OCDE. Portugal é um dos países com mais indisciplina

Atrair professores no início de carreira é “desafio” na OCDE
Em Portugal, 38% dos professores do ensino secundário têm 55 anos ou mais. É a quinta percentagem mais elevada no quadro da OCDE, segundo este relatório, onde também fica claro que esse universo de professores mais velhos subiu entre 20% (na educação primária) e 23% (no secundário) entre 2015 e 2024.
Os dados deste último ano salientam que pressões idênticas no corpo de docentes nas escolas se fazem sentir em países como a Estónia, Itália, Lituânia e Letónia. A média da OCDE situa-se nos 25% de docentes com 55 anos ou mais.
A OCDE considera ainda que a saída de professores que estão no início da carreira continua a ser “um importante desafio de mão de obra em vários sistemas educativos”: “Os professores com menos de cinco anos de experiência compõem um terço das demissões no ensino primário e secundário em média, ao considerar os países e economias da OCDE, chegando aos 77% em Israel, 69% na Áustria, 66% na Comunidade Francesa da Bélgica e 64% no Luxemburgo.” Contudo, não há dados sobre Portugal.
Universidades abrem mais de mil vagas para profissionalização em serviço de professores
Indisciplina preocupa docentes, que também pedem mais preparação para alunos com NEE
Os professores destacam ainda que os comportamentos desadequados em sala de aula e a indisciplina dos alunos se tornaram mais desafiantes — uma realidade que atravessa os vários países visados no estudo. “Em média, nos países e economias da OCDE, a percentagem de professores que relatam precisar de acalmar alunos disruptivos na aula ‘frequentemente’ ou ‘sempre’ aumentou de 64% em 2018 para 72% em 2024”, lê-se no relatório. Os países onde mais se sentiu esse aumento foram a Letónia (36%), Japão (14%) e Noruega (14%).
Contudo, “proporções muito elevadas de professores relatam lidar regularmente com comportamentos perturbadores, incluindo a Arábia Saudita (93%), Portugal (91%) e Chile (91%)”. Em Portugal, registou-se um aumento de seis pontos percentuais entre 2018 e 2024.
Perante esta realidade, a que se junta o “trabalho administrativo excessivo”, já são 19% os professores que garantem estar sob “muito stress” no seu trabalho diário, na média da OCDE. “Estes resultados sugerem que dar resposta à escassez de professores não é apenas uma questão de recrutamento, mas também de ajudar os professores a lidar com ambientes de sala de aula cada vez mais complexos. Políticas que disponibilizem pessoal de apoio especializado, reforcem a integração e mentoria, ampliem a formação para a educação inclusiva e reduzam tarefas administrativas desnecessárias podem, portanto, desempenhar um papel importante na melhoria da retenção de professores e na sustentabilidade a longo prazo da profissão”, sugerem os peritos.
Outra preocupação dos docentes é o aumento dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) nas escolas, valores cuja evolução, ressalva a OCDE, deve ser interpretada com cautela seja devido às denominações diferentes usadas pelos países, seja pela falta de resposta de alguns.
Contudo, são pedidas “preparação inicial suficiente, pessoal de apoio especializado, formação ou oportunidades de desenvolvimento profissional para dar resposta” a estes alunos. “Os inquéritos TALIS têm sublinhado repetidamente que os professores relatam frequentemente sentir-se insuficientemente preparados para ensinar alunos com necessidades educativas especiais ou alunos de origens linguísticas e culturais diversas, particularmente no início da sua carreira.”
Impacto das faltas na aprendizagem dos alunos está acima da média da OCDE
O relatório da OCDE também não dispõe de valores de Portugal relativamente às faltas de professores durante dois meses ou mais, em que se destacam países como Áustria (10,8%), Coreia do Sul (8,8%) ou Irlanda (8%).
Porém, o país ficou ligeiramente acima (26,7%) da média da OCDE (26,5%) quanto à perceção, por parte dos diretores, de que as faltas dos professores limitam a aprendizagem dos alunos com 15 anos. Os maiores valores verificaram-se na Bélgica (60%), Alemanha (55%) e Estónia (52%), ao passo que esse impacto é tido como menos preocupante na Lituânia (1%), Coreia do Sul (3%), e Japão (6%).
Os alunos do ensino público também são mais prejudicados pelas faltas dos professores do que os do ensino privado, com 24% maior probabilidade de um estudante do ensino público sentir esses efeitos do que um de uma escola privada. “Estes números sugerem que o setor público enfrenta dificuldades maiores em substituir os professores ausentes ou assegurar a continuidade pedagógica”, explica o relatório. Os maiores desequilíbrios entre os dois tipos de ensino verificam-se no Chile (43%), Estónia (41%) e Nova Zelândia e Eslovénia (ambas com 39%).
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.