com isto? Quero dizer o seguinte: primeiro, isto muda o panorama nos Estados Unidos, mas eu não tenho a certeza absoluta que Trump se transforme naquilo que habitualmente se diz que é um lame duck, um presidente sem poder nenhum e com incapacidade de fazer qualquer coisa. E não tenho porque a presidência americana tem se transformado cada vez mais numa presidência imperial, é uma coisa que já acontece há umas décadas, muito baseada em ordens executivas, sobretudo naquilo que respeita à política externa, mas não só. O que tem, depois falaremos disso mais tarde, porque tem vários problemas, porque as ordens executivas podem ser revertidas na primeira semana do novo presidente e portanto podem ser muito efêmeras. Foi algo que aconteceu muito, por exemplo, na fase final de Obama e que depois também deu algum espaço ao início de Trump. Ele pode continuar, desse ponto de vista, a ter um poder menos limitado do que nós imaginamos. Agora, eu sempre achei, ao contrário dos apocalípticos, que a democracia americana não tinha acabado quando ele foi eleito pela segunda vez e a demonstração está aqui. Não tinha acabado porque o Supremo Tribunal não lhe dá sempre razão, apesar da maioria que os republicanos lá têm. Nesta semana, várias vezes o derrotou, na última semana, em várias decisões. E agora foram os eles americanos que lhe conferiram uma derrota. Não é um cartão vermelho, que ele vai estar mais dois anos na Casa Branca. Depois falaremos um bocado melhor do que pode acontecer, do que pode não acontecer. Há outro aspecto que também é muito relevante, que é: neste momento é difícil perceber quem é que vai mudar mais nos dois partidos depois desta eleição. Os dois partidos ou estão ou vão ficar sem uma liderança clara. O Partido Republicano vai ter que pensar na era pós-Bush e quem é que vai escolher como candidato presidencial. Os candidatos presidenciais ou os presidentes, na prática, são os líderes dos partidos no sistema americano, se bem que não o sejam formalmente e às vezes as lideranças das Câmaras também são importantes, do Senado e da Câmara dos Representantes. Há esta enorme dúvida, não é claro quem é que possa, no Partido Democrata, não é claro o que é que possa acontecer. Curiosamente, o facto de o Partido Democrata provavelmente vir a beneficiar de uma maioria relativamente folgada na Câmara dos Representantes é capaz de dar espaço para respiração aos moderados. Há muitos moderados que ganharam e apesar de haver muito foco mediático nos mais extremistas, o facto de a próxima liderança democrata na Câmara dos Representantes não estar dependente dos extremistas, como por exemplo estava a liderança republicana nesta Câmara dos Representantes que agora acabou, dá, porventura, aos moderados no Partido Democrata espaço de respiração. Não quer dizer que isso aconteça, porque há pelo menos um resultado que é acreditar em Alexandria Ocasio-Cortez, não sei se ela já falou esta noite, mas naquilo que ela disse antes, disse: "Se ele conseguiu ganhar, qualquer extremista ganha". Ela não disse extremista, mas no fundo qualquer extremista ganha. Estou a falar da vitória no Wisconsin do candidato muçulmano. Foi uma vitória mais apertada do que dizia a maior parte das sondagens, de facto, mas foi uma vitória. Finalmente, um aspecto que também é relevante e que eu queria chamar a atenção. Há aqui uma grande mudança de maiorias significativa, mas porventura não é maior dos últimos anos, ao contrário daquilo que nós muitas vezes temos.

Não.

Não, não é. Eu fui ver, fui verificar. Vamos ver qual é a mudança na Câmara dos Representantes. Estou a falar da previsão do New York Times para 40 e qualquer coisa. Se olharmos para o que foram grandes mudanças na Câmara dos Representantes nas últimas décadas, encontramos que em 1994 os republicanos viraram 54 congressistas e tiveram algo que é muito diferente do que está a acontecer agora, fizeram um compromisso político Newt Gingrich e o contrato com a América, foi com Clinton. Clinton depois mudou completamente a sua segunda metade do primeiro mandato e a coisa foi diferente. E Obama em 2010, com o Tea Party, perdeu 63 lugares na Câmara dos Representantes. Provavelmente não se vai chegar a estes números agora. E já em 2018, Trump tinha perdido 41. Provavelmente agora perdeu mais. Tinha perdido 41. No que diz respeito a senadores, é uma conta mais complicada, porque-

Só muda um terço

...só muda um terço, a coisa é mais complicada. Mesmo assim, em 2014, Obama perdeu nove. Agora estamos em sete, podem ser oito ou nove, não se sabe ainda qual vai ser a conta final. E curiosamente, no que diz respeito ao Senado, o ano em que porventura houve mais mudanças, foi um ano que eu já tive que ir ver o que tinha acontecido nesse ano, é 1958, e com um presidente republicano muito tranquilo, que era Eisenhower. Os democratas ganharam 13 lugares. Não vai acontecer 13 lugares agora. E quando se vê o porquê, curiosamente havia muitas coisas parecidas com o que está a passar agora. Havia um problema de guerra, não de guerra, mas relacionado com a-

Com a Guerra Fria

...com a Guerra Fria, porque tinha sido o lançamento da Sputnik e os Estados Unidos tinham ficado feridos.

Atrás na corrida espacial.

Havia uma questão económica também, uma recessão, havia muitas coisas assim. Relativamente às razões porque Trump perde, acho que há uma que está a ser, naquilo que eu tenho ouvido até agora, exceto nos comentários americanos, mas daquilo que eu tenho ouvido, eu ando a ouvir tudo, como é óbvio, não consegui ouvir a nossa edição magnífica durante toda a madrugada.

Lançámos às 18h. Não, às 06h.

Tive que ir dormir um bocadinho.

É, fizeste bem.

Tive que ir dormir um bocadinho. Há um aspeto que me parece muito relevante e talvez seja aquilo que venha a perturbar mais estes últimos dois anos de Trump, que é a segunda motivação para o voto contra Trump, não foi a guerra, ao contrário de muitas vezes do que nós falamos, que nos preocupa mais, estamos fora, é corrupção.

O Bruno Carlos Reis até já tinha falado nisso aqui hoje.

A corrupção está em segundo lugar, a seguir logo ao custo de vida.

Claro.

E isso é um tema onde o Congresso pode moer muito, porque pode abrir muitos inquéritos, muitos contratos, muitas situações de favorecimento.

Muito desgaste.

Muito desgaste. É talvez a questão que vamos ter que olhar com mais atenção e que se tornou, mesmo para os trumpistas, um tema de enorme desconforto. Eu tenho ouvido alguns trumpistas mais intelectuais, digamos assim, a defender Trump, mas a dizer: "é pá, isto aqui está-me a deixar muito incomodado.”

E se calhar incomodou mais americanos.

E se calhar incomodou muitos eleitores.

Vamos falar melhor depois no Contracorrente. Até já, José Manuel.

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