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Monday, October 12, 2026

UE diz que vai apoiar trégua energética entre Rússia e Ucrânia proposta por Trump

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A União Europeia está pronta para apoiar uma trégua nos ataques contra infraestruturas energéticas entre Rússia e Ucrânia "assim que ela for respeitada", afirmou nesta segunda-feira (12) a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, antes do início de uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo. Segundo a representante do bloco europeu, "a UE vai comemorar o cessar-fogo assim que ele for cumprido". Ela disse "não ter certeza de que a Rússia irá respeitá-lo".

A UE também anunciou nesta segunda-feira a adoção de novas sanções contra 1.600 indivíduos e entidades ligados à guerra russa contra a Ucrânia. "Trata-se da maior ampliação de nossa lista de sanções desde o início da guerra travada pela Rússia. A Europa demonstra mais uma vez uma frente unida", declarou Kallas no X.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma trégua energética entre Moscou e Kiev neste domingo (11), após informar, na sexta-feira (9), que negociou o fornecimento de grandes quantidades de diesel russo para os mercados americano e mundial.

A Ucrânia declarou estar disposta a respeitar o cessar-fogo, mas Moscou ainda não reagiu. De acordo com Kallas, se a trégua abranger apenas as refinarias de petróleo dos dois países, vai beneficiar principalmente os russos, que possuem várias instalações.

Para a chefe da diplomacia europeia, a melhor forma de pôr fim aos ataques contra refinarias de petróleo na Rússia ou usinas elétricas na Ucrânia é Moscou encerrar a guerra.

"Nossa mensagem é clara: se queremos acabar com esta guerra, a única maneira de conseguir isso é exercer mais pressão sobre a Rússia", explicou a diplomata, pedindo aos Estados Unidos que "adotem as sanções necessárias para que possamos realmente encerrar este conflito".

Por enquanto, "a trégua energética não está funcionando", avaliou o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, ao chegar à reunião em Luxemburgo. "Não há outro caminho: pressão sobre a Rússia e apoio à Ucrânia", resumiu a chefe da diplomacia da Letônia, Baiba Braze.

A Ucrânia "responderá" se a Rússia não respeitar uma trégua energética neste inverno, declarou nesta segunda-feira o presidente Volodymyr Zelensky. "Neste inverno, se a Rússia não aceitar um cessar-fogo energético, nós responderemos", disse Zelensky em um discurso por videoconferência a um fórum de segurança em Varsóvia.

"Se a Rússia quer que interrompamos nossos ataques de longo alcance contra suas refinarias de petróleo e suas exportações de petróleo, então a Rússia deve cessar seus ataques contra nosso sistema energético e nossas infraestruturas críticas. E parar de matar nosso povo", acrescentou o presidente ucraniano.

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Já o presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta segunda-feira que não se deve "ceder" à "ameaça russa", em resposta ao anúncio de Trump."Acho que precisamos ser coletivamente sérios", disse o presidente francês à imprensa, à margem de uma visita ao Salão do Automóvel de Paris, acrescentando que conversaria ainda hoje com seu homólogo americano.

"Hoje, creio que não temos nenhuma razão factual para mudar nossa posição. A Rússia continua a bombardear tanto civis quanto infraestruturas na Ucrânia. Portanto, sim, devemos buscar um cessar-fogo no setor de energia, mas não devemos ceder diante da ameaça russa", acrescentou.

Parlamentares dos EUA questionam acordo

Democratas e republicanos questionaram neste domingo (11) a legalidade do acordo entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo e afirmaram que a medida violaria uma lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos. 

"A decisão do presidente Trump de autorizar as importações de diesel russo para os Estados Unidos vai diretamente contra a lei", afirmaram sete senadores, entre eles quatro do Partido Republicano, referindo-se a uma legislação aprovada pelo Congresso em 2022, após a invasão russa da Ucrânia, que proíbe a importação de energia russa.

De acordo com os parlamentares, os EUA não devem importar petróleo da Rússia. O país deve, antes, pôr fim à agressão contra a Ucrânia e deixar de ameaçar os aliados da Otan, escreveram em comunicado os senadores, entre eles a democrata Jeanne Shaheen e o republicano Thom Tillis.

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Questionado sobre o tema pela emissora Fox News, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo pretende "agir com base em todos os poderes legais de que dispomos".

Logo após o anúncio desse "cessar-fogo energético", que, segundo o líder republicano, entraria em vigor imediatamente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que os ataques russos contra infraestruturas ucranianas continuaram "com a mesma intensidade", apesar do anúncio de Trump.

"Os russos atingiram uma usina elétrica em Kiev" e "mais tarde houve ataques contra instalações energéticas na região de Kharkiv. E tudo isso aconteceu depois que o presidente americano fez sua declaração", afirmou.

Grandes cortes de energia afetaram vários bairros da capital ucraniana no domingo, e restrições ao fornecimento de eletricidade serão aplicadas em diversas regiões do país nesta segunda devido aos ataques russos contra instalações elétricas, anunciou a operadora nacional Ukrenergo. Três pessoas morreram em ataques russos em Kharkiv, segundo o governador regional Oleg Synegoubov.

Eleições na Ucrânia

Os ataques ucranianos contra refinarias russas, que Kiev define como represálias legítimas aos bombardeios de Moscou, provocaram a irritação de Trump. Após a alta dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irã, o acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente os consumidores americanos pouco antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

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No sábado, Donald Trump chegou a "sugerir" que os ucranianos escolhessem "um novo líder capaz de chegar a um acordo" de paz com Moscou. "Com todo o respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher este ou aquele líder", respondeu Zelensky em entrevista exibida no domingo pela emissora ABC.

Zelensky afirmou várias vezes que a Ucrânia poderia realizar eleições em caso de um cessar-fogo duradouro com Moscou. "Digam a (Vladimir) Putin que nos conceda dois meses, sessenta dias de cessar-fogo total, sessenta dias, e organizaremos eleições", declarou à ABC. A Rússia rejeitou diversas vezes essa proposta, argumentando, entre outras razões, que uma pausa prolongada permitiria ao Exército ucraniano se reforçar.

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