Veto a bet mira eleitor indeciso, mas dívida da classe média é diferente

A pergunta com que o presidente abriu seu discurso no anúncio do combo Brasil Sem Bets e Desenrola 3.0 seria, segundo as pesquisas qualitativas, o primeiro passo para uma virada de chave na campanha do PT. No entanto, logo em seguida o questionamento revelou-se estratégia retórica. Lula já tinha a resposta:
"Nem sempre as pessoas ganham o que precisam, nem sempre o salário é suficiente, pobres que estão jogando para tentar comprar o pão do dia seguinte."
As pesquisas qualitativas mais recentes, conduzidas por Sincofsky, atestam que o problema das bets é apenas a ponta do iceberg. O endividamento das famílias é o desafio mais grave e urgente no Brasil hoje. O descontrole financeiro é democrático na sociedade, mas o impacto mais perverso recai sobre uma nova classe social.
Tanto no livro "A polarização no divã" quanto nas pesquisas mais recentes, se destaca um eleitor de classe média baixa, autônomo, endividado e que não se vê representado pelo governo petista. São essas as grandes vítimas das apostas online. Essa parte da sociedade não apostou nem se endividou para comprar comida, como Lula insiste em dizer.
Essas pessoas apostaram nas bets e se endividaram no cartão para ter renda extra, viajar, fazer churrasco, satisfazer seus sonhos de consumo. "Há uma fantasia de ganhar dinheiro fácil. E todo mundo gosta de se enganar um pouco, as pessoas sabem e admitem que estão entrando numa cilada", explica o pesquisador.
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