Além das porcelanas, a aposta que gera 45% da receita da Tania Bulhões
A Tania Bulhões nasceu da porcelana e da atuação de Tania como artista, mas hoje a perfumaria também tem uma grande parcela de relevância no negócio. A frente, que começou com os aromas para a casa e avançou sobre os perfumes pessoais, já representa 45% do faturamento da empresa. Virgilio Bulhões, CEO global, projeta que essa participação se aproxime da metade do negócio no fim do ano.
Fundada em 1989, a marca tem hoje 52 lojas no Brasil, comércio eletrônico, showroom em Nova York e mais de 57 lojas parceiras com espaços dedicados à perfumaria e aos presentes.
Do aromatizador ao perfume pessoal
A entrada na perfumaria pessoal começou com uma observação sobre o consumidor. Segundo Virgilio, clientes usavam no corpo os aromatizadores criados para a casa, sobretudo fragrâncias como Chá Branco e Lavanda. Como essas fórmulas tinham outra finalidade, a marca passou a desenvolver produtos próprios para esse uso.
O movimento ficou mais estratégico com a chegada do executivo à empresa, há cerca de dez anos. Vieram investimentos, canais dedicados e lojas voltadas à categoria. Hoje há unidades de perfumaria no BarraShopping, no Rio de Janeiro, e no DiamondMall, em Belo Horizonte, e a companhia pretende abrir outras.
Para o executivo, a perfumaria pessoal de luxo cresceu quase 40% neste ano.

Virgilio Bulhões, CEO global da Tania Bulhões (Divulgação/Divulgação)
A fabricação vai para dentro de casa
O avanço ajuda a explicar a decisão de trazer a produção para dentro da empresa. A marca já conduzia a criação dos produtos e das fragrâncias, mas dependia de parceiros para fabricar e envasar. Agora essa operação está sendo transferida para o Bosque Tania Bulhões, complexo de R$ 70 milhões em Uberaba (MG), com previsão de produzir ali todos os produtos da perfumaria em 2027.
As fragrâncias continuam sendo desenvolvidas com perfumistas e casas internacionais, e os óleos seguem vindo de fora. O que muda é o domínio sobre a formulação final, os testes, o envase e o acabamento. Tania lidera a direção criativa e trabalha com os perfumistas para traduzir referências em composições olfativas.
Na fábrica, a marca controla todas as etapas, da análise das matérias-primas ao envase, com laboratórios para desenvolver produtos, testar a qualidade e acompanhar cada lote. Algumas etapas seguem manuais: a dobra e o fechamento do celofane das embalagens são feitos à mão, porque, segundo Virgilio, as tentativas de mecanizar o processo não chegaram ao padrão visual desejado.
A estrutura foi dimensionada para crescer: a perfumaria tem áreas prontas para receber novos equipamentos, e o terreno permite ampliar o conjunto. A ideia é aumentar a produção acompanhando a expansão comercial.
Porcelana perfumada
Com a perfumaria e a porcelana no mesmo endereço, a marca quer juntar as duas frentes. “O que o Bosque nos permite também é trazer a porcelana para a perfumaria”, diz Virgilio.
As velas serão uma das expressões dessa integração. O plano é fabricar o recipiente, decorá-lo e concluir o produto na perfumaria do complexo, e depois do uso a embalagem poderá ficar como objeto decorativo. A marca também estuda difusores de fragrância com elementos de porcelana, produtos em que forma, decoração e aroma são pensados juntos desde o início.
“Conseguiremos crescer com maior autonomia, preservando o caráter autoral e artesanal dos nossos produtos”, afirma o executivo.
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