Quem foram Emídio Navarro e Maximiano Aragão?

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Olá e seja muito bem-vindo à História das Histórias. Eu sou o João Paulo Sacadura, já sabe. Em Viseu está Jorge Adolfo Marques que, tal como tínhamos prometido ontem, hoje vai homenagear dois vultos, duas personalidades ligadas também a Viseu, Emídio Navarro e Maximiano Aragão. Vamos a isso. Olá, Jorge. Bem-vindo. Lá vamos nós com as homenagens, sempre merecidas.
É verdade. Homenagem singela, porque estaríamos aqui muito tempo a falar sobre as personalidades, umas que já falamos, outras que iremos falar, mas também para se perceber que a história não é só os monumentos, não é só a história política, social e econômica, mas também são as figuras que fizeram e que tiveram protagonismo em determinado momento histórico. Muitas delas são desconhecidas. As pessoas sabem que a sua rua se chama Emídio Navarro, mas não imaginam quem foi o Emídio Navarro. Às vezes isso passa ao lado. As pessoas não olham, não param um pouquinho para pensar. E até te vou dizer o seguinte: no Luso, quem vai para a Mealhada, ali na Serra do Bussaco, onde há aquela água que todos conhecemos, há um busto do Emídio Navarro e eu muitas vezes falo a pessoas de Viseu, porque ele era aqui de Viseu, nasceu em Viseu. Mas falo a pessoas: "Sabias que está lá um busto de Emídio Navarro no Luso? Já viste aquele busto lá na praça central daquela povoação?" Não conhecem, nunca viram, nunca olharam. Vão mais preocupados em beber uma aguinha, que faz muito bem. Importa, para pegarmos aqui no nosso assunto, que o Emídio Júlio Navarro foi um grande advogado e conselheiro de Estado, mas desempenhou outras tarefas, teve outras atividades. Foi jornalista, foi escritor, foi embaixador de Portugal em Paris, foi Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Ele nasceu em Viseu, na chamada Rua do Arco, uma rua que está aqui no centro histórico de Viseu, em 1844. Nasce ali mesmo nos meados do século 19. Era filho de Carlota Joaquina do Carmo Machado, que era de Guimarães, e de André Navarro, que era de Alicante. Ele foi batizado depois na Sé de Viseu, precisamente nesse ano. Também estudou aqui as primeiras letras, fez aqui os primeiros estudos, aprendeu a ler e a escrever, digamos assim, a fazer contas, numa escola que era a escola do professor Sebastião Pinto de Magalhães Leal, no Soar de Cima, portanto aqui bem junto à Sé de Viseu. Ele depois frequentou o seminário até ao segundo ano do curso teológico, mas percebeu que não tinha vocação para seguir a vida eclesiástica. E foi para Coimbra, onde se inscreveu em Medicina. Temos que ter em conta que não é como hoje. Ele acabou por se formar em Direito, quer dizer, uma coisa completamente diferente. Acabou por se formar em Direito em 1869 e com uma nota extraordinária. Ele foi um aluno excelente. Após ter concluído a sua licenciatura, foi para Bragança. Abriu lá um escritório, foi lá advogado, exerceu lá a advocacia e depois começa-se aqui a cruzar, deve ter sido desde a juventude, aliás, desde a sua passagem por Coimbra, que ele começa a sua ligação à política e nomeadamente ao Partido Progressista, que era um dos partidos que volta meia volta governava o país num rotativismo. Foi deputado por Avis, por Arouca, portanto por zonas muito distantes, Alentejo e aqui o Norte, e por Coimbra. E mais tarde acabou por chegar a ministro e conselheiro de Estado e exerceu o cargo de Ministro das Obras Públicas e do Comércio e da Indústria entre 1886 e 1889. Foi um período curto, mas implementou várias reformas importantes. Foi por sua iniciativa, e daí a sua ligação ao Luso, a construção do Palácio do Bussaco, que vem a dar o hotel.
Exatamente.
Por um despacho de 1888. Também a ele se deve a implementação-
Maravilhoso, neomanuelino, lindo de morrer. Tinha até um pavilhão de caça, o rei Dom Carlos usava-o também, não era?
Aquele palácio, que hoje é um belíssimo hotel.
Neomanuelino, lindo.
Neomanuelino.
Sede dos Museus Jorge Colaço. É uma obra de arte.
É uma das obras-primas do nosso revivalismo arquitetônico, estético.
Lindo. Não sabia que era da iniciativa.
E inserido numa mata maravilhosa.
Exatamente.
Ele vai ter também um papel importante na política ferroviária e na criação do Porto de Lisboa Ele tem um papel importante em algumas obras importantes, próprias daquilo que se designa de fontismo ou pós-fontismo. Quer dizer, uma política de obras públicas, de infraestruturas de grande dimensão.
Hoje, à modernização do país, precisamos bem do Emídio Navarro para voltar a investir na ferrovia, que tem sido tão esquecida.
Em Viseu, há uma avenida que se rasgou precisamente nesse período, à qual foi dado o nome de Avenida Emídio Navarro, porque ele nasceu precisamente numa rua que acabou por ser cortada por essa avenida e que liga, ou ligava, a antiga estação ferroviária de Viseu ao Largo de São Bento, onde se encontrava o Convento de São Bento e o Teatro Viriato. As pessoas conhecem talvez mais essa referência, e onde está a estátua do Soldado Desconhecido, a Escola Emídio Navarro, também. Portanto, Avenida Emídio Navarro, Escola Emídio Navarro, uma escola essencialmente técnica, na sua origem, hoje já não tanto. Essa rua vai ter o seu nome atribuído pelo município de Viseu em homenagem a este grande visense. O governo francês atribuiu-lhe a Legião de Honra. Ele faleceu em 1905, no Luso, terra de que seguramente gostava muito. A segunda personalidade que eu gostaria de evocar aqui é Maximiano de Aragão. Maximiano de Aragão, historiador. Ele nasceu em 1853, em Fagilde, que é no concelho de Mangualde, e veio a falecer em Viseu em 1929. Estudou em Fornos de Maceiraão, onde existe um belíssimo mosteiro beneditino, hoje de propriedade particular, mas extraordinário, em Mangualde. Em 1865 realizou o exame de admissão ao Liceu, que concluiu em 70. Frequentou o seminário, mas também não era aquele o seu território. Foi para Coimbra, onde estudou na Faculdade de Teologia e na de Direito, e ali concluiu o bacharelado em Teologia e a licenciatura em Direito. Depois advogou em Viseu, foi administrador dos concelhos de São João da Pesqueira e de Tomé dela, e acabou também sendo procurador da Junta Geral do Distrito de Viseu e Provedor da Misericórdia de Viseu, uma figura ilustre aqui na cidade. Ele é também professor de História e Geografia no Liceu de Viseu. É um homem muito ligado à imprensa local, foi diretor do distrito de Viseu, do jornal "A Liberdade". Colaborou com o "Álbum Visense", o "Comércio de Viseu", com uma série de jornais da época, daqueles finais do século XIX. Mas vai-se distinguir por uma outra coisa que o vai diferenciar: é que ele escreve e publica uma obra intitulada "Viseu: Apontamentos Históricos", e outra, "Viseu: Subsídios para a sua História desde os fins do século XV", "Viseu: Letras e Letrados Visenses", quer dizer, uma série de obras de história local, sobre a cidade e sobre personalidades, a sua história, a sua economia, e que são obras que se mantiveram durante décadas como obras de referência e que vão ser referência para historiadores que lhe sucederam, como o doutor Russene Val ou o doutor Alexandre Alves, que na sua linha de investigação sistemática sobre os documentos, sobre as fontes, vão ser historiadores locais com grande prestígio, como foi Maximiano de Aragão.
Muito bem, Maximiano de Aragão e Emídio Navarro foram os dois homenageados de hoje. E eu, como sempre, do meu lado, homenageio também o Jorge Adolfo Marques, porque nos trazes estas pessoas que vale a pena conhecer. E quando não conhecemos, ou quando já conhecemos, temos uma vaga ideia, tu sempre aprofundas e mostras que são pessoas de facto a reter na memória, porque tiveram grandes feitos durante a sua vida e que nos impactaram a todos, ao país todo. Muito bem. Agradeço então estas duas homenagens e marcamos encontro amanhã. Até amanhã, Jorge.
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