Em visita à França, Papa Leão XIV pede regras mais rígidas para que a humanidade não se perca 'em um paraíso das máquinas'

Leão XIV nem havia chegado a Paris e já falava de liberdade de imprensa. No avião, questionado sobre a decisão da Casa Branca de barrar jornalistas de alguns veículos, respondeu:
“Aqui, todos vocês são bem-vindos”.
Horas depois, na Unesco, diante de diplomatas e autoridades, Leão XIV criticou governantes que usam a lei quando serve aos seus interesses e a ignoram quando limita seu poder. Disse que até a justiça vem sendo tratada como mercadoria.
Na primeira encíclica, ele já havia alertado sobre os riscos da automação acelerada e pedido uma regulação ética da inteligência artificial. Nesta sexta-feira (25), falou do risco de um “paraíso de máquinas” em que a tecnologia termine por diminuir o próprio homem.
Em visita à França, Papa Leão XIV pede regras mais rígidas para que a humanidade não se perca 'em um paraíso das máquinas' — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O primeiro papa americano, de raízes francesas, está em um país secularizado, onde a laicidade está inscrita na Constituição. E chega justamente quando cresce o número de pessoas que procuram o batismo.
Então, Leão XIV chegou a Notre Dame. A catedral que quase desapareceu no fogo. A torre estreita que caiu diante do mundo, e uma cidade que assistiu, impotente, enquanto oito séculos de sua trajetória ardiam. Sete anos depois, Notre Dame estava novamente de pé, e um papa entrava por suas portas.
Notre Dame começou a ser construída em 1163. Foram quase dois séculos de obras até a catedral ganhar a forma que atravessaria a história de Paris. Uma história que nasceu também com o papado: Alexandre III estava na França, afastado de Roma, quando as obras começaram. Mais de oito séculos depois, Leão XIV é o quinto pontífice a visitá-la.
Leão XIV rezou as mesmas orações de Bento XVI na última visita de um pontífice a Paris, 18 anos atrás. Um gesto de continuidade, em uma catedral e em um país profundamente transformados desde então.
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