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Friday, November 6, 2026

De escândalo bancário ao impeachment: veja a cronologia da crise no Paraguai que ameaça derrubar o presidente

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▶️ Contexto: O país vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco "ueno", que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.

  • O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação da instituição.
  • A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
  • O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
  • Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado.

Na quinta-feira (5), em meio à pressão política, Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou a abertura do processo de impeachment contra o ele.

Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente. O Senado deve retomar a análise do impeachment contra Peña nesta sexta-feira (6).

Veja, abaixo, a cronologia da crise no país.

Banco ueno fecha as portas

Ueno Bank no Paraguai — Foto: Marcos Landim/RPC

Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai liquidou o banco digital ueno após identificar uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição.

A medida foi tomada após a identificação de problemas relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.

Com a decisão, a instituição que tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, fechou as portas.

Escalada da crise

Na quarta-feira (4), relatos de falhas nos aplicativos de outras instituições financeiras começaram a circular no país e aumentaram a preocupação dos clientes.

A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao grande volume de pessoas que tentam transferir contas do ueno. A entidade afirmou que o sistema bancário continuava operando normalmente.

Oposição apresenta pedido de impeachment

Congressistas debatem impeachment do presidente Santiago Peña — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo

A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira (5). Deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.

A acusação apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Os parlamentares também acusaram o Banco Central de encobrir irregularidades.

Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do ueno, até março de 2025. A oposição sustenta que a relação do presidente com o grupo representa um conflito de interesses.

Câmara aprova abertura do impeachment

Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña.

O pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana, no entanto, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para que ele assuma a Presidência caso Peña deixe o cargo.

Peña anuncia renúncia

Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo

Horas depois da decisão da Câmara, Peña apresentou uma carta de renúncia em um vídeo publicado nas redes sociais.

O presidente pediu desculpas aos clientes prejudicados pela crise bancária e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.

A renúncia, porém, ainda precisava ser analisada pelo Congresso.

Congresso suspende sessão

O Congresso iniciou a análise do pedido de renúncia de Peña na tarde de quinta-feira. A sessão foi marcada por um longo debate entre governistas e oposicionistas.

A oposição defendeu que a renúncia seja rejeitada e que o processo de impeachment tenha continuidade. Os parlamentares argumentaram que, se deixar voluntariamente a Presidência, Peña poderá assumir uma vaga de senador vitalício, com imunidade parlamentar.

Já os governistas sustentaram que aceitar a renúncia seria a maneira mais rápida de encerrar a crise e permitir a transferência de poder ao vice-presidente.

Quando percebem que não teriam votos suficientes para aprovar a saída do presidente, parlamentares do Partido Colorado, legenda de Peña, deixaram o plenário. A movimentação derrubou o quórum necessário para a continuidade da sessão.

A votação foi suspensa, e a renúncia não foi aceita. Com isso, Peña permaneceu no cargo.

À noite, o Senado fez uma nova sessão para iniciar o debate sobre o impeachment do presidente. O processo continuará na sexta-feira (6).

Senado deve retomar análise do caso

Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña — Foto: Daniel Duarte/AFP

O Congresso deve retomar a análise da crise nesta sexta-feira. Peña também afirmou, em carta publicada na noite de quinta-feira, que vai comparecer para apresentar a própria defesa no processo de impeachment.

O Senado é responsável pelo julgamento político do presidente. A decisão dos parlamentares poderá determinar se Peña será afastado definitivamente do cargo.

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