9h. Habitação. Líderes dos movimentos são do PCP ou BE
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Começa agora o Jornal das 9, com edição do jornalista Miguel Gato. Miguel, ontem no Porto, os manifestantes pela habitação não passaram a noite na Praça Dom João I. Estão marcadas para hoje várias manifestações contra a subida do preço das casas e o aumento do custo de vida.
A CGTP antecipa uma grande mobilização nacional. A Central Sindical convocou manifestações para Lisboa, Porto e Coimbra. Na capital, o protesto está marcado para às 14h30, com início no Cais do Sodré e fim no Rossio. No Porto, a manifestação acontece entre a Praça da Batalha e a Praça Dom João I de manhã, assim como na cidade de Coimbra, os protestos também começam daqui a cerca de 1h30. Na Invicta, várias centenas de pessoas reuniram-se ontem à noite em assembleia popular, uma vez mais. A Laura Figueiredo, jornalista da Rádio Observador, testemunhou também a desmobilização que aconteceu dos manifestantes, que aconteceu a seguir. Os manifestantes não pernoitaram na Praça Dom João I.
Dia mais calmo e com menos afluência, era também já a expectativa da organização do movimento para esta sexta-feira. Isto porque para sábado está já agendada uma nova ação. A organização planeia voltar à Praça Dom João I em força e novamente com as tendas. É uma decisão que vai ainda a votação na assembleia popular, mas é mesmo a intenção manifestada já pelos porta-vozes deste movimento. Para o dia de hoje, a associação definiu como prioridade o trabalho de organização e preparação logística para amanhã, dia em que o Movimento pela Habitação vai também juntar-se à manifestação convocada pela CGTP, uma manifestação que tem início marcado para às 10h e que deverá depois terminar aqui na Praça Dom João I. Por isso mesmo, os ânimos hoje estão mais calmos nesta praça que tem sido palco destes protestos pela habitação. O movimento diz que os manifestantes hoje estão a guardar-se para amanhã e, portanto, para hoje foi só marcada uma vigília. E de facto, a partir das 19h começaram a aparecer algumas pessoas, mas diria que hoje não passaram de poucas centenas, deixando até a praça algo vazia, sobretudo comparativamente à quinta-feira. Para sábado, espera-se um dia com maior afluência. A manifestação da CGTP tem início marcado para às 10h30. Às 19h, há novamente uma assembleia popular aqui na Praça Dom João I para decidir os próximos passos deste movimento.
O relato da jornalista da Rádio Observador, Laura Figueiredo, que esteve a acompanhar ontem a vigília pela habitação no Porto, também a assembleia popular, vai continuar também hoje a acompanhar os protestos no Porto. A intenção dos manifestantes, revelada por muitos dos grupos que fazem parte da organização, é de realizar acampadas semelhantes às que já aconteceram na cidade Invicta. Caso este cenário se venha a concretizar, Carlos Moedas, o autarca de Lisboa, já veio pedir respeito pela lei, mas disse também que os manifestantes têm o direito a utilizar tendas no protesto.
E o primeiro-ministro diz-se preocupado com o vídeo que surgiu nas redes sociais de um manifestante a ameaçar a casa de Luís Montenegro e da família durante a manifestação pela habitação no Porto.
Um vídeo em que o manifestante ameaçava descobrir a morada do primeiro-ministro, atirar um tijolo à casa do chefe do governo. Disse também que a solução para o problema da habitação não podia ser pacífica e que defendia os protestos mais violentos que estão a acontecer por toda a Europa. Luís Montenegro entende que este é um apelo direto à violência.
É, de facto, preocupante. Tive ocasião já de ver uma primeira vez, e vou agora analisar com mais detalhe, o filme de uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações, onde, entre outras coisas, se faz um apelo direto à violência, se faz um apelo direto à importação de conflitualidade que hoje nós temos assistido, tem ocorrido noutros países, e onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família.
Em resposta a estas declarações do primeiro-ministro, ontem, à margem do Conselho Europeu, surgiu a reação do Movimento pela Habitação. Em declarações à Rádio Observador, João Silveira, um dos porta-vozes do grupo, garante que estas palavras tratavam-se apenas de palavras de ordem meramente figurativas.
Estavam cá mais de mil pessoas ontem. É verdade que houve pessoal que aplaudiu, mas sobretudo o sentimento e não as ações. Há uns anos também houve várias palavras de ordem aqui no Porto sobre ocupar-se a casa do Rui Moreira. Isso, obviamente, nunca passou à prática. É uma palavra de ordem, é meramente figurativo. Nunca seria para ser levado à prática. E mesmo que fosse, chumbaria por unanimidade. Portanto, não é uma ameaça real, é o senhor primeiro-ministro a querer, de facto, armar um espantalho à nossa volta, a querer que nós percamos a nossa integridade, quando a nossa integridade está perfeitamente intacta, para além de que mais, se fosse preciso invadir uma casa do senhor primeiro-ministro, seria preciso escolher qual das 54.
É o que diz João Silveira, um dos porta-vozes do Movimento pelo Direito à Habitação. Também o advogado Tiago Machado, que representa o grupo, explica que qualquer pessoa pode usar do direito da palavra na manifestação, assegura que este manifestante nada tinha a ver com a organização do grupo e assegura que o movimento não subscreve de forma alguma este tipo de comportamentos.
Nós estamos numa manifestação que é pública. O ingresso, digamos assim, à manifestação é livre. Quem começa a falar, nós não sabemos previamente o que vai dizer, até porque não seria correto perguntar o que vais dizer, o que vais falar. É evidente que quando se diz uma coisa dessas, nós não vamos subscrever. Estando eu ontem a apelar à ordem pública, quer na comunicação social falada, escrita ou qualquer que ela seja A colocar em ponto de destaque a ordem pública, não vamos naturalmente subscrever isso. Nós somos completamente alheios e não estamos em nenhum momento de acordo com esse tipo de declarações.
Foi o que disse Tiago Machado, advogado do Movimento pela Habitação, ontem à Rádio Observador. Os protestos continuam hoje. É esperada uma forte mobilização, sobretudo em Lisboa e também no Porto.
Miguel, o Observador foi tentar perceber quem são os principais líderes dos movimentos de luta pela habitação.
O Observador foi olhar pra liderança dos principais movimentos pelo direito à habitação e entre muitas plataformas inorgânicas, estruturas horizontais e organizações, é possível verificar que os protagonistas são militantes, dirigentes ou antigos candidatos de Bloco de Esquerda e PCP. Apesar de a esmagadora maioria dos movimentos não divulgar nos respectivos sites na internet a composição dos órgãos sociais ou a composição da coordenação, os dois partidos não escondem também a ligação aos movimentos. Os organizadores garantem, no entanto, ao Observador, que não recebem financiamento partidário e que apenas ocasionalmente pedem apoio a autarquias locais.
Este é um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador, assinado pelo editor de política Rui Pedro Antunes. É também o tema da história do dia que irá pro ar depois do jornal das 10. E em França também estão previstas para hoje ações de protestos em todo o país contra o aumento do custo de vida, mas também em defesa da educação.
As autoridades estimam que entre 60 mil pessoas e 100 mil possam participar nas manifestações. Isto só fora da capital Paris. Perante a dimensão prevista das manifestações, o ministro francês do Interior propôs ao primeiro-ministro francês a convocação de uma célula interministerial de crise. Em Paris, foram impostas restrições a manifestações não comunicadas às autoridades em zonas como os Campos Elísios e as imediações do Palácio Eliseu. Na véspera dos protestos, o presidente francês Emmanuel Macron já veio apelar à calma. Ontem defendeu que o direito à manifestação deve ser exercido com respeito e sem violência.
E na atualidade internacional, Marrocos estava consciente de que havia planos para uma entrada em massa de imigrantes em Ceuta no final de julho. É o que diz o mais recente relatório dos serviços secretos espanhóis, divulgado ontem e que já foi enviado à juíza que está a investigar o caso.
No documento, os serviços de informação espanhóis dizem que emitiram avisos para grupos nas redes sociais que planeavam a entrada no enclave espanhol, avisos que foram desvalorizados pelas autoridades marroquinas. Espanha acusa Marrocos de ter tido uma atitude de passividade que permitiu uma avalanche de entrada a partir da manhã do dia de 30 de julho. Entraram no enclave espanhol de Ceuta mais de 70 mil imigrantes marroquinos. Os serviços secretos espanhóis justificam a mobilização reduzida de autoridades com a prioridade dada pelas autoridades de Marrocos à segurança das celebrações oficiais de um feriado onde se encontrava o rei marroquino.
E falamos ainda de uma decisão desta madrugada. O presidente dos Estados Unidos deu um passo atrás na pressão econômica sobre a Rússia e suspendeu novas sanções contra Moscovo.
Através de uma ordem executiva, Donald Trump adiou a aplicação das sanções previstas na lei aprovada pelo Congresso norte-americano recentemente, que previa tarifas até 100% sobre produtos importados da Rússia, mas o presidente norte-americano voltou atrás. Na rede social Truth, Trump diz que está a zelar pelos interesses dos Estados Unidos. A decisão surge uma semana depois de a Casa Branca ter anunciado um acordo com Vladimir Putin pra compra de gás russo, numa tentativa de fazer baixar os preços de energia nos Estados Unidos.
E assim fechamos o jornal das 9, edição do jornalista Miguel Gato. Miguel, até às 9h30.
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