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Saturday, October 17, 2026

Magalu, Smart Fit e Raia: as apostas do UBS BB após rali de 20% no varejo com eleições

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RESUMO +

As ações brasileiras de varejo subiram, em média, 20% entre o primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro, e quinta-feira, 15, segundo relatório do banco UBS BB. A queda de cerca de 170 pontos-base nos juros de longo prazo impulsionou o setor. Apesar do avanço, o banco prevê consumo mais fraco e afirma que os papéis ainda negociam abaixo da média histórica.

As ações brasileiras de varejo subiram, em média, 20% desde o primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro, impulsionadas pela queda de cerca de 170 pontos-base nos juros de longo prazo. Apesar da valorização, os papéis ainda negociam abaixo de suas médias históricas, segundo relatório do UBS BB.

O banco revisou as estimativas para as empresas do setor, incorporando juros menores e um custo de capital mais baixo, mas vê sinais de desaceleração do consumo que podem pressionar os resultados no curto prazo.

No mesmo período, até quinta-feira, 15, o Ibovespa avançou 14%, enquanto os títulos brasileiros de dez anos registraram recuo de aproximadamente 170 pontos-base nos rendimentos. Desde o início de setembro, antes mesmo da votação, a alta média das ações de varejo acompanhadas pelo UBS chega a 30%, ante 18% do principal índice da B3.

Mesmo após o rali, o múltiplo preço sobre lucro (P/L) médio estimado para 2027 e 2028 das empresas sob cobertura do banco está em 10 e nove vezes, respectivamente, abaixo da média histórica de 17 vezes dos últimos dez anos.

Para o UBS, a combinação de juros menores e redução do custo de capital abre espaço para novas valorizações, embora as preocupações com o crescimento estrutural do setor possam impedir uma recuperação completa dos múltiplos.

Entre os fatores que limitam essa perspectiva estão a concorrência internacional, a migração para o comércio eletrônico e as mudanças demográficas e no comportamento dos consumidores.

“Embora a perspectiva de juros mais baixos tenha criado — e possa continuar criando — espaço para uma reprecificação adicional das ações de varejo, acreditamos que as preocupações com o crescimento estrutural de longo prazo podem persistir e limitar uma recuperação completa dos múltiplos até suas médias históricas”, afirmam os analistas.

Juros menores compensam revisão operacional

A revisão das projeções reflete duas forças em direções opostas. De um lado, o UBS reduziu em 1% suas estimativas médias de receita operacional medida pelo EBITDA para 2027 e 2028, diante da perspectiva de consumo mais fraco.

De outro, a queda das taxas de juros projetadas para esses anos elevou em 2%, em média, as estimativas de lucro por ação (LPA) das empresas acompanhadas.

O banco reduziu em 170 pontos-base suas premissas de juros para 2027 e 2028, para 11,1% e 9,5%, respectivamente. Também cortou em 90 pontos-base, em média, o custo do capital próprio utilizado nos modelos de avaliação das companhias, para aproximadamente 14,7%.

Segundo o UBS, cerca de 60% do desempenho agregado das ações sob sua cobertura desde as eleições pode ser atribuído às premissas mais baixas de custo de capital próprio. A redução esperada da Selic também contribui para a valorização e compensa, com pequena margem, a expectativa de desempenho operacional mais fraco.

O cenário, porém, depende da trajetória dos juros. Em uma hipótese mais favorável, com taxa terminal de 8% e custo de capital próprio de 13,7%, o banco estima potencial de alta adicional de 3% no lucro por ação e de 12% nos múltiplos.

Em um cenário adverso, com taxa terminal de 11% e custo de capital próprio de 15,7%, as estimativas apontam para quedas de 3% no lucro por ação e de 10% nos múltiplos.

Magazine Luiza lidera a alta

Entre as empresas analisadas, o Magazine Luiza (MGLU) foi o destaque desde o primeiro turno, com valorização de 49%. Segundo o UBS, o desempenho foi favorecido pelos ganhos de participação de mercado após a recuperação judicial de sua principal concorrente.

O banco também elevou suas estimativas para a companhia. As projeções médias de EBITDA para 2027 e 2028 subiram 11%, enquanto as estimativas de lucro avançaram 27%. A revisão incorpora as novas premissas macroeconômicas e as perspectivas específicas para a empresa.

O UBS afirma estar cada vez mais positivo em relação ao Magazine Luiza, que considera beneficiado por fatores favoráveis tanto no ambiente macroeconômico quanto nas condições particulares do negócio.

Entre as empresas alavancadas, o banco prefere MGLU a Assaí (ASAI), embora mantenha recomendação neutra para ambas, por enxergar maior potencial de valorização em relação ao risco no Magazine Luiza.

Para o terceiro trimestre, o banco espera um período de transição para a varejista, com receita praticamente estável. A perspectiva é de melhora no trimestre seguinte, quando a estimativa é de crescimento de 12%.

O Assaí, por sua vez, teve valorização de 13% desde as eleições. Apesar do avanço mais moderado no período, a ação apresenta o melhor desempenho acumulado no ano entre as empresas da cobertura do UBS, apoiada também pelas notícias sobre investimentos estratégicos envolvendo o Grupo Muffato.

Smart Fit e farmácias estão entre as preferidas

A Smart Fit (SMFT) também figura entre as principais escolhas do UBS. As ações subiram 41% desde o primeiro turno, e o banco projeta crescimento anual composto de 24% para o lucro por ação, com múltiplos de 12 vezes e nove vezes para 2027 e 2028.

Na prévia dos resultados do terceiro trimestre, a instituição espera que a empresa registre crescimento de 25% na receita, 27% no EBITDA e 28% no lucro líquido.

No setor farmacêutico, o UBS mantém preferência pela Raia Drogasil (RADL), embora a ação tenha subido apenas 7% desde as eleições. O banco considera injustificada a performance inferior à de outras empresas e avalia que o preço atual torna o papel mais atrativo.

Para a companhia, a estimativa é de crescimento de 9% nas vendas mesmas lojas maduras, 10,5% nas vendas mesmas lojas totais e 17% na receita no terceiro trimestre. O banco também gosta de Pague Menos (PGMN), cujas ações avançaram 38% desde o primeiro turno, e de Panvel (PNVL).

Entre as empresas menos acompanhadas pelo mercado, a Hypera (HYPE) é vista como uma alternativa defensiva, com possibilidade de ganhos relacionados aos medicamentos da classe GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. Para o terceiro trimestre, o UBS projeta crescimento de 8% na receita, impulsionado também pelas vendas desses medicamentos aos canais de distribuição.

Automóveis e vestuário: mudanças de recomendação

A Automob (AUAU) teve sua recomendação elevada de neutra para compra. O UBS espera ganhos adicionais com sinergias de aquisições, crescimento resiliente e geração consistente de caixa. A companhia também aparece entre as maiores revisões positivas do banco, com alta de 13% nas estimativas médias de EBITDA para 2027 e 2028 e de 26% nas projeções de lucro.

No segmento de vestuário, a preferência do UBS é por C&A (CEAB) e Riachuelo (RIAA), ambas com recomendação de compra, em vez de Lojas Renner (LREN), para a qual a indicação é neutra. A Riachuelo acumulou alta de 34% desde o primeiro turno.

Para o terceiro trimestre, o banco espera crescimento de 5% nas vendas mesmas lojas da Riachuelo e de 0,5% na C&A, enquanto projeta queda de 1% para a Renner.

O UBS também rebaixou a Vulcabras (VULC) de compra para neutra, citando uma perspectiva de consumo mais desafiadora e potencial limitado de valorização.

Já o Grupo Mateus (GMAT) passou de neutro para venda após a valorização dos papéis e diante das dificuldades no Nordeste, que podem atrasar os efeitos das medidas de melhoria operacional. As ações do grupo recuaram 5% no período analisado desde o primeiro turno?

Consumo mais fraco limita perspectivas no curto prazo

Apesar do cenário mais favorável para as avaliações das empresas, o UBS vê sinais de enfraquecimento da demanda. Dados da Serasa citados no relatório mostram que 84 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em agosto, alta de 7,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior e um patamar muito superior à média de 63 milhões registrada em 2019.

O banco também aponta desaceleração do crescimento real da renda disponível, que passou de dois dígitos no primeiro semestre para um dígito baixo no terceiro trimestre, além de queda da confiança do consumidor, que atingiu 84,2 pontos em agosto.

Esse quadro deve aparecer nos resultados do terceiro trimestre, com fraqueza disseminada no vestuário e desafios no varejo alimentar. Para o Assaí, o UBS projeta crescimento de 0,5% nas vendas mesmas lojas; para o Grupo Mateus, queda de 5%; e para o GPA (PCAR), recuo de 2%.

Na Natura (NATU), o banco espera queda de 6% na receita consolidada e vê riscos de redução das margens. A companhia também concentra as revisões negativas mais expressivas da cobertura: as estimativas médias de EBITDA para 2027 e 2028 foram reduzidas em 9%, enquanto as projeções de lucro caíram 17%.

'Perguntas frequentes'

Por que as ações brasileiras de varejo subiram após o primeiro turno? +

A queda de cerca de 170 pontos-base nos juros de longo prazo reduziu o custo de capital e favoreceu a valorização das varejistas. Segundo o UBS BB, aproximadamente 60% do desempenho agregado das ações cobertas pelo banco pode ser atribuído às premissas mais baixas de custo de capital próprio.

As ações de varejo ainda estão baratas após a alta? +

Os papéis ainda negociam abaixo de suas médias históricas, segundo o UBS BB. O múltiplo preço sobre lucro médio projetado está em dez vezes para 2027 e nove vezes para 2028, ante a média de 17 vezes dos últimos dez anos.

Qual varejista mais subiu desde o primeiro turno das eleições? +

O Magazine Luiza liderou a alta entre as empresas analisadas pelo UBS BB, com valorização de 49%. Segundo o banco, o desempenho foi favorecido pelos ganhos de participação de mercado após a recuperação judicial de sua principal concorrente.

Quais ações de varejo são as preferidas do UBS BB? +

O UBS BB destaca Magazine Luiza, Smart Fit, Raia Drogasil, Pague Menos, Panvel, Automob, C&A e Riachuelo em diferentes segmentos. Entre as empresas alavancadas, o banco prefere Magazine Luiza a Assaí, embora mantenha recomendação neutra para ambas.

Como a trajetória dos juros pode afetar as ações de varejo? +

Em um cenário favorável, com taxa terminal de 8% e custo de capital próprio de 13,7%, o UBS BB estima alta adicional de 3% no lucro por ação e de 12% nos múltiplos. Em um cenário adverso, com taxa terminal de 11%, as projeções indicam quedas de 3% no lucro por ação e de 10% nos múltiplos.

Por que o UBS BB prevê consumo mais fraco no curto prazo? +

O UBS BB aponta desaceleração da renda disponível e queda da confiança do consumidor, que atingiu 84,2 pontos em agosto. Dados da Serasa citados pelo banco mostram que 84 milhões de brasileiros estavam inadimplentes naquele mês, alta anual de 7,5%.

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