'Batalha da Inajar': Justiça condena um corintiano por morte de palmeirense, outro por rixa e absolve 8 torcedores

Um dos réus, Carlos Roberto de Brito Júnior, 43 anos, o Neguinho, foi condenado a 16 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos homicídios de um dos palmeirenses _Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, de 19 anos. Ele é o único dos condenados que ficará preso.
O segundo réu foi condenado pelo crime de rixa, mas a punição está prescrita e, por isso, não será cumprida. Os outros oito réus foram absolvidos pelo Tribunal do Júri das acusações de homicídio e rixa _entre eles, Douglas Deungaro, o "Metaleiro".
O julgamento começou na segunda-feira (5) no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. A previsão do TJ era de que ele pudesse terminar até sexta-feira (9). Além dos acusados, 50 testemunhas estavam arroladas para serem ouvidas, mas 40 delas foram dispensadas.
Os palmeirenses André Lezo (à esquerda) e Guilherme Moreira (à direita) morreram em confronto com corintianos em 2012. Antonio Silva, o Donizete (ao centro), é um dos corintianos réus acusados dos homicídios. — Foto: Reprodução/Arquivo e Paulo Toledo Piza/g1
Tanto os depoimentos das testemunhas como os interrogatórios dos réus ocorreram ainda na segunda-feira. Nesta terça, os debates entre acusação e defesa começaram às 9h.
Sete jurados decidiram se condenavam ou absolviam os réus. Após a sustentação oral feita pelo Ministério Público (MP) e pelos advogados dos réus, o júri votou. A leitura da sentença foi feita pela juíza Flávia Castellar Olivério.

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Quem são os réus
Torcedores foram mortos após confrontos entre membros de organizadas na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo, em 2012 — Foto: TV Globo/Reprodução
- Antonio Alan Souza Silva, 48 anos, conhecido como Donizete: era presidente da Gaviões da Fiel na época do confronto. Segundo a acusação, teria participado da organização e da execução da ação e dado apoio moral e logístico para o confronto.
- Mario Batista, 46 anos, o Magoo: é acusado de ajudar a fornecer barras de ferro e cabos de ferramentas que teriam sido usados pelos torcedores durante a briga.
- Reinaldo Gilberto Alves, 48 anos, o Ade: também é acusado de ajudar no fornecimento de barras de ferro e cabos de ferramentas usados no confronto.
- Carlos Roberto de Brito Júnior, 43 anos, o Neguinho: é acusado de comprar fogos de artifício e organizar o transporte dos torcedores até o local da briga. Ele nega envolvimento. Um laudo de perícia grafotécnica afastou a possibilidade de semelhança entre a escrita dele e a de um bilhete usado na investigação.
- Douglas Deungaro, o Metaleiro: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e da execução do confronto.
- Rodrigo Reinaldet Daher, 48 anos, o Capetinha: é acusado de participar da organização e da execução da ação contra os palmeirenses.
- Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o Diguinho: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e da execução do confronto.
- Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, 46 anos, o Ninja: é acusado de participar da organização e da execução da briga.
- Wagner da Costa, 43 anos, o BO: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e da execução do confronto.
- Mario José Carneiro Pieroni, 38 anos: é acusado de participar da organização e da execução da ação.
A investigação policial não identificou, porém, quem foram os responsáveis diretos pelos golpes que provocaram as mortes de André e Guilherme. Os dez acusados negam participação nos homicídios e também negam que tenham planejado o confronto.
"Desde então meu cliente vive um inferno. O Douglas [Deungaro] sempre alegou inocência", disse nesta terça ao g1 o advogado Ricardo Martins, que defende um dos corintianos acusado.
O g1 não conseguiu localizar as defesas dos demais réus para se posicionar sobre o julgamento.
Processo dos palmeirenses

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Um décimo palmeirense também havia sido pronunciado por associação criminosa, mas morreu durante o andamento do processo, e o caso contra ele foi extinto.
Relembre o caso
Briga entre torcidas aconteceu em avenida da Zona Norte de São Paulo em 2012 — Foto: TV Globo/Reprodução
O confronto ocorreu na manhã de 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo. Naquele domingo, Corinthians e Palmeiras se enfrentariam pelo Campeonato Paulista, no Pacaembu.
Os palmeirenses haviam se reunido e caminhavam em direção à sede da Mancha Alvi Verde, na Rua Turiassu. Eles foram surpreendidos pelos corintianos na Avenida Inajar de Souza.
O grupo corintiano era numericamente superior e atacou os palmeirenses com barras de ferro, pedaços de madeira e fogos de artifício. André Lezo sofreu golpes na cabeça e morreu no mesmo dia. Guilherme sofreu traumatismo craniano e morreu dois dias depois.
A denúncia do Ministério Público descreveu a participação atribuída a cada um dos réus na preparação e na execução do confronto. A investigação, porém, não identificou quem foram os responsáveis diretos pelos golpes que provocaram as mortes.
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