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Saturday, November 7, 2026

Diretor de ‘Arc Raiders’ defende uso de vozes de IA e diz que atores ‘enlouqueceriam’ sem elas

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Em vídeo sobre o som de Arc Raiders, o diretor de áudio e o diretor criativo da Embark Studios explicam o uso de vozes sintéticas e prometem dar mais espaço a atores humanos

Kadu Soares (@kadusoares__)

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Arc Raiders
‘Arc Raiders’ (Foto: Divulgação)

O diretor de áudio da Embark Studios, Bence Pajor, tem uma justificativa para as vozes geradas por inteligência artificial em Arc Raiders: segundo ele, nenhum ator aguentaria gravar tudo o que o jogo exige. A declaração aparece em um vídeo publicado pelo estúdio sueco sobre a construção do som e da trilha do jogo de tiro. Na mesma produção, o diretor criativo Stefan Strandberg reconhece as críticas dos jogadores e afirma que o estúdio vai substituir aos poucos as falas sintéticas por gravações feitas por pessoas.

Pajor contou que, em estúdios por onde passou, decisões de jogabilidade travavam porque as falas dos personagens já estavam gravadas e não podiam mais ser alteradas — o que pressionava roteiristas, a equipe de diálogo e atores com agendas apertadas. Em Arc Raiders, a Embark gravou atores em Estocolmo e usou essas performances para treinar as vozes sintéticas. Como cada item, arma ou recurso novo pede variações de fala, e o jogo recebe atualizações constantes desde o lançamento, trazer os atores de volta a cada mudança seria inviável. Daí a frase que repercutiu: os atores, segundo ele, ficariam loucos se tivessem que ler tudo aquilo.

Duas atrizes do elenco também aparecem no vídeo. Diana Gardner, que dá voz a Celeste, disse que o modelo lhe deu liberdade para aceitar outros trabalhos sem precisar remarcar gravações e que considerou o contrato justo. Ao ouvir o resultado final, porém, ela se perguntou se podia reivindicar como sua uma performance montada a partir de horas de gravação — e concluiu que não. Jo Rideout, intérprete de Shani, também comentou o processo.

Strandberg tentou encerrar a discussão: “Não estamos no ramo de substituir atores. Na verdade, acho que é o contrário. Devemos celebrar a performance e dar mais espaço a ela”. A troca já começou. Em março, o executivo-chefe da Embark, Patrick Söderlund, contou ao GamesIndustry.biz que algumas falas foram regravadas por profissionais depois do lançamento e admitiu que há uma diferença de qualidade. Na mesma entrevista, explicou que o estúdio paga os atores pelas sessões e, em casos específicos, pela licença de uso da voz em falas sintéticas consideradas menos importantes para a imersão. Na atualização Frozen Trail, lançada em outubro, Celeste ganhou uma voz nova — e Strandberg prometeu que outros personagens passarão pelo mesmo processo.

A Embark já tinha enfrentado críticas parecidas com The Finals (2023), seu jogo anterior, que também usava vozes geradas por IA. Com Arc Raiders, o tema ganhou força porque a dona do estúdio, a sul-coreana Nexon, passou a defender a tecnologia em público. Em novembro de 2025, o executivo-chefe Junghun Lee disse que era preciso presumir que todas as empresas de jogos já usam IA. Em março deste ano, ao apresentar a iniciativa Mono Lake a investidores, chamou Arc Raiders de “cavalo de Troia” — um presente que, segundo ele, carrega uma mudança de mentalidade sobre como a tecnologia libera os desenvolvedores para pensar mais e digitar menos.

Lançado em 30 de outubro de 2025 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, Arc Raiders se passa em uma Terra dominada por máquinas, no ano de 2180. Os jogadores sobem à superfície para recolher recursos enquanto enfrentam robôs e outros jogadores. O jogo vendeu mais de 16,3 milhões de cópias, segundo a Nexon, chegou a 960 mil jogadores simultâneos em janeiro e levou o prêmio de Multiplayer do BAFTA Games Awards em 2026. A Embark também tem dois novos jogos em fase inicial de desenvolvimento.

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Kadu Soares (@kadusoares__)

Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.

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