Lula deseja êxito a Pedro Alliana, novo presidente do Paraguai após queda de Peña
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desejou "pleno êxito" ao novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado nesta sexta-feira (6) logo após a conclusão do processo de impeachment contra Santiago Peña, então chefe do Executivo, que está em prisão domiciliar em Assunção.
"Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul', escreveu Lula.
"Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade", disse.
Alliana respondeu à mensagem logo em seguida. "Estimado Presidente, muito grato pelo seu cumprimento. Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos!", escreveu o novo presidente paraguaio.
Conservador, integrante do hegemônico Partido Colorado e aliado de Donald Trump na América Latina, Peña mantinha relação cordial com Lula durante o mandato de ambos. O paraguaio estava à frente do país desde 2023, ano em que o petista reassumiu o Planalto para seu terceiro mandato.
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Em julho deste ano, os dois passaram por breve atrito após Lula mencionar a Guerra do Paraguai em uma visita a uma companhia de defesa em Jacareí (SP). "Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", disse o petista.
A declaração não está equivocada, mas a mera menção ao conflito do século 19, o maior da América Latina e responsável por devastar o país vizinho, foi suficiente para que o governo paraguaio fosse pressionado por dias a tomar ações mais duras contra o governo Lula. Assunção convocou o embaixador brasileiro no país e entregou nota de repúdio.
Foi o próprio Alliana, então vice de Peña, quem entregou a nota. "Nós também não queremos aprofundar muito essa questão [...] em plena campanha eleitoral", afirmou Alliana na ocasião, ao ser questionado por um jornalista em uma entrevista coletiva após o encontro. "O que menos queremos é que eles pensem que pretendemos interferir nas eleições."
Peña foi preso nesta sexta-feira (6), horas depois da aprovação do impeachment no Congresso que o removeu do cargo. O político do Partido Colorado foi informado da ordem por agentes e fica detido em prisão domiciliar até se apresentar à Procuradoria —segundo fiscais afirmaram à imprensa local, Peña deve se apresentar às 11h.
Agentes que ingressaram na residência de Peña afirmaram à imprensa paraguaia na frente da residência que o ex-presidente ficará em prisão domiciliar porque assim determinava a ordem de detenção emitida minutos após a aprovação do impeachment.
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