2 artistas de Viseu: José de Almeida e Silva, Aureliano Lima

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias. Eu, João Paulo Sacadura, acolho aqui o Jorge Adolfo Marques, historiador, professor, especialista em comunicação. Hoje vai nos falar de mais duas personalidades, que é o que ele tem feito esta semana, de Viseu. De Viseu ou de perto de Viseu. Hoje temos o José de Almeida e Silva, esse sim, um visense. E depois falamos também, se houver tempo, Aureliano, senão nos intitiam os bárbaros, Aureliano Lima, este nascido em Carregal do Sal. Olá, Jorge, vamos a isso.
Olá, João Paulo. Sim, vamos falar hoje, um bocadinho só, um cheirinho, de dois artistas. Ontem falamos de dois escritores, hoje vamos falar de dois artistas plásticos. O José de Almeida e Silva, e depois, se tivermos também um bocadinho de tempo, o Aureliano Lima. O Almeida e Silva de Viseu, Aureliano Lima de Carregal do Sal. Almeida e Silva. O pai também tinha o mesmo nome, ele era exatamente José de Almeida e Silva, e a mãe era Leonor Silva. Ele nasceu em Viseu, na Rua da Cadeia. A Rua da Cadeia hoje tem o nome Rua de Dom Duarte. Também é uma rua que sai da Praça de Dom Duarte e que vem dar à Rua Direita.
Está tudo ligado.
Naquelas ruas que saiam da praça já é o terceiro artista de que falamos.
Exatamente.
Augusta Cruz, Augustilário e agora o Almeida e Silva. O Almeida e Silva nasce em 1864. E o primeiro trabalho que ele fez foi de marcenaria, foi trabalhar com o pai. Ele tinha algum talento para desenho e foi reconhecido por um daqueles brasileiros torna-viagem. O Aquilino Ribeiro fala muito nisso, José Ribeiro de Carvalho e Silva, que lhe vai ser um mecenas dele. E ele vai estudar para a Academia Portuense de Belas Artes, onde vai cursar entre 1882 e 1890. Foi discípulo de António José da Costa, Tadeu de Almeida Furtado, João António Correia e de Soares dos Reis. Portanto, ele tem toda essa escola no Porto. Ele, mesmo nos tempos de estudante, participou em várias exposições, nomeadamente da Academia Portuense, e ganhou alguns prêmios. Ficou em segundo lugar, o segundo prêmio do desenho em 1884 e depois em 1885 também fica em segundo lugar. E acabou a formação com 18 valores, com uma tela.
Um bom aluno.
Um bom aluno. Ele tinha grande capacidade não só técnica, mas também artística. Nomeadamente com a tela "Enterro de Cristo", que ele vai expor em 1890. Como estudante, ainda foi diretor artístico e produziu a capa do "Álbum Visense", que é uma obra muito interessante, que é publicada nessa altura, em 1884 e 1885. Ele vai participando com desenhos também em outras publicações nessa época. Quando terminou o estudo, veio para Viseu, dedicou-se à pintura e ao ensino na Escola Industrial Emídio Navarro, aquela onde vai também estudar e trabalhar o Mestre Malho. Aliás, o Mestre Malho foi aluno dele, e ele vai trabalhar lá e também na Marinha Grande, terra do vidro, da indústria vidreira. Participou em exposições no Porto e em Lisboa. E a sua pintura, que é um bocado romântica, naturalista, é uma pintura do agrado do público. Hoje, há muitas coleções entre privados e museus que têm obras, porque ele pintou muito, foi um homem que produziu muita pintura.
Muito prolífico.
E que nós encontramos, por exemplo, no Museu Grão Vasco e mesmo em instituições da cidade. Ele, entre 1909 e 1916, vai pintar, vai concluir as obras da Câmara Municipal de Viseu, com um medalhão que é evocação alegórica ou panegírica à cidade de Viseu, no teto da escadaria, e cercada de 24 medalhões, retratando as personalidades mais ilustres de Viseu e da Beira Alta, a começar pelo nosso Viriato A começar pelo nosso Viriato. É uma obra muito bonita. A Câmara de Viseu é um espaço de arte muito interessante e muito bonito da cidade e que é concluída precisamente em 1916. Não deixou de ser polêmica, porque ao introduzir a figura do nosso Alberto Sampaio. Estava aqui a pensar no Alberto Sampaio, de Guimarães, mas o nosso Alberto Sampaio foi muito polêmico, porque aquilo são os mais ilustres. E o Alberto Sampaio era um tipógrafo. O nosso Almeida e Silva vai ser o autor, por exemplo, do busto de Camões, que foi colocado na Praça de Camões. É uma figura muito importante. Participou, publicou muitos artigos na imprensa local e vai ser também um homem defensor do patrimônio, um homem que vai ter um papel importante na defesa do patrimônio visense, não só o patrimônio artístico, mas arqueológico, histórico, e vai ser também um dos fundadores do Instituto Etnológico da Beira. Saltando para o nosso Aureliano Lima, um homem que nasce um pouco mais tardiamente, enquanto que o Almeida e Silva vai falecer em 1945. Nasce em 64 e vai falecer em 45. Aureliano Lima é uma pessoa do século XX.
Já nasce em plena República.
1916, no ano em que o Almeida e Silva pinta o teto da Câmara. E o Aureliano Lima vai falecer em 1984. Ele é de Carregal do Sal. Ele nasceu em Carregal do Sal, é aí que vive os primeiros anos de vida, mas depois foi para Lagares da Beira, uma terra que pertence ao Conselho de Oliveira do Hospital. Já depois, o pai emigrou para o Brasil e ele foi viver para a Figueira da Foz. Não tem uma formação acadêmica, como por exemplo, vimos no Almeida e Silva. É mais um autodidata, mas ele tendo se fixado em Coimbra, portanto a Figueira também fica ali perto. Em 39, ele fixou-se em Coimbra e começa a conviver com aquele meio artístico e intelectual da cidade, a cidade dos estudantes. Afonso Duarte, Paulo Quintela, Miguel Torga, Carlos de Oliveira, portanto, gente desse meio artístico. E depois começa a participar em exposições, na exposição de artistas de Coimbra, numa série de exposições no Porto, em 58, e em Vila Nova de Gaia. Em 61, participa na exposição de artes plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. É um homem que tem uma obra mais abstrata, mais geometrizante. E a verdade é que na década de 80, destacam-se as suas obras escultóricas no espaço público, como por exemplo, "Monumento à Libertação do Homem" ou "O Grito", em Nelas. O monumento em bronze dedicado a Fernando Pessoa, na Vila da Feira. Também é um homem que tem esta projeção pública nesses anos 80. Ele vai falecer em 1984. Importa dizer que nesses anos 70 e 80 vai publicar obra poética. Publica uma série de livros em que expõe a sua veia mais literária no domínio da poesia. Mas, de facto, é um artista que tem um papel importante na arte portuguesa na década de 60 e 70. Em 1988, a Fundação Calouste Gulbenkian promoveu uma grande exposição do seu trabalho artístico e literário. E, para concluir, o Museu Municipal Manuel Soares Albergaria, em Carregal do Sal, tem uma sala com parte da sua obra que foi doada pela viúva e que nós podemos apreciar como um artista com uma expressão mais contemporânea, uma estética mais contemporânea, mas que é um homem também desta região e era um pouco nesse sentido que eu queria abordar estas personalidades, estas pequenas biografias de figuras da região.
E faz sempre falta conhecer um pouquinho mais, por que não, destes artistas. Hoje falámos de dois artistas plásticos. José de Almeida e Silva e depois Aureliano Lima. Agradeço, Jorge, por me dares esta semana. Houve vários dias em que homenageamos vários vultos notáveis, com todos os talentos variados também. Conseguiste isso, também é muito bom, de Viseu ou da Beira Alta. E marcamos encontro então para a semana. Jorge, que tenhas um bom fim de semana e muito obrigado pelo teu contributo sempre. É sempre bom ouvir-te, é sempre bom conhecer mais coisas pela tua mão. Bem-hajas.
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