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Friday, October 2, 2026

Milei volta a atacar Lula e apoiar Flávio às vésperas das eleições no Brasil

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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e demonstrar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais do próximo domingo (4). As declarações foram feitas à revista Le Point, da França, para onde o ultraliberal viajou nesta quarta (30) em busca de investimentos.

Questionado sobre a relação com o Brasil, o principal parceiro comercial da Argentina, Milei afirmou que isso "é uma questão entre entes privados". "Se alguém quiser comercializar com o Brasil, seja bem-vindo. Isso não me impede de dizer o que penso sobre Lula", respondeu.

Em seguida, repetiu os ataques que, em agosto, levaram à maior crise entre os dois países em décadas: "Lula é um ladrão; saiu da prisão devido a um vício administrativo. Durante a minha campanha, ele enviou a Buenos Aires uma equipe de 30 psicólogos e comunicadores brasileiros para montar uma campanha negativa contra mim", disse.

A fala faz referência ao grupo de publicitários ligados ao PT que reforçou a equipe de campanha de Sergio Massa, adversário de Milei nas eleições de 2023. Na ocasião, o ultraliberal chegou a acusar Lula, sem apresentar provas, de financiar a campanha do peronista, embora houvesse estrategistas de várias outras partes do mundo atuando.

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Milei mencionou ainda o veto do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ("aquele juiz corrupto amigo de Lula", segundo o argentino) a uma visita a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. "Em contrapartida, quando Lula veio à Argentina, ninguém o impediu de visitar a presidiária e ladra Cristina Fernández de Kirchner, já condenada", disse.

Por fim, voltou a associar a rejeição que a Argentina enfrentou na Copa do Mundo deste ano a uma suposta campanha de um estudante que seria ligado ao PT, acusação que vem repetindo sem apresentar provas. "Tenho a esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro para realizar o saneamento liberal de que o país precisa", afirmou.

O conflito começou no final de julho, quando Milei atacou autoridades brasileiras durante o lançamento da candidatura de Flávio, em São Paulo. Em um discurso inflamado, o presidente argentino se referiu a Lula como ladrão e presidiário e chamou Moraes de "lixo careca".

Após os comentários, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimento. A crise continuou nos dias seguintes, com o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamando Milei de "palhaço", e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificando o argentino como "caricatura patética" e puxa-saco de Donald Trump.

O ponto mais grave até agora foi o rebaixamento inédita das relações com o país vizinho por parte do Brasil, no início de agosto. Na ocasião, o governo brasileiro dispensou o embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e manteve Bitelli no Brasil —situação que se mantém até hoje.

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