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Thursday, September 24, 2026

RS volta a ficar sob alerta climático; veja as propostas de Zucco, Brizola e Souza

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Diversas áreas do Rio Grande do Sul entraram nesta quarta-feira, 23, em alerta para inundações e elevação de níveis dos rios, além de um aviso severo para o possível colapso da Barragem Arroio São Luiz, em São Marcos.

Desde o dia 18 de setembro até hoje, segundo a Defesa Civil, já foram registradas 173 ocorrências em 167 municípios, 605.900 pessoas afetadas, 786 desabrigadas e 4.559 desalojadas. Quatro mortes e cinco feridos já foram confirmados.

A pauta climática ganhou grande destaque na política gaúcha em 2024, quando o estado enfrentou enchentes causadas por fortes chuvas, que resultaram no transbordamento das bacias dos rios Caí, Gravataí, Jacuí, Pardo, Sinos e Taquari, além do Lago Guaíba e da Lagoa dos Patos. A água invadiu municípios e áreas no entorno, provocando uma crise sem precedentes.

Segundo a Defesa Civil, 478 cidades foram afetadas, representando mais de 90% dos municípios gaúchos. O desastre deixou 183 mortos, 27 desaparecidos e afetou mais de 2 milhões de pessoas. Milhares precisaram abandonar suas casas, estradas foram bloqueadas, e serviços essenciais, como o funcionamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, foram interrompidos.

Agora, com as eleições se aproximando, os planos de governo dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul colocam prevenção, gestão de riscos, segurança hídrica e adaptação climática entre as propostas para o próximo mandato.

Corrida eleitoral acirrada

A corrida eleitoral aparece dividida entre três candidaturas principais na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 23.

No cenário de primeiro turno, Luciano Zucco (PL) tem 41,6% das intenções de voto, Juliana Brizola (PDT), 36,1%, e Gabriel Souza (MDB), 13,5%. Marcelo Maranata (PSDB) aparece com 0,8% e Priscila Voigt (UP), com 0,1%. Brancos e nulos somam 1,6%, enquanto 6,3% não sabem em quem votar.

Nas projeções de segundo turno, Zucco vence Juliana Brizola por 49,7% a 39,3%, com 11% de brancos, nulos ou indecisos.

Quando o adversário testado é o vice-governador Gabriel Souza, o cenário aponta vitória de Zucco, com 42,8% contra 39,2%. Neste embate, brancos e nulos somam 18%.

Em um eventual embate sem a presença do candidato do PL, Juliana Brizola supera Gabriel Souza ao registrar 38,8% ante 34,5% do mandatário.

O que os candidatos propõem para lidar com eventos climáticos?

Os três planos analisados partem dos impactos das enchentes de 2024, mas apresentam diferentes propostas para prevenção, monitoramento, infraestrutura, segurança hídrica e resposta a emergências.

Zucco: prevenção, monitoramento e obras de redução de risco

O plano de governo de Luciano Zucco propõe uma mudança de foco da resposta emergencial para uma política permanente de prevenção.

O documento afirma que o Estado precisa “substituir uma cultura de resposta emergencial por uma política permanente de prevenção e gestão de riscos”.

As principais propostas incluem:

  • Fortalecimento da Defesa Civil: ampliação da estrutura técnica, das equipes, dos equipamentos e da capacidade permanente de resposta.
  • Rede de monitoramento: conclusão e integração de radares, estações hidrológicas e meteorológicas, sensores geotécnicos e outros sistemas de observação.
  • Previsão de impactos: transformar dados meteorológicos, hidrológicos e geológicos em previsões territorializadas para antecipar evacuações, bloqueios e mobilizações.
  • Alertas à população: integração de SMS, Cell Broadcast, sirenes, aplicativos, rádio, televisão e redes sociais para emitir avisos geograficamente precisos.
  • Planos de contingência: atualização periódica de planos estaduais, regionais e municipais, incluindo rotas de evacuação, áreas de abrigo e protocolos de emergência.
  • Mapeamento de riscos: atualização de mapas de inundação, enxurrada, deslizamento, estiagem e incêndio.
  • Obras de prevenção: definição de uma carteira estadual de obras prioritárias de proteção contra cheias, drenagem, contenção e estabilização.
  • Estruturas de proteção: inventário e manutenção permanente de diques, casas de bombas, canais, comportas, reservatórios e outras estruturas críticas.
  • Serviços essenciais: criação de planos de continuidade para água, energia, saúde, educação, telecomunicações e transportes durante eventos extremos.

Juliana Brizola: gestão preditiva e segurança hídrica

O plano de governo de Juliana Brizola também propõe uma mudança do modelo de resposta para uma política de prevenção.

A proposta é criar uma gestão preditiva de riscos climáticos, baseada em ciência, monitoramento permanente e integração entre instituições.

Entre as medidas previstas estão:

  • Sistema Integrado de Alerta Precoce: implantação do sistema para as bacias consideradas críticas, com monitoramento dos rios e eventos extremos.
  • Defesa Civil técnica: profissionalização do quadro com meteorologistas, geólogos, oceanógrafos, engenheiros e outros especialistas.
  • Planos municipais: apoio aos 497 municípios na elaboração e atualização de planos de contingência e evacuação, além da realização de simulados.
  • Pesquisa e ciência: criação de uma rede gaúcha de pesquisa sobre eventos extremos, articulada pela Fapergs e universidades.
  • Segurança hídrica: fortalecimento dos Comitês de Bacia e ampliação da rede telemétrica de monitoramento de secas e cheias.
  • Reservação de água: financiamento de cisternas, microaçudes e pequenas barragens, especialmente para a agricultura familiar.
  • Drenagem urbana: apoio a parques lineares, bacias de retenção, jardins de chuva, pisos permeáveis e outras soluções de infraestrutura verde.
  • Infraestrutura adaptada: reconstrução e novas obras com critérios de engenharia voltados à adaptação e à resiliência climática.

Gabriel Souza: governança climática e reforço da Defesa Civil

O plano de governo de Gabriel Souza afirma que eventos climáticos extremos passaram a fazer parte de um cenário permanente de risco para o Estado.

O documento defende integrar desenvolvimento econômico e resiliência e afirma que o objetivo é “proteger pessoas, preservar vidas, garantir a continuidade da capacidade produtiva” e dos serviços essenciais.

Entre as propostas estão:

  • Sistema Estadual Integrado de Dados Ambientais: criação de uma plataforma para integrar e compartilhar informações ambientais entre Estado, municípios e União.
  • Plano de Ação Climática Estadual: regulamentação do PLAC-RS e consolidação de instrumentos de planejamento de longo prazo.
  • Financiamento climático: criação de um instrumento permanente para apoiar projetos de adaptação, prevenção de riscos, infraestrutura resiliente e segurança hídrica.
  • Defesa Civil: consolidação de uma estrutura permanente, integrada e regionalizada, com reforço do monitoramento, previsão, alerta e comunicação de riscos.
  • Municípios: apoio técnico, capacitação e financiamento para fortalecer as Defesas Civis municipais.
  • Segurança hídrica: criação de um Plano Estadual de Segurança Hídrica, investimentos em reservatórios e sistemas de distribuição e monitoramento remoto de barragens integrado à Defesa Civil.
  • Infraestrutura resiliente: ampliação de obras de proteção contra cheias e de estruturas capazes de resistir e se recuperar de eventos extremos.

O que os três planos têm em comum?

Apesar das diferenças nas propostas, os três documentos colocam a prevenção de desastres, o monitoramento climático e a capacidade de resposta entre os principais eixos da política para o próximo governo.

Também há convergência na necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento dos rios e de aperfeiçoar os sistemas de alerta à população. A adaptação da infraestrutura e o fortalecimento da segurança hídrica aparecem, igualmente, nos três planos.

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