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Tuesday, November 3, 2026

Benfica x Alverca. “O Benfica parece que dormiu uma sesta”

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Décima jornada do Campeonato. O Benfica, pressionado pela vitória do FC Porto no sábado em casa frente ao Estoril, que aumentou a vantagem na liderança do campeonato para oito pontos. Precisava de vencer o Alverca, fê-lo pela margem mínima, teve de sofrer, mas conseguiu voltar a ficar a apenas cinco pontos da liderança e aumentou também a distância face ao Sporting, no terceiro lugar, para quatro pontos, que estavam à condição ameaçados e reduzidos a apenas um ponto, porque o Sporting venceu o compromisso desta décima jornada por 2 x 0 em casa do Casa Pia. Ainda assim, Rui Borges não sobreviveu, mas isso são contas de outro rosário. Luís Francisco, uma vitória muito complicada para o Benfica hoje. Primeiros três minutos de jogo, até com alguma surpresa, o Alverca a tentar comandar o jogo, a tentar chegar mais perto da baliza. Depois o Benfica retomou o controle, mas controle nunca foi sinônimo de domínio nem de ameaça.

Não. Se fosse um combate de boxe, o Benfica estaria obviamente a ganhar ao intervalo, mas aos pontos, não por KO, longe disso.

Foi uma espécie de vitória por technical KO.

Foi. A verdade é que o Benfica acaba por ser feliz também na forma como surpreende o Alverca no início da segunda parte. Ao fim do primeiro tempo, é evidente que o Benfica tinha tido muito mais bola, que tinha procurado muito mais a baliza adversária, mas sempre sem aquela sensação de que o Alverca estivesse desconfortável. A equipa do Alverca entrou em campo sabendo que ia ter que sofrer uma pressão intensa, organizou-se para suportar essa pressão e para tentar levar o jogo pro meio-campo adversário. A verdade é que conseguiu quase tudo, menos que aquele gol fosse validado.

Ainda na primeira parte, uma belíssima jogada. Para enquadrarmos os nossos ouvintes, um livre do lado direito da equipa do Alverca. A bola passa do lado direito da barreira, cai à frente de Figueiredo e depois de bater uma vez no chão, Figueiredo consegue rematá-la num gesto bastante difícil ao poste. Ali também com defesa de Samuel Soares, depois a bola sobe para cima da linha. O gol foi marcado, celebrado, mas por cinco centímetros acabou por ser anulado ao Alverca.

Não valia. Teria sido, eventualmente, nós nunca poderemos dizer isso, nem um gol mal anulado ou um pênalti não assinalado aos 90 mais cinco, nós podemos dizer que era decisivo, porque tudo o que se passasse a seguir era em função desse lance. Se calhar, um gol do Alverca mais cedo teria acordado a equipa do Benfica para outro tipo de coisas, porque na verdade, esta equipa estava muito prontinha para dormir uma sesta. E já lá iremos. Penso que esse é um lado preocupante desta noite pro Benfica, porque assim que marcou, viu-se que os jogadores do Benfica respiraram fundo e este respirar fundo, em vez de lhes dar mais confiança, mais tranquilidade para fazerem um jogo melhor, mais espetacular e mais assertivo, deu-lhes para fazer um jogo pior, mais mole, sem grande intensidade, com muitos erros à mistura, como até salientou o próprio Marco Silva. Portanto, foi um Alverca que levou quase a sua missão até o fim e que depois, na segunda parte, soube levar também perigo pra área contrária. Portanto, acho que do lado do Alverca, a missão está cumprida, embora sem levar qualquer ponto. Do lado do Benfica, a missão está cumprida apenas porque levou os três pontos.

E ao longo da primeira parte fomos vendo as várias dificuldades que o Benfica tinha no jogo associativo. Sheldrum foi o jogador que acabou por ser removido por Marco Silva ao intervalo. Teve também o pior rating da primeira parte, apesar de ter tido mais gols esperados. Mas o que é fato é que do lado esquerdo, dono e senhor parece mesmo ser Prestiani, porque na segunda parte mal ocupou aquele lugar do terreno, desbloqueou um grande passe pra Chever e que substituiu Sheldrum e que acabou por ganhar o pênalti que deu o gol ao Benfica, apontado por Pavlídis, que também está no quarto jogo consecutivo a marcar ao serviço dos encarnados. Mas aqui, foi também, talvez, esta mudança de Marco Silva que deu a reviravolta ao jogo, ou que deu esta volta no jogo, mas rapidamente parece que o Alverca se adaptou ao que o Benfica alterou pra segunda parte e que conseguiu mais uma vez bloquear esses caminhos.

Pois, entretanto, já havia um gol e portanto, o Alverca já ia atrás do prejuízo. Mas sim, acho que o Benfica, ao intervalo, claramente estava a dar sinais de que precisava de um nove e meio, de um 10 ou de um nove e meio. Eu diria até mais um nove e meio do que um 10. E portanto, não gostava a ser Prestiani, porque Prestiani por tendência foge pra faixa, ia juntar-se a Sheldrum e muitas vezes esses dois conseguem magias juntos e é curioso que o Benfica tenha feito uma das exibições da época, senão talvez, enfim, houve uma derrota bastante feia na fase de qualificação da Liga Europa, mas de qualquer maneira, este terá sido, a nível interno, o pior jogo atacante do Benfica.

Até porque essa derrota feita ao St. Gallen foi num período ainda bastante embrionário da época do Benfica, em que Marco Silva não contava com muitos jogadores.

Na altura, não era este o Benfica, claramente. Este Benfica só apareceu quase em setembro. Mesmo em agosto, ainda havia ali grandes dificuldades. Ora, é curioso que num jogo em que assumidamente o treinador colocou os talentos à solta, e este Benfica joga coletivamente para construir uma boa plataforma de onde os talentos levantam voo, a verdade é que nenhum deles esteve em grande. E, portanto, mesmo Prestiani não foi brilhante, conseguia um drible, mas sem sequência. Teve vários momentos em que parecia ir entusiasmar-se para uma daquelas jogadas fantásticas, mas depois, por algum motivo, não deu. Lukebakio conseguiu um ou dois detalhes importantes, mas também não deu. Enfim, acho que os talentos do Benfica estiveram muito apagados. Isso, a meu ver, e vai levar-nos depois ao melhor e ao pior do jogo, carece de confirmação, mas é um sinal perturbador de um Benfica que tem muito mais jogos do que FC Porto e Sporting, exatamente por via dessa campanha europeia iniciada mais cedo. A culpa foi do Torriese, que conquistou uma taça de Portugal.

E de resto, tem sido muito interessante acompanhar o percurso do Torriese com essa vitória inicial e depois com aquele quase pelo menos um ponto frente ao Sunderland, e todos vivramos muito aqui com isso.

E a marcar em todos os jogos.

E a marcar em todos os jogos.

Não ganha os jogos, mas marca um golinho em cada jogo de Liga Europa, o que é notável. Eu acho que este Benfica Basicamente, hoje, a única coisa que leva à única boa notícia será que somou três pontos e que o jogo já passou, porque vem aí muito mais jogos, vem aí muito mais temporada. E para quem está habituado a ver aquele espetáculo de muitos remates, muita pressão, muita vertigem atacante, desta vez o jogo foi uma desilusão.

Uhum! E o Benfica acaba precisamente por ter essa espécie de viragem do seu próprio registro, o melhor ataque do campeonato, com muitos gols marcados, talvez sempre a descurar um pouco mais o processo defensivo. Nós falamos disso no início da emissão. O que é fato é que hoje, na opinião do João Pinto, o nosso adepto encarnado, também concordou muitas vezes contigo, Luiz Francisco, os melhores em campo foram os centrais do Benfica, quer Lenglet, quer Tomás Araújo, mais concretamente Tomás Araújo, pela capacidade que teve de arriscar nos passes longos, na forma como tentou que o jogo do Benfica basculasse, de alguma forma, para tentar desposicionar a equipe do Alverca, que estava muito bem montada em campo.

Eu diria que Lenglet brilhou nas tarefas defensivas e Tomás Araújo brilhou mais nas tarefas de construção. O meio-campo do Benfica hoje não apareceu. Palhinha fez o seu trabalho defensivo bem, mas depois também não apareceu lá na frente. E, portanto, coube a Tomás Araújo ser um elemento de risco, de tentar passes mais longos, de tentar variações, de procurar soluções para começar a construir jogadas atacantes. Até porque, repara, a posição dos centrais do Benfica, durante quase todo o jogo, foi em cima da linha de meio-campo ou até para lá dela. Portanto, qualquer jogador naquela posição é um médio-ofensivo, porque com um bom passe pode desbloquear. Acho que o Benfica não sofre gols, mas nem por isso, em termos globais, defendeu muito bem, porque permitiu muita coisa à equipe do Alverca, também muito por conta de erros na construção. E, portanto, não é um jogo em que o Benfica possa levar grande coisa de positivo para o balneário no final da partida, nem mesmo o zero na sua baliza, porque, na verdade, também não defendeu assim tão bem como isso.

Uhum! Vamos terminar com o melhor daqui a um bocado. Vamos começar nesta ronda final pelo nosso relatório de jogo, por que foi o pior esta noite em Alvalade, na tua opinião? Foi o comportamento ofensivo do Benfica?

Não foi em Alvalade, foi na Luz.

Na Luz, é verdade. Em Alvalade estamos nós agora no estúdio.

Ora bem, eu acho que para o Benfica, o pior sentimento será o de que se confirma a ideia de que esta equipe não consegue controlar jogos em que as coisas não estejam a correr muito bem lá na frente. Há quem tenha chamado a atenção e com muita razão, por exemplo, a derrota no Dragão, uma equipe que está reduzida a 10 e chega ao empate, deveria ter tido a capacidade de, pelo menos durante alguns minutos, não deixar o jogo mexer. E, no entanto, sofre de imediato um gol do Futebol Clube do Porto e a partir daí, com um a menos, era mais difícil. E esta equipe hoje, também se percebe que aí a meio da segunda parte, quando já deu para perceber que a equipe não está inspirada, que as coisas não estão a sair bem lá na frente, poderia ter tentado que o jogo passasse, mas não, o Benfica sujeita-se ao que o adversário queira fazer, porque é uma equipe que não sabe controlar o jogo com a bola no pé. É, de fato, algo que pode ser muito complicado de gerir quando encontra equipes mais fortes pela frente. O Alverca, ainda assim, conseguiu criar muitos perigos. Portanto, acho que o pior para o Benfica nem é ter estado desinspirado na frente. É confirmar-se que está apenas virada para o talento, para a procura do gol e que tem grandes dificuldades em ser cínica quando é preciso. Por outro lado, e igualmente pior para o Benfica, é o fato de que a equipe está a mostrar sinais de desgaste. Foi uma noite desinspirada ou são os primeiros sinais de que há aqui uma quebra de rendimento? Se for a primeira, tudo bem, já passou. Se for a segunda hipótese, olhamos para este mês, só agora em novembro, o Benfica tem mais cinco jogos, mesmo com pausa das seleções pelo meio, e, portanto, esta fase da temporada é muito exigente e se os primeiros sinais de desgaste estão a aparecer no início de novembro, é um sinal bastante preocupante para o Benfica.

E para fecharmos este relatório, o que foi esta noite melhor na Luz, nesta vitória do Benfica frente ao Alverca por um gol a zero?

Para o Benfica, os três pontos, claramente. Vamos dividir assim. Para o Benfica, somar três pontos e conseguir passar por aqui sem perdas de maior será a melhor notícia. Mas eu acho que o melhor, o que vimos foi uma equipe do Alverca muito bem organizada, com muita capacidade para se dispor defensivamente de maneira a anular o adversário, mas não uma equipe parada lá atrás que não conseguisse vir à frente. Gostei muito de ver a forma como o Alverca tentou e conseguiu, em algumas fases, ser uma equipe todo o terreno. Por outro lado, para o Alverca, e só completando o raciocínio, se calhar o melhor mesmo, apesar da derrota, é que terminou este ciclo. Em 10 jornadas de liga, o Alverca teve que visitar os três grandes do futebol português, teve ainda que receber o Sporting Braga.

E já jogou com o Santa Clara, que este ano também está em lugar cimeiro, partilha quase o pódio com o Sporting, com os mesmos pontos.

Antes do primeiro terço da liga, o Alverca já fez os três jogos teoricamente mais difíceis que tinha para fazer. Portanto, a partir daqui, é cavalgar esta ideia de jogo.

Está claramente a olhar para a primeira metade da tabela esta época.

Eu acho que sim. Muito bons sinais e um jovem treinador que tem as ideias no lugar.

Luiz Francisco, foi um gosto, muito obrigado. Foi um gosto voltar a receber-te aqui na Rádio Observador. Comentários e relatórios de jogo desta vitória do Benfica frente ao Alverca pela margem mínima, por um bola a zero, com alguma preocupação para Marco Silva, mas com missão cumprida por parte dos encarnados. Bons sinais também deixados pelo Alverca, pelos ribatejanos, no Estádio da Luz. Um grande abraço, Luiz.

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