O melhor álbum de todos os tempos, segundo Krist Novoselic, do Nirvana

Em texto no Vinyl Writers, o baixista revelou o álbum que marcou sua vida aos 15 anos
Kadu Soares (@kadusoares__)
Krist Novoselic nasceu em 16 de maio de 1965, em Compton, na Califórnia. Filho de imigrantes croatas, cresceu ouvindo de tudo: do rock pesado ao punk, passando pelo metal que tocava nas rádios nos anos 1970. Cofundador do Nirvana ao lado de Kurt Cobain, costuma ser descrito como o integrante mais discreto da banda. Sua contribuição, porém, para um dos grupos mais influentes da história do rock é inegável. Quando fala de suas influências musicais, Novoselic não faz suspense: há um álbum que considera seu favorito de todos os tempos — e a escolha revela muito sobre a essência do Nirvana.
O disco é Sabotage (1975), do Black Sabbath, sexto álbum da banda britânica. O grupo o gravou em meio a uma disputa com a gravadora e a empresa de gestão, que, segundo os músicos, tentavam sabotar sua carreira. Da tensão nasceu um dos trabalhos mais agressivos e diretos do Sabbath: um álbum de sonoridade crua, pesada e quase impaciente, que influenciou gerações de bandas de metal, rock alternativo e punk.
Entre as faixas estão “Hole in the Sky”, “Megalomania” e “Symptom of the Universe” — esta última, descrita por Novoselic como uma “música monstro”.
Em um texto publicado no Vinyl Writers, Novoselic foi categórico ao falar da importância do álbum em sua trajetória: “Sempre me pergunto se teria existido um Nirvana sem esse álbum. Provavelmente não. Ele está em toda parte na música do Nirvana. Essa era a música que eu amava quando tinha quinze ou 16 anos. Eu tinha o álbum em fita cassete e ouvia todos os dias. Acho que foram as frases de guitarra que me atraíram, talvez também o toque oculto do álbum. É simplesmente o que é. É um álbum intocável”.
A relação de Novoselic com o Black Sabbath começou antes de Sabotage: ele já conhecia Heaven and Hell (1980) e Mob Rules (1981), ambos com Ronnie James Dio nos vocais, e só descobriu Sabotage algum tempo depois. O baixista também foi enfático ao falar da posição do grupo na história do rock, mesmo fazendo parte de uma geração que supostamente “matou” o metal: “Diziam que o Nirvana tinha acabado com boa parte do metal, mas isso nunca se aplicou ao Black Sabbath. Éramos punks metidos a engraçadinhos, querendo acabar com todo aquele rock dos anos 1980. Agora sou mais velho e mais sábio. Não há como acabar com o Black Sabbath, porque essa banda é eterna. Eles estão simplesmente acima do Nirvana na linha do tempo do rock. Somos parte dessa história porque descendemos do Black Sabbath, assim como o Black Sabbath descende dos Beatles”.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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