22h. Habitação. Montenegro anuncia reunião com PS e Chega

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Transportes. Notícias das 10 com a Laura Figueiredo. E Laura, o primeiro-ministro vai reunir com os líderes do Chega e do PS para encontrar propostas para a habitação. Um anúncio feito por Luís Montenegro, que falou esta noite ao país. Numa declaração em São Bento, o primeiro-ministro admitiu que é muito desejável a aproximação aos partidos da oposição.
Falei hoje com os líderes dos dois maiores partidos da oposição sobre o tema da habitação e convidei-os a virem aqui com as suas equipas apresentar as suas ideias e propostas. Estão já agendadas reuniões para a próxima quinta-feira, logo após o meu regresso de Madrid. É muito desejável a aproximação aos dois maiores partidos da oposição. São aqueles que têm maior representatividade e são aqueles que podem assegurar com os partidos que apoiam o governo, uma maior adesão a princípios de intervenção legislativa, que possam ter uma execução ao longo de vários anos para produzirem os efeitos.
O primeiro-ministro garantiu ainda que não desvaloriza as manifestações, mas insiste que não há razões para que se importem modelos de protesto violentos.
Somos um país pacífico. Somos um país onde todos podem exercer e verem respeitados os seus direitos. Disse e repito: não há razão, em Portugal, para se importarem modelos de protesto violentos e tudo deve ser feito para evitar qualquer confronto indesejável.
Relativamente às críticas sobre o silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro diz que são injustas, garante que não há silêncio e que o papel do chefe de governo não é opinar.
Mas ao primeiro-ministro e ao governo, aquilo que se pede é que governem. Eu até vou dizer mais: eu tenho o direito de governar e tenho o dever de governar. E eu tenho o dever de os informar sobre aquilo que é o nosso programa para a habitação. Foi disso que eu falei há duas semanas e meia, quando pela primeira vez abordei o tema, em Bruxelas. Foi isso que eu levei como mensagem principal na parte da habitação, no debate do Orçamento de Estado. E foi isso que também resultou das múltiplas perguntas que os senhores jornalistas me colocaram na quinta-feira passada, quando tive uma agenda pública, inaugurações em Sátão, no distrito de Viseu. Portanto, é injusta a crítica de que há silêncio.
Declarações do primeiro-ministro na residência oficial em São Bento. As reuniões do governo com a oposição estão marcadas para a próxima quinta-feira. Em reação, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, deixou elogios à mudança de estratégia do governo.
Finalmente, o primeiro-ministro reconheceu que a crise que estamos a viver não pode ter uma solução policial, porque não é uma solução policial que permite responder ao custo com habitação e também ao custo de vida que os portugueses estão a enfrentar.
Pelo Chega, André Ventura diz não compreender o motivo pelo qual o primeiro-ministro não apresentou qualquer solução para o país.
Não tem uma medida para dizer assim: "Eu compreendo porque é que estão insatisfeitos. Eu tenho aqui três medidas, pelo menos. Vou discutir agora as outras. Discuti hoje com o líder do Chega, vou discutir com o líder do PS, mas há três coisas que o governo quer fazer. Isto, isto e isto." O primeiro-ministro não anunciou uma medida. Sinceramente, é o mesmo que estarmos em guerra e não ser anunciada uma única medida militar para ajudar o país.
Já a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusa o primeiro-ministro de ter dado uma conferência de imprensa patética. Mariana Leitão considera que o convite feito à apresentação de medidas pelo PS e pelo Chega significa apenas agravar os problemas da habitação. Pelo Livre, a deputada Isabel Mendes Lopes considera que o diálogo do governo com os partidos já vem tarde.
O senhor primeiro-ministro, se tivesse dialogado verdadeiramente com o Parlamento, nomeadamente com os vários partidos, sabia que as propostas, por exemplo, que o Livre apresentou, não são propostas que vêm a quente, são propostas que já são de vários anos atrás, que são propostas sólidas, construídas e que apresentamos sucessivamente porque nós sabemos o que é necessário para resolver o problema da habitação. Não são propostas a quente. A quente é esta reação do primeiro-ministro, que vem também porque o país lhe exigiu esta reação.
E do lado do PCP, o deputado Bruno Dias critica o governo, diz que lhe falta coragem política e também que o Executivo ataca os direitos das pessoas. Já o Bloco de Esquerda e o PAN lamentam que Luís Montenegro não tenha feito autocrítica nem pedido desculpa pelas cargas policiais aos manifestantes pela habitação. E Laura, também os movimentos pela habitação do Porto e de Lisboa reagiram à declaração Luís Montenegro. A organização da acampada de Lisboa lamenta que o primeiro-ministro não tenha tido uma palavra sobre as reivindicações dos manifestantes, mas vamos em direto até ao Rossio, onde está o repórter do Observador, David Biléu. David, boa noite. Como é que reagiram os manifestantes desta declaração do primeiro-ministro?
Os manifestantes não reagiram bem, Laura. A verdade é que está a ocorrer agora aqui a Assembleia Popular, que teve início às nove horas da noite, uma hora depois das palavras e das declarações do primeiro-ministro ao país, e o movimento Acampada Lisboa, através dos porta-vozes, lamentam que as palavras do primeiro-ministro não tenham dado respostas às reivindicações da acampada e voltam a sublinhar que a nova lei do arrendamento tem de cair. Neste momento, a Assembleia Popular decorre e é mesmo esse o centro da discussão que neste momento está a ocorrer aqui entre os manifestantes, as palavras do primeiro-ministro, mas também o fato de hoje representantes da Acampada Lisboa se terem reunido com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e terem ido à Câmara para decidir se de facto é possível conciliar o protesto com o mercado de Natal, que está previsto começar a 13 de novembro. Ora, a acampada, o movimento, já tinha decidido, já tinha votado ontem, que vai continuar aqui no Rossio E que essa posição não é negociável e muitas das pessoas que estão aqui na assembleia têm dito também que as propostas feitas pela Câmara para mover este protesto podem também ser feitas a esse mercado. Neste momento, a Assembleia Popular decorre e espera-se que daqui a pouco comecem a montar tendas, na medida em que essa foi uma proposta que foi votada e aprovada na noite de ontem, Laura.
David Bileu, em direto do Rossio, onde está a acompanhar mais uma noite de protestos. Vamos também até ao Porto, onde a Assembleia Popular voltou a aprovar a pernoita na Praça Dom João I. É lá que está o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, boa noite. Como é que foram recebidas as palavras de Luís Montenegro, na Praça Dom João I?
Aqui, as palavras de Luís Montenegro, essa conferência de imprensa, Laura, aconteceu ao mesmo tempo que a Assembleia Popular, assembleia essa que voltou a aprovar uma nova pernoita. Já estão montadas 21 tendas, mais do que estavam ontem, mas nessa assembleia, Sérgio Bastos, um dos porta-vozes, estava com atenções divididas entre o que era dito pelos manifestantes e pelo telemóvel, onde ia acompanhando as declarações do primeiro-ministro e depois falou aos jornalistas, reagiu a essas declarações de Luís Montenegro. Disse que não compreendia as declarações, sobretudo quando Luís Montenegro diz que o governo tem feito muito pela habitação e que tem já medidas nesse sentido, entende Sérgio Bastos que não são suficientes e que não têm ajudado a maioria dos portugueses, sobretudo os jovens. Mas Sérgio Bastos, um dos porta-vozes do Movimento Acampada, congratulou-se e considerou mesmo que era uma vitória parcial essa decisão de Montenegro reunir com a oposição, mas pede mais e lembra que esses partidos, tanto o PS como o Chega, não representam este movimento nas suas ideias para a habitação.
É uma vitória parcial. O Partido Socialista e o Chega não têm propostas que nós consideramos que vão suficientemente encontrar as nossas reivindicações, mas ainda assim pode ser que alguma coisa de positivo saia dali. Não sabemos e compreendemos que é esse o funcionamento dos representantes eleitos. Nós não somos representantes eleitos, nós somos uma mobilização popular que ainda assim se organiza para apresentar propostas sérias.
E foram algumas dessas propostas que o movimento decidiu aprovar aqui em Assembleia Popular, ou pelo menos discutir aqui algumas reivindicações numa nova assembleia popular, como dava conta o porta-voz Sérgio Bastos, e dessa assembleia popular também se decidiu a montagem de tendas. São 21, já estão montadas. Vamos também perceber, tendo em conta que os manifestantes conseguiram pernoitar na última noite com 14 tendas, se a polícia não se irá opor a esta decisão. Por enquanto, os manifestantes vão olhando para um documentário que está a ser transmitido, na perspetiva de mais uma noite passada aqui na Praça Dom João I.
Jornalista Miguel Pinheiro Correia, que está na Praça Dom João I, no Porto, a acompanhar mais uma noite de protestos.
Na atualidade internacional, demitiu-se o ministro espanhol dos Transportes.
Uma demissão que acontece na sequência dos dois acidentes ferroviários em Espanha em menos de um ano. Óscar Puente diz que tomou a decisão nos primeiros minutos após a tragédia e que aguardou os resultados das investigações antes de tornar a decisão pública. Citado pelo "El País", o governante diz que um ministro dos Transportes de um país como Espanha não pode continuar no cargo depois de dois acidentes em menos de um ano.
No desporto, o Sporting venceu o Shakhtar Donetsk por 1 x 0 na Liga dos Campeões.
Dombiá marcou o único gol do encontro. Os Leões colocaram-se na frente no segundo tempo e seguraram a vantagem até ao final da partida. No final do encontro, Tiago Fernandes, o treinador interino, admite que arriscou com uma linha de três centrais, mas que a equipa reagiu bem.
Não temos que ter medo. Temos que arriscar, temos que tomar as decisões pela nossa cabeça e pelas nossas convicções. Eu senti claramente, em função das nossas opções para jogo, que nos sentiríamos muito mais confortáveis a jogar com uma linha de cinco. Eles perceberam bem e eu dou-lhes os parabéns e dei os parabéns no final pela capacidade de inteligência e tática, de eles se adaptarem só num treino ou dois e muito treino de vídeo para eles perceberem. Foram muito recetivos e humildes e isso fez com que nós hoje conseguíssemos uma vitória importante para o nosso clube e isso foi o mais importante de tudo.
Declarações de Tiago Fernandes, treinador interino do Sporting depois da vitória na Liga dos Campeões.
E Tiago Fernandes vai deixar o lugar de treinador principal para chegar Paulo Fonseca.
Paulo Fonseca, que aterrou esta noite em Lisboa, vai suceder a Rui Borges no comando técnico do Sporting. Na chegada à capital, Paulo Fonseca confessa que foi convencido pelo clube leonino para voltar a Portugal. No meio da confusão, o novo técnico do Sporting foi parco em palavras, mas prometeu explicações para breves.
Amanhã ou depois, quando tiver a oportunidade, responderei a todas as perguntas.
Falou com Rui Borges?
Obrigado.
Paulo disse que não te incentivava a voltar a Portugal, o que é que o fez mudar de ideias?
Obrigado.
Foi o Sporting que o fez mudar de ideias?
Amanhã às 10:30.
Mas é até 2030 o contrato?
Vamos ver. Depois teremos tempo para falar sobre tudo.
Como é que o Rui Borges o convenceu?
Obrigado.
Parcas palavras de Paulo Fonseca, o treinador português vindo do futebol francês para assumir o comando técnico do Sporting.
Laura, vamos também atualizar a informação de âmbito local.
Em Porto de Mós, seis juntas de freguesia vão estar encerradas ao público amanhã, em caso de protesto nacional, promovido pela Associação Nacional de Freguesias contra a proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano. No Seixal, o município inaugurou hoje um ponto de encontro em caso de catástrofe. Fica no Parque Urbano José Afonso, em Corroios. Foi ainda colocada uma placa de identificação de zonas de concentração e apoio à população. No Mercado Municipal de Miratejo, são já nove estruturas de sinalização que estão instaladas no concelho. Em Oeiras, as obras na Ribeira de Massamá entraram já na quinta fase. A conclusão está prevista para junho do próximo ano. A intervenção tem como objetivo prevenir cheias em Tercena. A obra que se desenvolve ao longo da Avenida Infante Dom Henrique pretende aumentar a capacidade de escoamento da ribeira. Em Estarreja, a Câmara Municipal anunciou a reabertura da Estrada Nacional 224/2 para a próxima segunda-feira. O troço entre a rotunda de acesso a Pardilhó e a rotunda do Ecoparque Empresarial está cortado ao trânsito desde julho, devido às obras de construção de uma nova rotunda. A Câmara Municipal da Maia lançou um novo modelo para a fatura da água. A nova abordagem, mais inovadora e pedagógica, pretende ajudar os consumidores a perceber melhor quanta água utilizam e de que forma podem contribuir para uma gestão mais sustentável. Em Azambuja, a Festa do Torricado regressa entre sexta-feira e domingo, no Pavilhão do Grupo Desportivo Local. O evento é dedicado à gastronomia tradicional, conta também com momentos de animação musical, pretende assim o evento preservar e divulgar uma das mais emblemáticas especialidades gastronómicas do concelho, o torricado.
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