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Tuesday, September 22, 2026

Gestores homens contratam mais mulheres após se tornarem pais de menina, indica pesquisa

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The Economist Em todo o mundo rico as mulheres ainda ganham 12% menos que os homens. Medidas destinadas a reduzir essa diferença —como cotas e treinamentos sobre diversidade— muitas vezes produzem o efeito contrário.

Mas um estudo publicado na revista acadêmica Review of Economic Studies identificou algo que de fato muda a forma como gestores homens veem as mulheres no ambiente de trabalho: ter uma filha.

Ter filhos homens ou ter mais filhas após já ser pai de menina não mudou escolhas dos gestores, indicam os pesquisadores - Nicola Katie/peopleimages.com/Adobe Stock

Nina Smith, da Universidade de Aarhus, e Maddalena Ronchi, da Universidade Northwestern, usaram registros administrativos para acompanhar todos os trabalhadores e empresas da Dinamarca entre 1992 e 2017. Elas constataram que, quando gestores homens tiveram sua primeira filha, a diferença salarial entre homens e mulheres em suas empresas diminuiu.

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As autoras restringiram a amostra a pequenas empresas comandadas por um único gestor, para que pudessem identificar quem era responsável pelas decisões de negócios. Essas empresas representam mais de 90% das companhias dinamarquesas.

Quando a primeira filha de um gestor homem era também sua primogênita, a proporção dos rendimentos das mulheres —uma medida de sua remuneração em relação à dos homens— aumentava 4,1%. A participação feminina no quadro de funcionários da empresa crescia 4,5%.

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A mudança começava imediatamente após o nascimento e persistia enquanto o gestor permanecesse na empresa. Ter um filho homem não fazia diferença significativa, tampouco ter outras filhas depois.

Os avanços vieram principalmente de novas contratações e promoções, e não de aumentos salariais para funcionárias já contratadas ou de mulheres serem poupadas de demissões. Os dados indicam que as novas contratadas têm qualificações e experiência semelhantes às dos homens admitidos em empresas cujos gestores não acabaram de se tornar pais de menina.

Diante de homens e mulheres igualmente qualificados, o novo pai parece optar pelas mulheres, sobretudo para cargos de tempo integral e bem remunerados. A probabilidade de a pessoa mais bem paga de sua empresa ser uma mulher aumenta dois pontos percentuais.

Esse entusiasmo pela contratação de mulheres não teve efeito sobre o desempenho das empresas —provavelmente porque as mulheres contratadas não eram mais qualificadas que os candidatos homens. As vendas, o nível geral de emprego e o valor agregado por trabalhador praticamente não se alteraram.

O que se pode aprender com isso? 80% dos gestores estudados eram homens; havia poucas gestoras para verificar se a maternidade produz o mesmo impacto.

Isso dificulta determinar se o efeito de ter uma filha revela algo sobre a psicologia da paternidade ou sobre as consequências de manter uma relação próxima com alguém de outro gênero. Ainda não se sabe se existem maneiras de reproduzir esse efeito —talvez por meio de programas de mentoria que aproximem colegas de diferentes origens.

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Ordenar que chefes homens tenham filhas infelizmente não é uma política adequada de recursos humanos.

Texto da The Economist, traduzido por Helena Schuster e publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com 

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