Chihuahua tem DNA de coiote? Estudo revela origem surpreendente da raça
O chihuahua, conhecido pelo tamanho reduzido, guarda uma característica inesperada em seu DNA. Uma análise genética identificou ancestralidade de coiotes na raça originária do México.
A descoberta faz parte de um estudo publicado na revista científica Nature Communications. Os pesquisadores analisaram marcas genéticas antigas presentes nos genomas de cães e humanos para avaliar novas técnicas de investigação genética.
Entre as raças estudadas estavam o chihuahua e o xoloitzcuintli, também originário do México. Os resultados ajudam a reconstruir parte da história dos cães que já viviam nas Américas antes da chegada dos europeus.
DNA revela herança de coiotes
Grande parte dos cães encontrados atualmente nas Américas descende de raças europeias introduzidas após o início da colonização, no século XV.
Algumas raças, porém, preservaram parte da ancestralidade dos animais que já habitavam o continente. Estudos anteriores indicam que cerca de 4% da ascendência genética do chihuahua vem de cães pré-contato. No xoloitzcuintli, a proporção chega a aproximadamente 3%.
A nova análise encontrou ainda sinais relacionados aos coiotes no material genético do chihuahua. Essa mistura é biologicamente possível porque cães domésticos não estão geneticamente tão distantes de outros canídeos. Há registros, por exemplo, de hibridização natural entre coiotes e lobos selvagens.
Pesquisadores também já haviam identificado ancestralidade de coiotes no DNA obtido de restos de antigos cães domésticos das Américas.
Como os genes de coiote chegaram à raça
Ainda não está claro quando essa herança genética entrou na linhagem. As histórias das diferentes raças são difíceis de reconstruir porque muitos períodos não possuem registros detalhados.
De acordo com o estudo, uma possibilidade é que o cruzamento tenha ocorrido acidentalmente entre os ancestrais desses animais. Outra hipótese é que pessoas tenham cruzado deliberadamente cães e coiotes há muitas gerações.
A análise do xoloitzcuintli também trouxe pistas sobre a história dos cães mexicanos. Os resultados sugerem que animais europeus e pré-colombianos começaram a se misturar por volta de 1700.
Como o chihuahua ficou tão pequeno
A presença de genes de um animal maior levanta outra questão sobre a raça: como ela adquiriu seu tamanho reduzido? A explicação está relacionada à seleção de características ao longo da domesticação dos cães.
Análises genéticas mostram que quase todas as raças pequenas compartilham uma mutação no gene IGF1, ligado ao crescimento das células e, consequentemente, ao tamanho corporal. A seleção de animais pequenos portadores dessa característica genética parece ter começado ainda nas fases iniciais da domesticação canina.
Há evidências de cães de pequeno porte entre povos mesoamericanos antes da chegada dos europeus. No entanto, ainda não se sabe qual era a relação desses animais com os chihuahuas atuais.
O tamanho corporal apresenta uma das maiores variações entre os cães domésticos. Dependendo da raça, a diferença pode chegar a 40 vezes, como ocorre entre um chihuahua e um grande dinamarquês.
DNA ajuda a reconstruir a história dos cães
Ao longo de milhares de anos, tanto a seleção natural quanto as escolhas humanas contribuíram para modificar tamanho, aparência e outras características desses animais.
Os cães estão entre os primeiros animais domesticados pelos humanos. Os exemplares mais antigos mencionados no material têm mais de 15 mil anos. Desde então, diferentes populações passaram por cruzamentos e processos de seleção que ajudaram a produzir a diversidade encontrada atualmente.
Os novos métodos de análise genética permitem recuperar partes dessa trajetória. No caso do chihuahua, os resultados revelam um elemento pouco evidente em sua aparência. Uma parcela de sua ancestralidade está ligada aos coiotes selvagens da América do Norte.
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