Papa Leão XIV: entenda o tipo de câncer diagnosticado e os tratamentos disponíveis

O Papa Leão XIV, de 71 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão nesta terça-feira (13), após cirurgia para remoção do lobo inferior do pulmão direito. Em comunicado da Santa Sé, a equipe médica confirmou tratar-se de um adenocarcinoma pulmonar, já suspeitado pelos exames pré-operatórios. Mas o que isso significa na prática?
O oncologista Dr. William Nassib William Jr., líder nacional de tumores torácicos da Oncoclínicas, ajuda a traduzir. Segundo ele, o primeiro passo é não tirar conclusões precipitadas. “O diagnóstico de câncer de pulmão não determina, por si só, qual será o desfecho do paciente. É fundamental entender em que estágio a doença se encontra, se está restrita ao pulmão ou se atingiu os linfonodos e outras estruturas”, explicou.
O que é o adenocarcinoma pulmonar?
Em termos simples, o adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer de pulmão. Ele nasce nas células que revestem os alvéolos e produzem muco, e faz parte do grupo dos carcinomas de não pequenas células, que correspondem à maioria dos casos da doença. É também o subtipo que mais aparece em pessoas que nunca colocaram um cigarro na boca, o que contraria a ideia de que câncer de pulmão é exclusividade de fumantes.
“O tabagismo é o principal fator de risco, mas existem outros fatores ambientais e ocupacionais, além de alterações moleculares, que podem estar presentes em diferentes perfis de pacientes. Por isso, cada caso precisa ser investigado individualmente”, afirmou o oncologista.
Por que é tão difícil perceber os sintomas?
Segundo o especialista, o problema é que, nas fases iniciais, o adenocarcinoma costuma ser silencioso. A pessoa pode conviver com o tumor sem sentir absolutamente nada. Quando os sintomas aparecem, vêm disfarçados de ocorrências comuns: tosse que não passa, falta de ar, dor no peito, cansaço. Sinais que muita gente atribui ao estresse ou a uma gripe mal curada.
Em alguns casos, o tumor só é encontrado por acaso, em um exame de imagem pedido por outro motivo.
O que acontece após a cirurgia?
No caso do Papa, a equipe médica removeu o lobo pulmonar por técnica videoassistida, procedimento considerado menos invasivo. Mas a operação é só uma parte da história. O material retirado agora passa por análise detalhada para entender a real extensão do tumor.
E é justamente esse resultado que vai ditar os próximos capítulos. “Mesmo quando o tumor é retirado, precisamos avaliar o risco de a doença voltar. Dependendo do estágio e das características encontradas, pode haver indicação de quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Em outros casos, a cirurgia pode ser suficiente, seguida de acompanhamento periódico. Não existe uma única conduta aplicável a todos os pacientes”, explicou Dr. William.
Um desafio de saúde pública
Em números, o cenário do câncer de pulmão no Brasil ainda é preocupante. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), serão 35.380 novos casos por ano no triênio 2026-2028, divididos entre 18.730 homens e 16.650 mulheres.
“Os avanços têm ampliado as possibilidades de tratamento e controle da doença. Além de investir em prevenção, especialmente no combate ao tabagismo, é fundamental valorizar a investigação de sinais suspeitos e o acompanhamento especializado”, concluiu o Dr. William Nassib William Jr.
O Vaticano ainda não divulgou o estágio do tumor do Papa e nem informou se haverá tratamento complementar à cirurgia. Novas atualizações são esperadas nos próximos dias.
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