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Thursday, September 24, 2026

A Glorieta de Tomás Ribeiro em Viseu

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, sejam muito bem-vindos. Já sabe, esta é a história das histórias. Eu sou o João Paulo Secadura e Jorge Adolfo Marques, ele que é historiador, investigador e arqueólogo, vai nos hoje continuar a falar de Viseu. Hoje, concretamente, vamos fazer uma homenagem à Glorieta de Tomás Ribeiro, que era inaugurada, se não me engano, em 1931. Foi, portanto, no mesmo ano em que foram inaugurados aquele painel grande azulejos ali no Rossio. É isso? Vamos lá. Então, bem-vindo, Jorge.

É verdade. Olá, João. Pois, continuamos um pouco aqui por Viseu, pela cidade.

Muito bem.

Já andámos por tantos sítios.

Há tanto para dizer.

E pouco falámos em Viseu.

É verdade.

Temos agora feito aqui uma escala na cidade e em torno, há sempre aqui um ponto de referência e que é a pedra de toque dos nossos últimos programas, que é o capitão Almeida Moreira e a Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu. Estivemos a falar, até no último programa, do painel de azulejos que se encontra no Rossio, na curva do Rossio, digamos, do lado oposto da chamada fonte luminosa. Esse painel extraordinário. Eu ontem, por acaso, ia dizer que é capaz de ser, depois da Sé, depois da Catedral de Viseu, o aspecto mais fotografado da cidade.

Sim, eu acredito. Claro que sim.

Porque as pessoas vêm muito ali ao centro da cidade, os turistas que vão almoçar aos restaurantes, etc. E ficam maravilhados com aquele painel e com as cores daquele painel. E mesmo à noite, nos últimos anos foi-lhe colocada uma iluminação do solo para cima. Portanto, cria ali um cenário bastante bonito, porque as cores, o azul e o branco, e depois as imagens que estão lá, que aproveito também para dizer que em alguns hotéis da cidade de Viseu estão reproduzidas em tapeçaria.

Ok.

Portanto, de tal forma são o tal ícone que eu referia, que também são colocados ali. Aliás, dentro do tal espírito da Comissão de Turismo, de iniciativa e turismo. Portanto, se viessem cá ver como é que nós hoje estamos a valorizar isso que eles fizeram e que eles nos deixaram, que eles nos legaram, iriam ficar contentes, não é?

Sim, claro.

Iriam ficar contentes de dizer: "Olha, estes indivíduos até estão agora em 2026-

Exatamente.

"Quase 100 anos depois, estão a fazer aquilo que nós pensámos e que nós achámos que era, de facto, o futuro".

Sim.

Portanto, foi um investimento bem feito.

Sim.

E uma das coisas que também foi um investimento então pensado, também aqui pelo capitão Almeida Moreira, foi a criação ali ao lado da Câmara Municipal.

Uhum.

Quem está virado para a fachada da Câmara, do seu lado esquerdo, há um jardinzinho, um pequeno jardim, que é o Jardim Tomás Ribeiro.

Sim.

Tem lá um repuxo no meio, um lago com repuxo. É um jardinzinho muito bonito, é um dos jardins mais bonitos. É pequenino.

Da cidade.

Mas é um jardim muito bonito da cidade e ali do centro da cidade. E num dos cantos desse jardim, foi inaugurado em 1931, aquilo que se designa pela Glorieta Tomás Ribeiro.

Tomás Ribeiro.

Tomás Ribeiro, grande político aqui de Parada de Gonta. Parada de Gonta, para quem não sabe, é uma freguesia do Conselho de Tondela.

Exatamente.

Portanto, quem viaja ali pelo IP3, sabe que há uma saída do IP3 para Parada de Gonta. Portanto, é uma freguesia do Conselho de Tondela, de onde ele era natural. Aliás, ele é um dos promotores, é uma das figuras importantes da criação da Linha do Dão.

Certo.

Portanto, a chamada Linha do Dão ou Linha de Viseu, que era uma linha de comboio que vinha da Linha da Beira Alta, de Santa Comba Dão, e subia até Viseu e aqui terminava, passando por Tondela. E até se diz que ele moveu influências para desviar um bocadinho a linha, para passar ali mais perto da sua freguesia.

Sim.

Enfim, fez o lobby.

Sim, exatamente.

Aquilo que nós dizemos hoje, ele fez um lobby.

Exatamente. Moveu ali umas influências.

Temos que ter em conta que aquilo foi no final do século XIX, portanto, um período muito quente da vida política nacional. Estamos ali já quase nos finais, estamos nos finais dos últimos anos da monarquia.

Uhum.

E, portanto, grande instabilidade política, grande guerra política, os partidos. Os jornais da época lá falavam dessas lutas políticas e insultavam-se todos uns aos outros, às vezes até mais do que nos nossos dias, diga-se em abono da verdade.

Sim.

Portanto, lêem-se coisas extraordinárias e que nos fariam corar se as ouvíssemos hoje.

Hoje.

Mas a verdade é mesmo essa. E então, ali junto à Câmara, foi criada a tal Glorieta, porque o Tomás Ribeiro também era escritor, ele publicou uma série de obras E o Tomás Ribeiro, nomeadamente uma muito conhecida, "D. Jaime". É um homem do final do Romantismo. Já eu diria, um certo romantismo decadente ou de final de época. Mas é um escritor que publicou muitas obras e a Comissão de Iniciativa e Turismo, por mão do capitão Almeida Moreira, no centenário do nascimento do Tomás Ribeiro, faz uma homenagem, propõe uma homenagem, com a construção da tal glorieta. A glorieta foi uma coisa que o capitão Almeida Moreira viu em Espanha. E quando visitou o Parque Maria Luísa em Sevilha, na exposição Ibero-Americana em 1929. Repare-se, ele vê isso lá em 29 e a glorieta é inaugurada aqui em Viseu em 31. Portanto, entre 29 e 31 passaram apenas, eu diria, apenas dois anos.

Dois anos, exatamente.

Ou menos de dois anos. Portanto, aqui o aspecto que não deixa de ser interessante é o curto espaço de tempo que decorreu. E, portanto, o desenho dessa glorieta, que tem estantes para livros, tem o medalhão com o Tomás Ribeiro, tem o título das obras. É uma obra que era para as pessoas estarem ali a lerem, junto àquele jardim, num espaço de lazer, de descanso. E que eu, que sou de Viseu, confesso que nunca vi aquele espaço ser aproveitado nesse sentido. Repare, passaram muitos anos e hoje nós temos ofertas, não só da televisão, da internet, dos telemóveis, que não são compatíveis com usufruir desses espaços assim, no espaço público. Hoje há os cybercafés, os lugares com wireless. Mas ali há, atenção. Portanto, o que quer dizer que é um monumento muito próprio da época, e que nós temos, por exemplo, também em Portugal. Estou aqui a lembrar de um caso à Luísa Todi em Setúbal. E temos outros exemplos pelo país, mas que são muito marcantes daquela época e que valorizam aquele espaço. É um espaço público de valorização. O mesmo vai suceder com uma outra, chamada a Glória a Grão Vasco.

Também no Fonteu.

No Fonteu.

No ano seguinte.

No Fonteu, e que vai ser inaugurada em 1932, no ano seguinte. Esta talvez, eu não direi menos conhecida, mas o local onde se encontra não é um sítio de passagem como é, por exemplo, a Glorieta do Tomás Ribeiro, que está ali no centro, não pode haver mais centro. Ali junto à Câmara, no Rossio, portanto, um sítio de passagem ali centralíssimo da cidade. O da Glória a Grão Vasco tem uma representação do São Pedro. E é uma obra também que visou embelezar o Fonteu, a mata do Fonteu, o espaço público do Fonteu. Mas é curioso que esta obra foi produzida na fábrica de louças de Sacavém. Também outra região mítica ligada à produção de louças e não só. Mas este Grão Vasco foi oferecido à cidade. São duas glorietas, dois espaços públicos que correspondem ao espírito da Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu. E quem é que está ali a liderar? Capitão Almeida Moreira.

Almeida Moreira, claro. Ficamos então com mais estas homenagens que se foram espalhando e embelezando a cidade de Viseu. Jorge, nós marcamos encontro amanhã. Por hoje é tudo. Bem-hajás. Um grande abraço.

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