InquirerRemulla: No truth to ‘chismis’ Romualdez can freely leave jailDaily MaverickWHAT WE’RE WATCHING: Resident Evil — a horror video game adaptation with a wicked sense of humourPunchNJC suspends three judges, disciplines six others한겨레미 데이터센터 반대 민심에 ‘수습’ 나선 오픈AI…“전력 비용 회사가 부담”Bollywood HungamaRanveer Singh’s Pralay shoot sparks BIG controversy at Mumbai’s Azad Maidan; Under-14 and Under-16 cricket matches POSTPONED; MCA FUMES over disruptionCNN TürkABD'de büyük kayıp sonrası gözler 2028'e çevrildi: İşte öne çıkan 3 isimThe South AfricanPreview of December 2026 SASSA Old-Age GrantsSoompi3 Points To Look Forward To In “What A Boss Wants”ZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFThe Sydney Morning HeraldBabies made a comeback - but that was before the latest rate risesVnExpress InternationalVietnam responds to other countries advising their citizens to stock up on emergency suppliesSözcüNeredeyse bedavaya ev kiralıyorlar ama istedikleri şey para değil
The Daily Newsstand · Free, Always
Friday, November 6, 2026

Polícia avança em investigação sobre corpos espalhados por SP e confirma tese de vingança de criminosos

Translate

As investigações realizadas pela Polícia Civil sobre corpos encontrados em áreas públicas da cidade de São Paulo avançaram nos últimos dias, e quatro casos tiveram a motivação do crime esclarecida.

Em todos eles, os agentes concluíram que as mortes foram cometidas ou por pessoas que teriam desobedecido regras impostas por criminosos ou que tinham desavenças com eles. Com o avanço das apurações, alguns inquéritos estão em fase de conclusão.

A investigação aponta que um dos mortos era um usuário de drogas que teria desviado dinheiro do tráfico, por exemplo. Em outro caso, a vítima foi assassinada por criminosos como retaliação por ter cometido furtos sem permissão.

Uma terceira pessoa foi morta por vingança de traficantes após ter denunciado a venda de drogas. Um quarto caso também envolve uma pessoa que entrou em conflito com criminosos. Não foram divulgados mais detalhes.

Desde o início, a principal hipótese da polícia era de que as mortes eram resultado de retaliações por parte de criminosos, como mostrou a Folha.

A reportagem conversou com delegados e investigadores que participam da apuração para entender o que tem motivado a série de crimes na capital paulista.

Os investigadores ouvidos disseram que a maior parte dos homicídios ainda não esclarecida também envolve pessoas que usavam drogas e que eram suspeitas de cometer furtos e pequenos crimes.

Segundo essa hipótese, elas teriam sido mortas a mando de pessoas ligadas ao chamado tribunal do crime, que pune quem não segue as regras estabelecidas pelos criminosos.

"Ensacar e descartar é uma forma de melhor transportar o corpo e também evitar fluidos biológicos, sangue e odores. Além de dificultar localização, identificação e investigação", disse a diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, à Folha no início de outubro. Ela lidera as investigações.

Não há ligação entre os casos —os crimes foram cometidos por diferentes grupos, diz a polícia. A investigação ainda apura se há participação do PCC (Primeiro Comando da Capital) nas mortes ou se elas foram resultado de desavenças locais.

Em dois meses, entre 5 de setembro e esta quinta-feira (5), foram ao menos 14 cadáveres desovados em situações semelhantes na capital paulista, alguns deles amarrados com cordas. A Secretaria de Segurança Pública da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) contabiliza um total de 20 ocorrências em toda a região metropolitana de São Paulo.

O cadáver de um homem abandonado dentro de um carrinho de supermercado na avenida 23 de Maio, uma das principais vias de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (4), que estava a poucos metros de uma concentração de usuários de crack, não é tratado pela polícia no mesmo universo dos demais.

Um suspeito de envolvimento no crime foi preso pela Polícia Militar. Com ele foi encontrado um revólver. Conforme a Polícia Civil, o preso se manteve em silêncio, sem contribuir com a apuração.

Um dos casos investigados é o de Jean Victor Sousa Guimarães. O corpo dele foi encontrado em um terreno baldio na rua Paulo da Silva, no Jardim do Lago, zona oeste de São Paulo, em 22 de outubro. Uma câmera de segurança filmou o descarte do cadáver, que tinha as mãos amarradas e um saco na cabeça.

Informações passadas por familiares ajudaram a Polícia Civil a traçar o perfil da vítima, que nasceu em Valença (BA). Segundo os parentes, ele tinha histórico de uso de drogas e de furtos. Quando trabalhava em Santos, no litoral paulista, teria se desentendido com um colega, e os dois sacaram facas. Foi demitido e voltou a morar com uma tia.

A polícia não disse se o caso dele é um dos que já foram esclarecidos.

Desde que os corpos começaram a ser encontrados, a reportagem passou a ouvir delegados que atuam na periferia de São Paulo, acostumados a lidar com tribunais do crime e com o encontro de corpos enterrados em cemitérios clandestinos.

Um dos policiais apontou a dispersão da antiga cracolândia no centro de São Paulo como um fator que pode ter influenciado os crimes. Para ele, os usuários de drogas migraram para outros bairros, o que gerou conflito tanto com moradores quanto com traficantes que já atuavam nesses locais.

As mortes seriam uma resposta dos criminosos a essas disputas. O caso da 23 de Maio corrobora essa tese, que não é oficialmente confirmada pela polícia.

A vítima foi encontrada na avenida sob o viaduto Jaceguai com marcas de violência, como mordidas de cachorro e um ferimento na cabeça. Cordas estavam ao redor do cadáver, que não foi identificado até a manhã desta quinta (5).

Conforme o boletim de ocorrência, uma pessoa que passava pelo local estranhou um carrinho de supermercado na calçada, todo coberto com panos e um cobertor. Ao lado, havia uma poça de sangue. Policiais militares foram acionados e encontraram o corpo.

O local fica a poucos metros de um ponto de consumo de drogas. Alguns usuários passaram a se concentrar ali após a dispersão da antiga cracolândia. Moradores de rua relataram a investigadores que viram o carrinho parado no local de madrugada, mas que não foram verificar o que havia em seu interior.

Além disso, o PCC também foi mencionado por uma delegada ouvida pela reportagem. Segundo ela, grupos locais em geral preferem desovar corpos em áreas escondidas, como matagais, até para dificultar o trabalho da polícia. O fato de os cadáveres estarem sendo deixados nas ruas seria uma forma da facção mostrar sua presença e mandar um recado para desavenças.

Um dos maiores especialistas do país no combate ao PCC, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público paulista, considera que o abandono de corpos em áreas públicas é um aviso dos criminosos.

"Não acredito em nova dinâmica. A questão dos cemitérios clandestinos era para casos de julgamento pelo tribunal do crime, em que não precisam passar um recado para outros integrantes e para inimigos".

Para Rafael Alcadipani, professor da FGV na área de segurança pública, é necessária uma investigação aprofundada para saber o que ocorre na cidade.

"Você colocar uma pessoa morta num carrinho de supermercado no caminho da avenida 23 de Maio é você estar querendo mandar um sinal de poder. Já tem toda uma repercussão a respeito disso. Não é uma coisa que está começando agora. Quer se entrar dentro dessa lógica, dessa repercussão, que está acontecendo e mandar um sinal."

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que a Polícia Civil realiza diligências para esclarecer a morte do homem na 23 de Maio e que as outras apurações seguem em andamento. "O Departamento de Homicídios e as unidades descentralizadas aguardam a finalização de laudos periciais que devem subsidiar a continuidade das investigações sobre os casos".

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.