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Tuesday, October 6, 2026

Israel lista mortos em Gaza que seriam combatentes disfarçados de jornalistas

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As Forças Armadas israelenses divulgaram uma investigação segundo a qual 170 pessoas mortas na Faixa de Gaza que se apresentavam como jornalistas eram, na realidade, combatentes de grupos terroristas, rebatendo acusações de que teriam atacado profissionais de imprensa em violação ao direito internacional.

O general de brigada Effie Defrin, porta-voz das Forças Armadas israelenses, afirmou na quinta-feira (1º) que Israel havia identificado mais de cem integrantes do Hamas e dezenas de membros da Jihad Islâmica na Palestina, além de outros grupos, que haviam sido classificados como profissionais da imprensa.

"Os soldados [israelenses] foram criticados antes que os fatos fossem verificados", disse Defrin.

As Forças Armadas publicaram uma imagem com os rostos de homens que, segundo Israel, enganaram a comunidade internacional, além de um site com informações sobre as pessoas que teriam sido "desmascaradas".

Trechos do relatório israelense contêm fotos, publicações em redes sociais ou registros que teriam sido encontrados em Gaza e supostamente comprovariam vínculos com os grupos, enquanto outras se baseiam em informações de inteligência que as Forças Armadas israelenses afirmam não poder divulgar.

Lá Fora

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O CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas) lista 190 repórteres e profissionais da imprensa palestinos cuja morte durante a guerra foi documentada pela organização.

O comitê atribui uma dessas mortes a um grupo palestino, o que torna os militares israelenses "responsáveis pela vasta maioria dos assassinatos de jornalistas e profissionais da imprensa em todo o mundo desde 2023", segundo a entidade.

Cerca de 78 pessoas aparecem tanto na lista do Exército israelense quanto na do CPJ, o que significa que os lados divergem sobre se elas eram realmente jornalistas.

Na maior parte, porém, as duas listas não coincidem —mais da metade das pessoas que Israel afirma terem usado o jornalismo apenas como fachada não são apontadas pelo CPJ como profissionais da imprensa mortos, e mais da metade dos profissionais da imprensa que, segundo o CPJ, foram mortos não teve essa condição contestada por Israel.

Nenhuma das listas foi verificada de forma independente pelo The New York Times.

Grupos de defesa dos jornalistas, como o CPJ, as Nações Unidas e organizações de notícias acusaram Israel de atacar deliberadamente jornalistas em Gaza.

Israel tem, em grande parte, impedido a entrada de repórteres e observadores externos na região, tornando obscuro para o mundo o que acontece ali.

A lista do CPJ tem sido uma fonte de atrito entre líderes israelenses e muitos membros da comunidade internacional e, em uma publicação nas redes sociais, as Forças Armadas israelenses pediram que o grupo atualizasse seus registros.

No mês passado, o grupo retirou de sua lista 19 homens que suas próprias investigações concluíram serem combatentes; quase todos constam da lista de 170 nomes divulgada por Israel.

O CPJ também retirou várias outras pessoas da lista por ter concluído que elas não trabalhavam na imprensa.

Desde o início da guerra, a organização afirma ter excluído um total de 27 pessoas que eram combatentes.

O CPJ analisa novos dados à medida que eles aparecem, afirmou Jodie Ginsberg, diretora-executiva do comitê, em entrevista na sexta-feira (9).

Segundo ela, a organização tratará o relatório das Forças Armadas israelenses como qualquer outra fonte, avaliando de forma independente a credibilidade das evidências e verificando-as de acordo com seus métodos estabelecidos, que são minuciosos e complexos.

"Precisaremos examinar detalhadamente as evidências que eles apresentaram", disse ela.

O deslocamento em massa durante a guerra e o elevado número de mortos dificultaram a localização de pessoas no território com conhecimento confiável dos fatos, afirmou ela, acrescentando que a comunicação é instável.

Mais de 74 mil pessoas morreram na guerra, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não faz distinção entre civis e combatentes.

Israel frequentemente considera alvos os profissionais de veículos de comunicação ligados a grupos armados. Algumas das pessoas citadas pelo país parecem se enquadrar nessa categoria, descritas, por exemplo, como "membro militar da unidade de informações de combate".

As Forças Armadas israelenses afirmam que todas as 170 pessoas citadas na investigação eram membros ativos de alas militares no momento de suas mortes e que grande parte das evidências estava disponível ao público, mas foi ignorada.

Autoridades militares israelenses afirmam que a investigação não apenas demonstra que o governo de Israel foi falsamente acusado de atacar jornalistas, como também deveria levantar dúvidas sobre a possibilidade de outras acusações terem sido exageradas.

"Isso torna necessária uma reflexão sobre que outras informações falsas foram divulgadas ao longo da guerra", disse Ben Cohen, porta-voz internacional adjunto que trabalhou na investigação das Forças Armadas israelenses, em entrevista na quinta-feira.

A confirmação das identidades e funções dos mortos, assim como a comparação do banco de dados israelense com a lista do CPJ, é dificultada por variações de grafia e transliteração, pelo uso de nomes comuns e por outros fatores. Ainda assim, aparentemente há 78 pessoas nas duas listas.

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