“Poderemos receber um aviso de tsunami meia hora antes”

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Com o Smart Atlantic Cable, Portugal vai ser dos primeiros países, em termos mundiais, a ter a capacidade de detectar sismos e tsunamis em alto-mar e transmitir essa informação quase instantaneamente pra terra. Além de estudar as alterações climáticas, etc., toda essa informação é transportada em tempo real pra terra. Um sismo igual ao de 1969, se calhar, vai lhe dar a hipótese de receber um aviso de dezenas de segundos. Se calhar, quase um minuto.
Eu vi um artigo que falava disso.
A dizer: "Proteja-se, dentro de um minuto vai chegar um grandalhão mesmo."
Exato.
Em termos de tsunamis, se calhar, dá-lhe meia hora.
Hoje trago mais uma estreia e vou falar de cabos submarinos. Não andamos por eles, mas é graças a eles que temos internet. A rede mundial escoa 98% do tráfego de internet no mundo. Voz, dados, imagens, vídeos, mensagens, jogos, informação e aplicações. Já dizia Sir Arthur C. Clarke, escritor britânico de ficção científica e autor visionário de "2001: Uma Odisseia no Espaço" e também do conceito dos satélites pra telecomunicações. É verdade que um cabo submarino não é uma coisa que qualquer um possa ver, como uma ponte gigantesca ou um arranha-céus ou um navio. Faz o seu trabalho na escuridão das profundezas, num mundo inimaginável, na escuridão, frio e pressão eternos, povoado por criaturas que nenhum homem poderia ter concebido no delírio mais desenfreado. Contudo, desempenham uma função vital, como a dos nervos no corpo humano. É uma parte essencial do sistema mundial das comunicações que, se alguma vez falhasse, nos atiraria instantaneamente de volta pro isolamento dos nossos antepassados. Os cabos marinhos são, de fato, a espinha dorsal do sistema de comunicação global moderno. E 10% da sua rede mundial passa pelo nosso país, graças à nossa localização geoestratégica preferencial na interligação entre Europa, África e Américas. Pra saber mais, convidei o José Sousa Barros, ele é engenheiro de telecomunicações e eletrônica e é presidente do Conselho Consultivo do Observatório dos Ecossistemas e Infraestruturas Digitais, que há décadas se dedica a este tema. Olá, senhor engenheiro, e bem-haja por ter aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.
Muito obrigado, é um prazer.
É ótimo estar aqui consigo. O senhor é engenheiro de telecomunicações e eletrônica, tirado no Técnico, uma grande escola, a minha escola também. Trabalhou na Marconi, depois na Telecom, depois na Anacom. Já reformado, participa neste grupo de trabalho internacional sobre cabos da última geração, que além de telecomunicações, também são usados pela comunidade científica, porque com estes novos cabos podem transmitir informações sobre terremotos originados no mar, sobre tsunamis e tudo. Isso é muito curioso. Como voluntário, não tem largado esta atividade. Trabalha em vários councils e Smart Cables, JTF, na PQI, Portuguese Quantum Institute, na Portugal Data Center Association e nesse Observatório dos Ecossistemas e Infraestruturas Digitais. Nunca largou isto porque, de facto.
Estou reformado.
É a sua paixão.
Mas estou ocupado e gosto de me ocupar com estas coisas.
Claro que sim. É muito bonito. Aliás, em conversa consigo ao telefone antes, já tínhamos mencionado Sir Arthur Clarke, um visionário, este homem do Renascimento, que também tem uma grande admiração por ele. E falou dos cabos submarinos.
Tenho, até porque ele foi o pai dos satélites geoestacionários. Foi ele que teve a ideia e depois foi posta em prática, e que revolucionaram as comunicações entre os continentes. Os satélites tiveram o seu grande sucesso mais ou menos até o final dos anos 80 e começaram a decair a sua importância por causa dos cabos submarinos de fibra ótica.
Porque a velocidade de comunicação dos satélites é muito mais lenta que um cabo, uma fibra ótica.
O problema é que o satélite está a 36 mil km e funciona como um espelho, digamos assim, como um repetidor entre duas estações terrenas.
De cada terra. De uma estação envia para o satélite, o satélite envia pra outra.
Por exemplo, consegue-se interligar Sintra ao Japão, consegue-se interligar Sintra, por exemplo, ao Brasil ou à parte central dos Estados Unidos.
Passando por um satélite.
Não é o mesmo satélite que faz estas ligações, mas o conceito é esse. Para o serviço telefônico e para a televisão, e ainda em sistemas analógicos, o satélite era perfeito. Por exemplo, eu tenho a ideia que dos meus tempos da Marconi, que nos anos 80, princípio dos anos 90, o satélite assegurava perto de 90% da interligação intercontinental. E o resto é que era feito por cabo submarino ou sistema terrestre.
Exatamente.
Depois, com a digitalização, a transmissão do satélite tornou-se digital, mas tinha, além do seu delay, do atraso, que os cabos submarinos não introduziam, tinha outro problema, que era a largura de banda, que era restrita.
Isto tem a ver com aquela analogia que costuma fazer da autoestrada, que tem seis faixas ou tem duas. Quando tem duas, pode passar pouco tráfego.
O cabo submarino tinha 10 faixas.
Aí pode passar muito mais tipos de dados.
Muito mais tráfego, e o satélite só tinha duas.
É limitado na banda.
E, portanto, passavam poucos cargos, passavam poucos dados, e isso dava uma latência enorme.
Que este atraso é a latência.
E a largura de banda, portanto.
Você está me dizendo que tem baixa largura de banda e alta latência.
Para transmitir um e-mail, servia.
Tem um alto delay.
Para abrir o anexo que está no e-mail, estava ali quatro ou cinco minutos.
Demorava, exato.
E tinha-se essa experiência de quando não havia ligação por cabo submarino. Isto já mais recentemente. De qualquer modo Quando com o advento dos cabos submarinos, o Arthur C. Clarke, como visionário que é, apesar de ser o pai dos satélites e gostar de defender os seus satélites, reconheceu no texto que leu, nem sabia que tinha lido o texto.
Sim, é incrível.
Mas foi dos primeiros a reconhecer.
Aparece este texto dele, esta citação dele, em muitos trabalhos sobre cabos submarinos. Se isto desaparecesse, voltávamos quase à Idade da Pedra, diz ele. A comunicação.
Se desaparecer, não é uma correção, mas o modo como disse poderá induzir a erro. Os cabos submarinos asseguram, na prática, quase 100% da interligação de dados entre continentes. Não é a internet toda que está em jogo. Mas se eu quiser enviar um e-mail para os Estados Unidos, quase certeza que vai por cabo submarino. Pode-se ter a internet, servers que estão aqui na Europa ou em Portugal.
Ou pelos Starlinks, ou pelos satélites do Musk.
Isso é outra coisa. Não confundamos transmissão de dados entre continentes com os cabos submarinos que fazem petabits por segundo. Petabits é muito.
É mais que terabits, é milhares de terabits.
É milhares de terabits por segundo, enquanto o satélite não chega aos terabits. Essa é a primeira. O Starlink, o acesso a satélites de baixa órbita, que é o caso, estamos a falar de acesso. Se quiser, está a competir com o 5G ou com o 4G. Está a aceder à internet, seja o que for. Estamos a falar de transmissão pesada de dados entre continentes. E isso, sim, é que os cabos submarinos asseguram. Há quem diga 95, 99.
Já tenho visto, por isso é que eu disse a quase totalidade. 90%, porque li 99 em alguns sítios, noutros li 98.
Para não entrar nessas, eu digo que é perto de 100% e não fica longe disso.
Vamos então definir o que é, o que são cabos submarinos e pra que servem. No fundo, é um meio de comunicação, que suporta quase a totalidade do tráfego internacional.
Intercontinental. Muito tráfego, por exemplo, de Portugal pra Europa, vai também por cabo submarino. Há a parte que vai por sistemas terrestres até Espanha.
Que é por fios, por cabos elétricos?
Não, cabos de fibra ótica. Cabos de fibra ótica terrestres vão até Espanha.
Como tem a REN.
E eventualmente, através de Espanha, pode-se aceder a outros países por cabo submarino ou por sistemas terrestres e por aí fora.
Normalmente, são alguns fios de vidro. Antigamente, acho que eram de cobre, protegidos por um plástico, e fios de aço em alguns cabimentos. Aquilo, no fundo, são fotões que passam dentro das fibras óticas. Antigamente, eram elétrons no cobre.
Antigamente, era a transmissão elétrica, agora é a transmissão ótica.
Esta fibra ótica tem um diâmetro de alguns micrômetros.
É um cabelo.
É um bocadinho maior que um cabelo. É impressionante. Estas fibras óticas que estamos a falar que existem nos cabos submarinos, são as mesmas que nós vemos da MEO ou da NOS, que chegam às nossas casas?
É do mesmo estilo. O que é que estas poderão ser mais puras, introduzir menos perda, mas o princípio julgo que é o mesmo. Pode dizer que isso é sílica, é areia do mar.
Ok. A velocidade de propagação da luz em espaço aberto, em espaço livre, sabemos que é 300 mil km/s. Tudo bem. Numa fibra ótica é de 200 mil km/s.
É dois terços.
É impressionante. O sinal demora cinco milissegundos pra percorrer cada mil quilômetros. Portanto, é uma coisa extraordinária. Ao passo que via satélite, seria 250 milissegundos, isto é, oito vezes mais lento.
Se for um satélite geoestacionário, está a 36 mil km pra chegar ao satélite e outros 36 mil pra descer. E depois, pra ter a resposta à sua pergunta, por exemplo, numa conversa telefónica, tem mais 72 mil km de ida. Mas o satélite foi maravilhoso.
Sim, claro.
As pessoas estavam habituadas ao delay. Para os PALOP, em 1980 e tal, 1990, era tudo por satélite.
E funcionou.
Para os Açores, era tudo por satélite. Só a partir do final do século passado é que começou a ser por cabo submarino.
Eu estouva aqui repercutindo ao pensar na história dos cabos. Lembro-me bem daquele de 1850. 1850, é brutal isto. O ITT, a União fez 150 anos há uns anos. Em 1850, fez a primeira ligação por cabo entre a França e a Inglaterra. E oito anos depois, a primeira transatlântica, Irlanda-Canadá. E eu acho que azar, por quê? Esta de Irlanda-Canadá não durou muito e dava seis palavras por hora. Isto é extraordinário. Ao passo que em 1866, já era oito palavras por minuto. Isto foi um grande avanço na técnica, era a oitava maravilha do mundo.
Porque fazia só a comparação, pra fazer uma pergunta a alguém de Inglaterra para os Estados Unidos e ter a resposta, demorava-se se calhar um mês e meio, porque era o navio.
Exatamente. O avanço que isto foi, foi extraordinário.
Teve horas, e o Reino Unido, que era o primeiro utilizador do cabo submarino, ganhou uma vantagem enorme. Há uma expressão, uma frase que define bem isto, que os cabos telegráficos desse tempo serviram os impérios Os cabos coaxiais passaram a servir as nações e os cabos digitais as pessoas. Eu acho delicioso isso.
É muito bonita essa evolução.
Foi do comissário da exposição, o Engenheiro Morais Oliveira, da exposição que foi feita em 2015 para celebrar os 150 anos da UT.
Exatamente. Houve aqui uma grande exposição em maio de 2015 até maio de 2016, na Fundação Portuguesa das Telecomunicações, ali em Santos.
Era para ser uma exposição temporária, teve bastante tempo.
"O Cabo Submarino no Mar de Conetividade", chamava-se. Uma grande exposição extraordinária, que acho que devia voltar, devia ser permanente, devia estar lá sempre.
Ainda está lá alguma coisa. E julgo que há intenções da fundação.
Não se via isto, os repetidores, essas coisas são importantes, os cabos. Tem uma espécie de baínha em todos os tipos de cabos submarinos, mas que não existem nas secções de grande fundo. Isto é assim, isto é produzido.
O cabo submarino, se anda em águas rasas, tem que ser protegido mecanicamente, entrelaçado com aço.
Entre plataformas continentais, digamos assim.
Sim, até mais ou menos 2 km de profundidade, ele vai sendo protegido.
Dentro de uma baínha, digamos assim.
Sim, para resistir de aço. E à medida que entra em grandes profundidades, já não precisa, e é uma mangueira de jardim, nem 2 cm, se calhar, de diâmetro.
Cabem lá os cabos todos. Aquilo são várias fibras.
Vários pares de fibras óticas, cabem lá isso tudo. E de facto nem 2 cm de diâmetro tem.
É impressionante. O que é que pode danificar? Estou a pensar em tsunamis, em maremotos.
Nas águas rasas.
E as famosas mordeduras de tubarão.
Sim, nas águas rasas, ele é protegido.
A pesca de arrasto, por exemplo.
A pesca de arrasto é terrível. É um risco enorme. Outro risco enorme são as âncoras. Os navios quando fundeiam, etc. Se a âncora começa a arrastar, pode encalhar no cabo e parte-o.
Aquilo não é só pousado, aquilo dá uma espécie de charrua. Não é?
Às vezes, o cabo é enterrado, e é uma charrua que vai lá para baixo, cava, deixa cair o cabo e tapa.
Mas nem todos os fundos são areia.
Tenta-se sempre escolher fundos de areia, mas quando é rochoso e quando não há outro meio, terá que ser ainda mais protegido.
A profundidade média dos cabos anda pelos 4.000 km. É brutal.
Entre o continente e os Açores chega a atingir, e a Madeira, 5 km de profundidade. Mas eles vão a mais fundo do que isso. No Índico são capazes de ir mais fundo e no Pacífico também. Não muito mais, mas mais fundo.
Lembrando aqui, só fazendo um bocadinho de história, que em Portugal foi em 8 de junho de 1870, entrou ao serviço o primeiro cabo telegráfico submarino, que ligava Portugal, ali de Carcavelos, até Inglaterra. Trocaram o Rei D. Luís umas mensagens com o Rei D. Vitória, sua parente. Partia ali de Carcavelos, foi a primeira estação. Onde é o Santo Amaro agora.
Como eu disse, os cabos telegráficos ligavam os impérios. Ou seja, o Reino Unido precisava de um cabo que o ligasse à sua joia da coroa.
Na exposição estava o mapa famoso da Índia.
Da Cable & Wireless.
Exatamente. A Commonwealth toda.
Tinha que chegar. Esse cabo até é curioso, põe no centro do mapa o Reino Unido. Aquilo já não era o centro do mundo, era o centro do universo.
Exato. Depois tinha as linhas de canadas a sair para todo o mundo.
E eles precisavam se interligar à Índia. E Portugal estava no caminho, devido à sua posição.
Exato, estratégia extraordinária.
Ganhámos logo aí um cabo para Inglaterra e outro cabo que estava o erro, esse ia até Gibraltar. E de Gibraltar ia a Malta, as possessões inglesas por aí fora, Suez, etc. E chegava à Índia. E isso deu uma vantagem enorme ao Reino Unido, as comunicações por cabo.
Claro, exatamente. Com todas as suas colônias, que eram imensas. E no mundo inteiro. Em 1870, até nessa exposição havia uma fotografia da família real que foi à inauguração do cabo submarino com os Açores, ligação aos Açores, não foi? 1893, estávamos aqui.
Essa data é a primeira. Porque os Açores passaram a ter um papel de centralidade atlântica.
Também ali entre a Europa e a América.
Faço a analogia com os Clippers da Pan Am, que vinham dos Estados Unidos para a Europa. Tinham todos que abastecer nos Açores. Não havia nenhum que cruzasse diretamente o Atlântico.
Não havia autonomia suficiente.
Paravam na Horta. Os cabos seguiram este caminho. Como era impossível ter um cabo telegráfico devido às perdas entre a Europa, ou iam pela Irlanda, Canadá do Norte e desciam, ou então vinham aos Açores, dos Açores conseguia-se chegar lá ao fundo. E nessa altura chegaram a ter 14 ou 15 cabos internacionais, os Açores.
É impressionante.
Era brutal mesmo. E tinham cabos para a Alemanha, para a Inglaterra, para a França, para a Itália, para o continente português, e depois tinham cabos dali dos Açores para o Canadá, para os Estados Unidos, para a América do Sul também. Portanto, aquilo era um ponto de centralidade mesmo.
Antes de lançar um cabo, engenheiro, faz-se sempre o levantamento topográfico das condições do fundo do mar. É a chamada batimetria. Não sei se eu conhecia este termo.
Sim, não é topográfica, é batimétrica.
Batimétrica, é a medição da profundidade dos oceanos. Há um barco que varre.
Mas no fundo, estão a levantar o fundo dos oceanos, que já agora, por curiosidade, é muito mais invulgar e muito mais acidentado.
Do que a superfície terrestre?
Exatamente.
Porque não tem a erosão.
A maior montanha no espaço português é o Monte Gorins.
Que é onde?
Que é a sueste de Sagres, mais ou menos, e que tem 5 km de altitude.
5 km de altura?
Sim, mais ou menos.
Desde o seu fundo, que está no fundo do mar.
Sim, é a maior montanha.
É extraordinário, não fazia ideia. De facto, isto é instalado por estes navios especializados, não é? Estes cabos em cubas cilíndricas no porão, com milhares de quilómetros.
Sim, consegue-se acomodar muito cabo. Muitas vezes a distância é muito grande, começa a lançar numa ponta, chega-se ao fim do cabo, deixa-se numa boia no meio do oceano, vai-se à outra ponta e depois fazem a soldadura do cabo e instalam-se.
Ainda há dois anos, se não me engano, houve este África 2 ou 2 África. Aqui que subiu aqui que Carcavelos viu-se.
Veio de Inglaterra, passa por aqui, dá a volta a África, sobe o canal de Suez, vem pelo Mediterrâneo até Barcelona.
Então contorna África?
Sim, ou seja, quer enviar dados para Moçambique, quer dizer, ou envia pela rota do Cabo ou envia pela outra. Isso depois é uma decisão.
Por isso é que é bom haver estes anéis, como os Açores. Vai-se instalar agora um novo. Atlantic.
Neste momento, que é o Atlantic Cam. Neste momento, nos Açores, há um sistema já velhinho, ainda do tempo da Marconi, que interliga Carcavelos aos Açores, a Ponta Delgada, de Carcavelos ao Funchal, e depois há o outro sistema.
O Cam Ring, era assim que se chamava.
É o Cam Ring, que era do tempo da Marconi, da Portugal Telecom, agora da MEO. E esse sistema está—
Obsoleto?
Não, obsoleto não está.
Tem pouca capacidade, se calhar.
Tem pouca capacidade já, mas está a chegar ao fim da vida útil contratual.
Acho que isto tem um tempo.
Portanto, os riscos são maiores de haver defeitos, de avaria, etc.
Muito bem. Então, senhor engenheiro José Sousa Barros, temos que fazer aqui um brevíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com o engenheiro José Sousa Barros. Ele é engenheiro de eletrónica e de telecomunicações, que há décadas se especializou em cabos submarinos, que são, afinal, a espinha dorsal do sistema de comunicação global moderno. É afinal graças à sua rede mundial, 10% da qual passa pelo nosso país, que, pode-se dizer assim, que nós temos a internet a funcionar, que tanta falta nos faz. Estamos a falar de fibras óticas, estamos a falar de Portugal, dos primeiros cabos que houve, como é que isto é instalado. A vida útil dos cabos é à volta de 25 anos, isto mantém-se?
Por contrato, sim. Portanto, os cabos têm que ser projetados para estar a trabalhar durante um certo tempo.
Até porque vem o 4G, depois o 5G, daqui a 10 anos já temos o 6G.
Não, isso é o tráfego que lá passa. Os componentes eletrónicos e os componentes mecânicos, etc, são projetados para aguentarem um determinado tempo de vida sem grandes avarias. Isso é por contrato. A partir de uma certa altura, o fabricante deixa de se comprometer com essa garantia. Tem que haver um limite. E já há muitos anos que o limite tem sido 25 anos e a indústria trabalha nesse sentido.
Com essa meta.
Se quiser, pode dizer: "Mas 25 anos é um tempo muito grande". É verdade, agora com o Atlantic Cam vamos ter o 5G, dentro de 10 anos, se calhar, o 6G, outros 10 anos o 7G e o cabo continua a existir. Ou seja, vai haver disrupções no tráfego que vai ter que aguentar. Eu calculo que daqui a 15 anos já não vai ser suficiente.
As coisas também não estão a acelerar muito com esta evolução dos dados.
Estão. Com a inteligência artificial é brutal. Os sistemas que existem neste momento não tiveram em consideração esta disrupção, há quem chame a isto os dados sintéticos, que é da inteligência artificial. Os sistemas que existem, que estão agora em funcionamento, foram projetados há quatro ou cinco anos. De início, mas nessa altura não se tinha noção.
Da dimensão.
E tinha-se um planeamento de ocupação.
Da disrupção que ia ser.
E agora demos uns saltos bruscos.
Sim.
E eu estou convencido que ainda antes de 2030, se calhar, mais de 30% de todo o tráfego de dados nos cabos submarinos será sintético, inteligência artificial. E não vamos ter capacidade. Há poucos fornecedores globais. Temos o francês ASN.
ASN também tem um terço, 37%, não sei o quê. Vi um gráfico que mostrou.
Tem a NEC japonesa, a Huawei chinesa e a americana SubCom. Apareceu agora um outro europeu que se pretende tornar fornecedor global, que é a Prysmian. É italiana, mas tem capitais dispersos na bolsa, mas é italiana. Mas esperamos que haja mais.
É preciso.
Porque quando se encomenda agora um cabo, demora quatro anos até ele estar ao serviço.
É brutal. É muito tempo.
E está a ver, com estes planeamentos difíceis de se fazer, de conseguir ver o que é que existe daqui a cinco anos.
Imaginar o futuro.
Com as calças na mão.
Pois, exactamente. Atlantic Cab, portanto, é este anel de 4 mil km que vai ligar o continente dos Açores e a Madeira, e que está numa área de encontro de três placas tectônicas. Nós temos uma sorte extraordinária com a nossa situação e toda a zona económica exclusiva, tudo isto. E acho que se alargarem as nossas águas territoriais, ainda vai ser 4 milhões de quilómetros quadrados. É impressionante. Mas de fato, este novo Atlantic Cab é também um Smart Cable. Agora, há esta coisa dos Smart Cables. Aliás, Smart quer dizer Science Monitoring and Reliable Telecomunication.
Sim, não é inteligente.
Está bem. Ah, pois, as pessoas acham que é Smart.
Pois, julgo que esse acrônimo foi utilizado de um jeito. Nasceu esse conceito em 2010, 2011.
É marketing.
Foi.
Mas é importante.
E na altura, o Smart, etc. O Smart Cable o que é? É um cabo de telecomunicações que passou a ser uma infraestrutura multipropósito, isto é, faz mais do que telecomunicação.
Pois, não é só para telecomunicações.
E qual foi o que se pensou? Haviam já cabos com sensores há mais de 20 anos, que existem. Os japoneses já os tinham, já os fabricavam e já os instalavam.
Estes sensores são coisas que detetam, por exemplo, terremotos? Uma parte sísmica?
Tem um sismômetro e tem um sensor de pressão. Esses cabos dos japoneses faziam isso ao largo do Japão, mas eram cabos dedicados a isso. Caríssimos. E o cliente era o governo japonês, que os comprava para ter os early warnings, os avisos precoces.
Tsunamis.
Tsunamis. Bem precisão. E eles bem se preocupam com isso.
Claro, e bem.
Mas só havia cabos dedicados. E eu desconhecia isto. Esta vontade nasceu em 2018. Houve um workshop organizado pela Anacom.
Entidade nacional que se dedica às telecomunicações.
Se perguntou ao setor: "Como é que é isto agora para o futuro cabo entre os Açores e a Madeira e o continente? Este Cab Ring vai acabar dentro de poucos anos, temos que preparar". E perguntou ao setor. Ora, era um cabo, nos Açores há 250 mil pessoas, números redondos, na Madeira, idem, e no continente, 10 milhões. Não havia business case.
Não é um mercado suficiente.
Um operador privado não investiria nisto. E essa pergunta foi feita e a resposta, como era de esperar, ninguém apareceu interessado em fazer esse cabo.
A concorrer.
Ainda. Por que a Marconi o fez? Porque a Marconi, no passado, tinha a concessão do Estado português e tinha a obrigação, entre aspas, de o fazer e fê-lo. Mas agora já não, não há concessões. Então, a pergunta foi feita.
O cabo liberalizou-se, exato.
O governo da altura organizou um grupo de trabalho em que propôs: "Estudem lá isso e proponham recomendações". Só que nesse workshop, em 2018, houve quem fizesse o desafio ao setor. Não interessa agora quem.
Sim, uma das entidades de telecomunicações.
Mas fê-lo assim de um modo um bocado esgarrado e inesperado.
Por que não fazem um consórcio?
Não. Estas coisas, as pessoas leem coisas na internet, na véspera e tal, e cabos com detecção sísmica. Só havia os japoneses, mas não eram cabos de telecomunicações.
Sim.
Pegou-se nessa ideia, pronto.
Decidiram juntar, por que não juntar?
Pegou-se nessa ideia e começámos, eu e mais alguns colegas.
Deixou o observatório.
Não, o observatório ainda não existia nessa altura. Eu digo o nome do engenheiro Vasco Sá, por exemplo, que é meu antigo colega da Marconi. Começámos, mas só há cabos dedicados.
À parte sísmica.
E descobrimos que havia uma coisa que se chamava Joint Task Force Smart Cables, que dava resposta ao que pretendíamos. Mas ainda antes disso, eu andava assim um bocado perdido e andava a perguntar, e um dia ao professor João Nuno Ferreira da FCCN, perguntei: "Ajude-me lá. Eu preciso saber disto, sabes se em Portugal há alguém?" E ele disse-me uma coisa óbvia: "Já falou com o professor Carlos Macedo". Desculpe, professor Carlos Salema, desculpe ter trocado o nome.
Sente bem. Exatamente.
E eu: "Não". E nesse dia telefonei.
Morreu agora, aliás, há muito pouco tempo.
Eu sei. E o professor Carlos Salema disse: "Ó José Vasco, você não vai falar com mais ninguém". Foi de modo diferente: "O professor Yasser Omar ainda hoje lhe vai telefonar". E eu: "Está bem".
O professor Yasser Omar é do técnico também, professor, e é especialista em mecânica quântica, é a área dele.
Pronto. O professor Yasser Omar telefona e conta-me o seguinte: nós, nuns testes de transmissão quântica num cabo submarino entre Malta e a Sicília, acho eu, da Itália, era um cabo não muito longo, sem repetidores, apercebemo-nos que as vibrações sísmicas eram detectadas pela fibra ótica na transmissão que estávamos a fazer. Não percebíamos, ao princípio, por que é que tínhamos aquelas perturbações. Depois alguém se lembrou de cruzar essa informação e aquilo estava sincronizado com a detecção sísmica. E eu disse: "Professor Yasser, mas eu quero isso".
É isso que estamos à procura.
É isso que estamos à procura.
Muito curioso.
Portanto, isso era um optical fiber sensor.
Muito bom. Parabéns.
Mas isso ainda está em desenvolvimento, passado estes anos todos, ainda está em research e development.
Development, sim.
Mas, entretanto descobrimos os Smart Cables. E os Smart Cables Acabou por suceder o que queríamos, ou seja, um cabo de telecomunicações que de vez em quando tem uns sensores plantados.
Tem a parte de telecom e a parte observador, com os sensores húmidos.
Exatamente.
Estamos na casa certa para falar da parte observador.
E essa informação dava resposta. Ainda por cima, em termos de custos, o cabo de telecomunicações custa 100. Se pusermos essa parte de observação, é um pequeno acréscimo de 15, 20%. Apanhando boleia de um cabo de telecomunicações.
Se comprassem os japoneses dedicados, pagavam 10 vezes mais. Incrível.
Assim tudo nasceu e foi sempre num clima de voluntariado e com uma grande motivação e entusiasmo, envolvemos as pessoas certas. Tivemos essa sorte, pelo Instituto de Telecomunicações estava o Yasser Omar, o Vasco Sá, o Manfred Nils, o IPMA, que era fundamental por causa da detecção sísmica. Estava o Fernando Carrilho, o Rachid Mira.
Juntou-se ali uma-
O Instituto Dom Luís, da parte sísmica, estava o professor, agora está me a falhar o nome, era o Luís Matias e Carlos Corella. Começamos em regime de voluntário, a fazer reuniões, a trabalhar em conjunto. Veio o Covid, que ajudou a isto tudo, porque estávamos todos confinados em casa, por Zooms, etc. Continuávamos, até que conseguimos duas coisas. Junto à Joint Task Force Smart Cables, que eles promoveram junto à indústria para aparecer pelo menos um fabricante a dizer que fazia um Smart Cable, que não havia nenhum. E conseguimos. Apareceu a AESN e gostávamos que aparecessem mais, mas para já, a AESN. A outra, era preciso dar uma lista de especificações técnicas ao operador que ia ficar com o cabo, que era a IP Telecom, e o consórcio que foi formado, este informal, era o LEIA, que era o Listening the Earth Under the Atlantic. Eu acho que a ideia foi do Yasser Omar. Éramos todos do LEIA. A ANACOM não estava no LEIA, mas participava e facilitava e tentava ajudar. E foi finalmente dado à IP Telecom a lista de especificações, que foi depois utilizada no caderno de encargos.
Para a construção. Fabrico.
E no concurso internacional ao qual a AESN foi escolhida e assim a coisa foi para frente.
Como é que seria o mundo sem os cabos submarinos?
Olhe, eu devolvo-lhe a pergunta assim: acha que se não tivesse o acesso, estivéssemos nos Açores ou na Madeira, como é que fazia o acesso Multibanco? Se calhar via satélite, mas com restrições.
Vinha menos dinheiro.
Como é que envia o e-mail para abrir o attachments de um PowerPoint ou uma coisa assim?
Como é que era há 30 anos? Como é que a gente faria?
Com os sete megabytes, como é que fazia a coisa?
Ia perder. Era um atraso de vida.
Esqueça a inteligência artificial, esqueça as buscas que faz na internet com a rapidez que faz hoje, esqueça isso tudo.
Em 2012 havia 900 mil km de cabos submarinos no mundo. Em 2022, já um milhão, um milhão e meio.
Espere mais cinco anos e vai duplicar ou triplicar isso.
É? Com certeza.
Não tenho números.
Aqui de Portugal, isto é uma coisa muito estratégica também. É uma infraestrutura crítica. Isto é, o governo não está obrigado a proteger ou fazer corredores.
Espera aí. Primeiro, ainda está para ser atribuída a classificação de infraestrutura crítica aos cabos submarinos.
Porque não é.
Toda a gente diz que é.
Mas não é no papel.
No papel ainda não é.
Mas é uma questão também de soberania e de proteção de dados.
Não me pergunte isso a mim.
Não há sabotagens e pode haver cyber ataques.
Uma coisa é riscos, e desses já falámos, as âncoras. A outra coisa são os tubarões. Isso foi a indústria americana que em uma certa altura queria vender os cabos mais armados, mais protegidos.
Por causa das mordeduras dos tubarões. É irrisório, não é?
Por confirmar, acho que houve uma ou duas mordeduras.
Mas que podem romper um cabo destes com esta espessura? Tem três aços.
Não, com aço, porque os americanos queriam que nós comprássemos cabos protegidos com aço e diziam que havia tubarões. Mas isto também era um rumor que corria, não sei se é verdade ou não. Agora, se me dissesse um cabo analógico ou telegráfico, tem transmissão elétrica, podia haver ali alguma indução que o tubarão sentisse ou qualquer coisa.
Sim, impulsos.
Estes cabos de fibra ótica não há perdas para fora. Bem, sei que há um condutor de cobre para alimentar os retidores.
E depois também sai cá esses retidores. Isto não é um cabo só que parte daqui, de Carcavelos, e chega lá. Não. Vai tendo umas unidades.
Até 200, 300 km, depende da solução, consegue-se fazer sem repetidores. Depois o sinal vai se atenuando, tem que ser regenerado e amplificado.
Daí os tais repetidores.
Esses cabos têm com repetidores, têm o espaço de repetidores.
Atualmente, um sistema submarino de ótica com repetidor tem capacidade de transmissão de 401 terabytes, terabits.
Bits.
Terabits por segundo. Permite estabelecer 10 mil milhões de conversações telefónicas simultâneas, ou seja, 10 milhões de canais de televisão, ou seja, transmitir o conteúdo de cinco milhões de livros por segundo. Nós não temos noção.
Não, não têm.
E a energia que isto gasta? Eu penso sempre nos centrais de dados, porque o grande problema da inteligência social é a energia que precisam.
Sobre os cabos submarinos, a energia que se gasta hoje para alimentar os repetidores, é essa energia que se gastava em cada cabo. Mais ou menos.
Agora há mais cabos também.
Claro, há mais cabos, etc. Mas não é por aí que se está a gastar muita energia. Agora, em data centers, etc., sim.
É aí que se gasta. É brutal.
Mas se nós temos energia, podemos ter os data centers. Se não tivermos a energia, vamos aos data centers de Espanha ou de França, etc. Mas para se temos energia, e eu espero que tenhamos os data centers cá, porque senão estamos a exportar energia com o prejuízo de nós próprios. Porque os data centers têm que estar cá.
Sim. Nós temos estas Cable Landing Stations, estas CLSs, em Carcavelos, no Seixal, Sesimbra e em Sines.
Sim, no continente, sim. E foi anunciado pela MEO que tem intenções de pôr uma também no norte do país.
Prevê-se na Póvoa, em Aveiro, Figueira, em São Martinho do Porto
Não, isso foi um exercício que eu fiz.
Está bem.
Os cabos submarinos não podem andar muito tempo em águas rasas, porque ficam mais caros, têm que ser mais protegidos e isso torna-os mais caros. Os cabos estão a amarrar todos a sul de Lisboa, não é por ser a capital, não é nada disso, não há regionalismo. O declive para mar profundo é muito mais rápido a sul de Carcavelos para sul. Por isso, o melhor sítio, se calhar, é Sesimbra, que entra no canhão do Sado rapidamente. A seguir, talvez o melhor sítio seja Carcavelos, depois Seixal, Fonta Telha, por aí fora. Sines, se calhar em águas rasas, destes é o pior. É o pior, mas por poucos quilômetros. Agora, se for para o norte, as águas estão muito mais rasas.
Portanto, é pior.
Por que São Martinho do Porto? Porque daí pode-se chegar ao canhão da Nazaré com facilidade e pôr-se lá o cabo lá fundo. Aveiro não é grande coisa em termos de águas rasas, ali para o lado de Várzea, etc., já melhora um bocadinho, mas é sempre pior que pela Lisboa. Mas nós temos estações em Portugal, em todas as ilhas dos Açores e na Porto Santo e na Madeira também.
Há também uma proposta de fazer estes corredores dedicados, como por exemplo, o de Sines, uma faixa de 500 km² com 55 km.
Isso tem uma história engraçada.
Temos 20 segundos. Vamos a isso.
Foi proposto, na altura, estabelecer zonas cinzentas onde podem estar cabos submarinos. Não se sabe quantos, nem quais são. Mas são zonas cinzentas onde a indústria, a pesca, os navios sabem que não podem fundear aí, nem podem praticar pesca de arrasto. E essa zona deve estar sob monitorização especial.
Vigilância, claro. Também acho uma coisa que falha muito.
Já agora, só mesmo para acabar, que eu acho que me entusiasmei e falei de outras coisas.
Não, ainda bem.
Com o Smart Atlantic Cam, Portugal vai ser dos primeiros países em termos mundiais a ter a capacidade de detetar sismos e tsunamis em alto-mar e transmitir essa informação quase instantaneamente para Terra. Além de estudar as alterações climáticas, etc., toda essa informação é transportada em tempo real para Terra. Um sismo igual ao de 1969, se calhar, vai lhe dar a hipótese de receber um aviso de dezenas de segundos, se calhar quase um minuto, a dizer: "Proteja-se, dentro de um minuto vai chegar um grandalhão".
Exato. Isso é um avanço imenso.
Em termos de tsunamis, se calhar dá-lhe meia hora.
Uns minutos, exato.
Agora veja, as vidas e feridos são salvos.
É extraordinário.
Se tivermos o azar disso acontecer, o investimento é pago três a quatro vezes.
Exatamente. De facto, o Atlantic Cam é um cabo de boa esperança no mar de oportunidades. Oxalá este avance para frente e oxalá o senhor continue com esse entusiasmo, engenheiro José Barros, a falar disto, que de facto é uma coisa importante. Nunca larga estes observatórios e estes grupos onde está, porque com o seu know-how consegue de facto ajudar para se fazerem boas decisões. Nós precisamos muito disto, comunicações a crescer, a aumentar, e a serem cada vez mais rápidas, mais em tempo real, mais fidedignas. E esta coisa de aliar as telecomunicações à informação da ciência, nomeadamente os sismólogos e dos terramotos e tsunamis, nem sabemos a importância que isto tem e que devia ser falado todos os dias. Bem-hajaa, senhor engenheiro. Muito obrigado pelo seu tempo.
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