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Sunday, September 13, 2026

Será Luís Montenegro pior que António Costa?

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É complicado comparar pessoas diferentes perante situações diversas. Mas há pontos de análise em comum que nos permitem estabelecer uma ligação entre Costa e Montenegro. Ambos chegaram ao poder enfraquecidos. O primeiro porque perdera as eleições, o segundo porque teve uma percentagem baixa para o PSD e não muito diferente do de Rui Rio em 2022. Os dois tiveram de conquistar a legitimidade do poder a seguir às eleições. Daí as reversões de Costa e as benesses de Montenegro e que o actual primeiro-ministro repetiu na moção de censura de terça-feira. Tanto um como o outro sabem o que é governar assolados de casos que não controlam. Será azar ou é mesmo feitio?

Em 1993, o então ministro do Ambiente, Carlos Borrego, contou uma anedota durante uma entrevista na rádio sobre os doentes que estavam a morrer da hemodiálise no hospital de Évora. Foi de imediato demitido por Cavaco Silva. O motivo? Um ministro não podia desrespeitar as pessoas daquela forma. Veja-se a diferença de atitude comparada com os casos posteriores, como Manuel Pinho, os inúmeros episódios nos governos de António Costa e agora Luís Neves.

Por ter falhado o desafio do euro, Portugal tem uma economia cada vez mais desestruturada e dependente da venda de bens não transacionáveis. A crise da habitação, dos baixos salários resulta disso. Mas a crise do Estado, a incapacidade deste prestar serviços públicos adequados deriva também de outros factores: da falta de foco e de liderança política. Desde Guterres (e com excepção de Passos Coelho) que os governos foram chefiados ou por quem não se impunha politicamente ou por quem não esteve à altura (ética e política) dessa responsabilidade.

António Costa conseguiu o feito de empatar o país durante oito anos, sair nas condições em que saiu e ainda ter um cargo de prestígio internacional. Mas os danos causados ao país, às instituições foram graves. O que se esperava de Luís Montenegro, e que este prometeu fazer, era pôr termo ao marasmo e recuperar a credibilidade das instituições. Passaram dois anos e quase meio desde que é primeiro-ministro e é legítimo que se conclua que falhou redondamente. Não há reformas, apesar de Montenegro repetir à exaustão que sim, da mesma forma que não havia produtos nos supermercados apesar do comité central do PC na URSS repetir à exaustão que havia. A realidade não muda porque fechamos os olhos. Pelo contrário, acentua-se. Neste ponto, Montenegro faltou ao país, numa falha que se agravou com os episódios em torno de Luís Neves.

A falta de Montenegro é mais grave que a de António Costa, porque Costa era do PS e o PS estava condenado. Mas o PSD, não. O PSD salvou Portugal da bancarrota entre 2011 e 2015. O PSD tinha créditos. Créditos que muitos laranjinhas preferiram deitar fora. Essa escolha está à vista quando o líder do PSD disse no Parlamento que Luís Neves era um grande ministro da Administração Interna e que Portugal precisava dele. Quando o primeiro-ministro julga que resolve um dilema de ética governativa com o aumento das pensões e a descida do IRS. Quando os deputados do PSD se levantam e aplaudem efusivamente um governo preso a Luís Neves da mesma maneira que outros deputados do PS aplaudiram fervorosamente um governo de José Sócrates amarrado a Manuel Pinho. As democracias liberais e representativas precisam de partidos políticos. Esses partidos precisam de ser credíveis e respeitados. Perder o sentido ético do que é inadmissível, perder o discernimento de qual deve ser o comportamento básico numa democracia é um golpe na credibilidade dos partidos políticos. Ao comprometer o PSD desta forma, Luís Montenegro causou um dano na democracia portuguesa ao nível dos últimos primeiros-ministros socialistas.

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