The Jerusalem PostIDF destroys dozens of monuments honoring terrorists during West Bank counterterror operationsESPN DeportesAtlas toma ventaja ante Necaxa y se acerca a la zona altaESPNPackers RB Jacobs eligible to return next week amid ongoing probeCNN TürkSahibi olduğu otelde ölü bulunduInquirerTaal Volcano logs 22 quakes as seismic activity continuesInquirer EntertainmentDennis Trillo’s MMFF movie ties up with Columbia Pictures for global distributionCollider‘Fire Country’s Newest Star Teases What’s Next for CJ in Season 5South China Morning PostChinese man celebrates wedding to one woman, baby with ex-lover at same venue on same dayUOLGoverno Trump diz apoiar eleições livres no Brasil e defende medidas contra Moraes, PCC e CVMalay MailJBPM officer Mohd Sani, missing after Nepal floods, among 121 honoured at KPKT appreciation night (VIDEO)ZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFNew Straits TimesPolice hunt culprits behind suspected MRT cable theft in Damansara
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 17, 2026

Passos a passo

Translate

A grande diferença entre Passos I e Passos II é a chegada do Chega ao panorama político. Podemos analisar a diferença entre ambas as versões, fazendo um paralelo com o filósofo Wittgenstein, o qual, nas Investigações, renuncia abertamente ao legado do seu primeiro livro, que serviu, de resto, à sua tese de doutoramento, o Tractatus. Enquanto o austríaco mudou de forma radical o seu pensamento sobre a filosofia e o mundo, o político português somente se adaptou às novas condições políticas que o país enfrenta: com o surgimento do partido de André Ventura deu-se por terminado o geocentrismo dos partidos tradicionais. A mudança no discurso e na proposta de ação, em vez de radicalidade, em vez de ser uma diferença de natureza, é apenas uma questão de verticalidade e de grau. A moral e os costumes conservadores, a par com uma confiança nos mercados, enquadram-se numa perspetiva, não apenas em consonância com várias gerações, mas também com uma promessa de melhoria das condições de vida para os portugueses. Afastado da preocupação financeira e dialógica com a troika, permite-se concentrar no futuro a médio e a longo prazos. O “Tractatus Logico-Philosophicus” do Sr. Wittgenstein, venha ou não a provar-se que é a verdade suprema acerca dos temas que trata, merece com certeza, em virtude da sua inspiração, profundidade e alcance, ser considerado um acontecimento importante [no mundo da Filosofia] – nas palavras de Bertrand Russell. Vertendo para a esfera ideológica, as posições de Passos acerca da originalidade da situação nacional merecem, em definitivo, uma averiguação e uma análise honestas, muito além da troca de galhardetes e da invocação de miudezas de ocasião; uma atitude séria e desapaixonada é, então, o meu conselho quando se aborda o novo papel do ex-primeiro-ministro.

Por incrível que possa parecer, a desconfiança e atrito que ainda suscita na esquerda tornam necessário, mais uma vez, invocar a vitória, sua e do país, pela saída limpa do programa de ajustamento. Quer aqueles que guardam ressentimento pelo sucesso alcançado, quer os que não esquecem os sacrifícios requeridos para ultrapassar a situação de descalabro do país, estes, atribuindo-lhe uma forma de sadismo muito pessoal, a verdade é que a simples aparição da figura causa celeuma. A dúvida que agora paira no ar do tempo é saber, após essa conquista e depois de duas vitórias nas eleições pretéritas, contra a rua e contra o socialismo desenvergonhado, quanto vale atualmente o ator político nas urnas.

Faltam 2.467 assinantes para 50.000

*Herdade São Miguel Colheita Selecionada Tinto Magnum 2023 (PVP 15,85€)
A oferta também inclui 1 visita guiada à adega na Casa Relvas (PVP 30€)
Válido apenas para planos anuais Standard e Premium

Assinar agora

Passos enfrenta três frentes: à sua direita, o Chega; à sua esquerda, a crer nas reações dos altos responsáveis, o PSD; e finalmente, a esquerda socialista. Cada uma representa desafios particulares e exige estratégias diferentes. Do lado dos socialistas, demasiado empenhados em manter a paralisia do cenário atual, o mesmo, com pequenas nuances, desde Cavaco, a distância irá permanecer, senão aumentar. De André Ventura devemos esperar uma disputa pela predominância e protagonismo da direita, em primeiro lugar, e uma relação ambígua em relação às reformas a empreender, em segundo – não convém esquecer a sua relutância e até atitude contrária exibidas no Parlamento. Todavia, é no – ainda – seu partido, como disse, pelo menos ao nível dos dirigentes, que parece encontrar maior adversidade. Estando o PSD no poder, é também natural que os militantes sejam afetados pela inércia, não desejando arriscar, de momento, qualquer intriga. Pondo de parte um golpe palaciano (do tipo Costa/Seguro), por não coexistir com a sua personalidade, resta a Passos Coelho aguardar, com eventuais intervenções esporádicas, a passagem lenta dos dias. Não ser esquecido e manter-se ativo serão os seus desafios imediatos.

Não tendo qualquer controlo sobre as circunstâncias e a aleatoriedade da vida política nacional e internacional, Passos está colocado numa situação desconfortável, pelo menos enquanto mero assistente passivo. Esperar por melhores dias, acreditando que a sua oportunidade virá (não está escrito nas estrelas), é um luxo não permitido. Tendo uma idade que permite alguma paciência, a elasticidade é limitada. Mesmo com o cenário de derrota de Montenegro em eleições antecipadas, Passos teria de ganhar o partido, o que não é de todo líquido, pois provavelmente teria de enfrentar pesos entretanto tornados pesados pelo aparelho laranja. Ou seja, haverá, com certeza, uma frente anti-Passos que, à semelhança do governo atual, estaria mais interessada em prolongar o estado geral de apatia e assemelhar-se à ação dos sucessivos governos socialistas. Para o atual PSD e para o PS, para não falar da extrema-esquerda, há um natural círculo vicioso que não pode ser quebrado: a Constituição como fim e princípio políticos do país – leia-se, a estagnação.

Para este espectro alargado de políticos, Passos aparece como persona non grata, com as suas intenções de mudança e espírito verdadeiramente reformista. Demasiado preso à tradição governativa e de alternativa, tenho sérias dúvidas de que o partido de Montenegro e de Rui Rio ainda possa servir como esperança e veículo para a transformação de Portugal. O único modo, parece-me, que permitiria a Passos avançar livremente seria constituir um movimento, uma vez que a criação de um partido poderá ser demasiado abrupta, por um lado, e lenta, por outro. Este movimento, ao contrário da farsa de Cotrim, exigiria ser levado a sério enquanto projeto político, tendo como preocupação insuflar um novo élan.

Em política o médio prazo é uma miragem. Tudo pode cambiar a todo o momento. Assim, este artigo poderá parecer, a breve trecho, uma fantasia mal conjeturada. É legítimo, no entanto, fazer uma análise a partir dos dados existentes – não conheço outra forma de proceder.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.