PEC da Segurança dá outra vitória à dobradinha Lula-Alcolumbre e isola o PL

Antes sem consenso — o que fez Alcolumbre, em mais um gesto de aliança, adiar o texto para depois das eleições —, na manhã desta terça-feira, o PT decidiu aprovar o texto sem discutir as emendas sobre a diminuição: a de Marinho e a de Camilo. Marinho tentou reagir. Pediu destaque para forçar a discussão em plenário. Mas o relator, Rogério Carvalho (PT), tinha outra saída: apresentou um requerimento para encaminhar ambas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a discussão passaria a tramitar em uma PEC separada.
O requerimento foi aprovado e, com a decisão, a discussão sobre a maioridade penal ficou para depois. Na prática, o governo conseguiu aprovar a PEC da forma que sempre quis: sem discutir a maioridade e rapidamente, sem ver o texto voltar para a Câmara — o que aconteceria caso as emendas fossem aprovadas.
O líder do PL não disfarçou a irritação. Antes da votação, já dizia a jornalistas que a oposição estava sendo escanteada. Ao orientar o voto de seu partido, classificou o episódio como "mais um estelionato eleitoral". Depois que as emendas foram retiradas de pauta, deixou o plenário alegando que participaria de uma reunião. Minutos depois, apareceu para uma coletiva de imprensa às pressas.
Marinho afirmou que está sendo escrita "uma página esquisita do Legislativo" e criticou o uso do instrumento regimental, que, segundo ele, cria um precedente perigoso para a presidência do Senado. Em mais de uma ocasião, recorreu à expressão "o chapéu muda de cabeça", numa referência indireta à condução de Alcolumbre. Não é uma provocação qualquer. Marinho pretende disputar novamente a presidência da Casa, mesmo disputando a oposição com a senadora Tereza Cristina (PP), que ganhou força após a fuga de Flávio Bolsonaro.
Nem mesmo a participação remota de Flávio, diretamente dos Estados Unidos, mudou o cenário. O senador Carlos Portinho (PL) precisou segurar as pontas em diferentes momentos, enquanto o partido tentava reagir a uma articulação que já parecia ter destino definido.
Do outro lado, o governo voltou a comemorar, dentro e fora do plenário. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, festejou a aprovação da PEC. Lula também celebrou o resultado e defendeu que a aprovação seja acompanhada da criação do Ministério da Segurança Pública, uma de suas propostas de governo, com foco em inteligência, planejamento e cooperação com estados e municípios no combate às facções e milícias.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.