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Friday, October 2, 2026

O imponderável, as omissões, as baixezas e os azares que podem definir a eleição acirrada

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A distância de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Flávio Bolsonaro (PL) ficou na mesma desde o início de setembro, praticamente desde o início da campanha em rádio e TV. Pela aritmética dos dados da pesquisa Datafolha, haveria segundo turno. Se a votação ocorresse nesta quinta, resultados diferentes desses da pesquisa dependeriam do Imponderável da Silva, primo do Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues, o responsável pelas derrotas do Fluminense (o time do escritor).

Em suma, campanha corpo a corpo, um evento digital viral ou alguma maluquice extra dos tribunais ditos superiores podem render décimos relevantes. Mais sobre isso mais adiante. O que se pode dizer com certeza é o que não será relevante, pois não vai acontecer.

Não haverá manifestos indignados, "canseis" e outras cartas santarronas contra um candidato que promete seguir as diretrizes do governo do pai, que vem a ser o capitão das trevas Jair Bolsonaro. O candidato tem como ponto forte do programa a libertação do pai, Jair, e de seus amigos de quadrilha, que organizaram uma tentativa de golpe, que contava até com uma célula de militares terroristas para matar autoridades. Se não conseguem refrescar a memória sobre o passado recentíssimo, não teriam condições de lembrar a história do filho de Jair, a ficha corrida de Flávio Bolsonaro.

Isto posto, trate-se do que ainda pode acontecer.

O Imponderável da Silva pode se encarnar na forma de abstenção em tamanho relevante para prejudicar esse ou aquele candidato. Não foi por acaso que a polícia de Jair Bolsonaro parava ônibus no Nordeste no dia da eleição de 2022.

Para quem vive em cidade com transporte público em tese regular, muita vez é difícil ir ao lugar em que se vota, pelo transtorno ou mesmo pelo dinheirinho miúdo. Imagine-se em lugares do país ainda mais abandonados do que as periferias. Muitas dessas pessoas que moram longe, muito longe, têm de andar por horas; outras têm a sorte mais duvidosa de viajar por horas de barco, pelos rios dos fundões florestais do Brasil. Sim, aqueles fundões destruídos por políticos preferidos pelos adeptos do liberalismo (com benefício fiscal) e do ajuste fiscal (no couro dos outros apenas). O resultado da eleição pode depender, de modo deplorável, também dessas pobrezas e dessas misérias, de gente que não vai votar.

Pode ser também, de novo, que eleitores camuflados se revelem no domingo da votação ou no sábado, quando sai o derradeiro Datafolha antes do primeiro turno.

A parcela do eleitorado que não vota em Lula ou Flávio é muito semelhante à da penúltima pesquisa de 2022. Mas, a esta altura da eleição, a diferença entre Lula e o candidato da extrema direita era muito maior em 2022 (mais que o dobro). Também em 2022 a distância entre os candidatos ficou quase na mesma no mês anterior à primeira rodada de votação.

Nesta quinta-feira, o noticiário político-judiciário ficou ainda mais frenético. A esta altura da anomia e do arbítrio, não se sabe o que se pode esperar até o domingo da eleição. Espera-se que não sobrevenha alguma chicana maior, um golpe ainda mais baixo.

A isto chegamos. Ao vale-tudo. À omissão republicana, disfarçada de manifestos santarrões em "defesa das instituições". Não houve debate político, que dirá de alguma ideia do que fazer deste país que, como se vê por esta eleição e muito mais, já não deu certo.

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