El Niño: como fenômeno pode colocar em risco a cadeia de frio farmacêutica
O fortalecimento do fenômeno El Niño coloca em alerta diferentes cadeias produtivas, sendo uma delas o setor farmacêutico. Mas afinal, o que pode ser afetado? Além dos impactos sobre a logística, o cenário reforça a preocupação com a preservação de medicamentos termolábeis, como vacinas, insulinas e medicamentos biológicos, que precisam ser transportados e armazenados sob temperatura controlada, geralmente entre 2 °C e 8 °C, para manter sua eficácia e segurança.
Em setembro, tradicionalmente marcado pela transição do período seco do inverno para o período úmido da primavera, a previsão é de pancadas de chuva já nos primeiros dez dias do mês, inclusive em regiões que normalmente enfrentam estiagem nessa época.
Segundo análise do Grupo Polar — especializado em soluções para a cadeia fria — as mudanças climáticas sobre a logística farmacêutica e alerta de eventos extremos, como chuvas intensas, enchentes, interrupções de rodovias e aumento do tempo de deslocamento, podem elevar o risco de rompimento da rede de frio durante o transporte desses produtos.
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“Quando há temperaturas externas mais elevadas, isso aumenta a carga sobre refrigeradores, câmaras frias e veículos refrigerados, exigindo maior capacidade dos equipamentos para manter a faixa recomendada de temperatura. Outro ponto refere-se ao maior consumo de energia e risco de falhas. O uso contínuo dos sistemas de refrigeração eleva o consumo de eletricidade e, em períodos de alta demanda, pode haver sobrecarga da rede ou quedas de energia, comprometendo o armazenamento”, explicou a farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, Liana Montemor.
As alterações no regime de chuvas também representam um desafio para a operação. Enchentes, deslizamentos, tempestades e interrupções em rodovias ou aeroportos podem atrasar entregas, prolongar o tempo de transporte e aumentar a possibilidade de excursões de temperatura.
Nesse contexto, o monitoramento das condições de transporte se torna ainda mais importante. Sensores, alarmes e sistemas de rastreabilidade permitem acompanhar a temperatura em tempo real e possibilitam respostas mais rápidas diante de eventuais desvios.
Planejamento logístico
O planejamento logístico também passa a ter papel estratégico diante de um cenário de maior imprevisibilidade climática. Chuvas intensas, enchentes e congestionamentos podem prolongar o tempo de transporte e aumentar o risco de exposição dos medicamentos a condições inadequadas, comprometendo sua eficácia e, consequentemente, a segurança dos pacientes.
Além dos impactos para a saúde, os eventos climáticos extremos também pressionam a operação logística, com possíveis aumentos de custos decorrentes de rotas interrompidas, atrasos nas entregas e necessidade de respostas rápidas a situações adversas.
“Rotas interrompidas, atrasos nas entregas e a necessidade de respostas rápidas a situações adversas podem elevar significativamente os custos do transporte farmacêutico, exigindo investimentos em fontes alternativas de energia e redundância logística”, ressalta Liana.
Para a especialista, o cenário também acelera a adoção de soluções capazes de aumentar a previsibilidade das operações, como o monitoramento em tempo real das condições de transporte, a qualificação de embalagens térmicas capazes de oferecer manutenção térmica prolongada e o mapeamento de rotas críticas.
“A logística farmacêutica precisa estar preparada para operar em condições cada vez mais desafiadoras. Garantir a integridade da cadeia fria é proteger a qualidade dos medicamentos e, principalmente, a segurança dos pacientes”.
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