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Thursday, October 15, 2026

O conselho clássico de Warren Buffett para 99% dos investidores ainda está dando resultados

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Em dez anos, 90,8% dos fundos de ações brasileiros renderam menos que o próprio mercado. Entre os fundos de grandes empresas, foram 80,5%, segundo o relatório SPIVA América Latina, da S&P Dow Jones Indices, com dados até dezembro de 2025. 

Warren Buffett defende há décadas a conclusão que esses números confirmam: para a maioria dos investidores, pagar caro para tentar bater o mercado não compensa.

O tema voltou ao noticiário neste mês, quando o S&P 500 renovou a máxima histórica, aos 7.819 pontos. Para quem decide como investir o caixa de uma empresa, os recursos de um fundo de pensão ou o patrimônio de uma holding familiar, a tese de Buffett vai além do conselho financeiro. Ela é um teste de governança. As informações foram retiradas de Business Insider.

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A tese que Buffett repete há décadas

A recomendação aparece com poucas variações nas cartas do ex-CEO da Berkshire Hathaway aos acionistas. “Minha recomendação habitual tem sido um fundo de índice S&P 500 de baixo custo”, escreveu.

Para Buffett, a vantagem está no que essa escolha evita: taxas altas, a tentativa de prever o melhor momento para comprar ou vender e as apostas alavancadas que podem terminar em desastre. 

Na reunião anual da Berkshire em 2008, ele explicou por que esse conselho raramente chega ao investidor. “Você não vai receber esse conselho de ninguém, porque ninguém é pago para dar esse conselho”, disse.

O investidor aplicou a mesma regra ao próprio patrimônio. Nas instruções para o administrador dos bens que deixará à esposa, a orientação é colocar 10% em títulos públicos de curto prazo e 90% em um fundo de índice S&P 500 de custo muito baixo.

A aposta de US$ 1 milhão

Em 2008, Buffett apostou US$ 1 milhão que um fundo de índice superaria, ao longo de dez anos, uma carteira de fundos de hedge escolhida por um gestor profissional, já descontados custos e taxas. Quem aceitou o desafio foi a Protégé Partners.

Até o fim de 2016, o fundo de índice rendia em média 7,1% ao ano, contra 2,2% dos fundos escolhidos pelo adversário, segundo a carta de Buffett aos acionistas daquele ano, reproduzida pela Nasdaq. A aposta terminou em dezembro de 2017 com vitória folgada de Buffett. O prêmio foi doado a uma instituição de caridade de Omaha.

Na mesma carta, ele escreveu que, quando o dinheiro é gerido por profissionais caros, “geralmente serão os gestores que colherão lucros extraordinários, não os clientes”.

O que os dados mostram, nos EUA e no Brasil

Os relatórios SPIVA, que comparam fundos ativos com seus índices de referência, sustentam a tese. Nos Estados Unidos, 85,6% dos fundos de grandes empresas ficaram abaixo do S&P 500 em dez anos, e 92,9% em 20 anos, segundo o SPIVA de 2025.

Conduzido por Jorge Louzada, que dirigiu a gestão de fundos da CAIXA Asset, o FECC prepara conselheiros e executivos para avaliar decisões financeiras com critério técnico. Saiba mais

No Brasil, o padrão se repete também na renda fixa. Em dez anos, 91,4% dos fundos de títulos públicos renderam menos que o IMA, o índice da Anbima que serve de referência para o segmento.

O resultado de curto prazo pode enganar. No primeiro semestre de 2025, só 17% dos gestores brasileiros de ações ficaram abaixo do índice de grandes empresas, segundo o blog de pesquisa da S&P. Quando o prazo se alonga, a vantagem desaparece.

Por que a tese interessa a quem está no conselho

Para conselheiros e executivos, a lição de Buffett tem pouco a ver com escolher ações. Ela está na forma de olhar três decisões que passam pela mesa do conselho.

A primeira é o custo. Taxas de administração e de performance parecem pequenas no ano, mas em uma década fazem muita diferença no resultado do caixa de uma empresa ou das reservas de um plano de previdência. Comparar essas taxas com o retorno líquido é responsabilidade de quem aprova a política de investimentos.

A segunda é a confiança nas previsões. Se poucos gestores profissionais conseguem acertar o momento do mercado, comitês que mudam a alocação a cada notícia correm o mesmo risco.

A terceira é o critério de avaliação. Um gestor ou uma área de tesouraria só pode ser bem avaliado quando há um índice de referência definido antes, com prazo compatível com o objetivo do dinheiro.

O ponto fraco da estratégia: a concentração

A estratégia tem riscos. Hoje, as dez maiores empresas respondem por cerca de 40% do valor do S&P 500, e a maioria delas aposta alto em inteligência artificial. A Nvidia se aproxima de US$ 6 trilhões em valor de mercado. Apple e Alphabet passam de US$ 4 trilhões cada uma.

Michael Burry, gestor que ficou famoso por prever a crise de 2008, é um dos que alertam para o risco de o dinheiro entrar no mercado sem critério e deixá-lo mais caro e mais frágil. Quem compra o índice hoje compra também essa concentração.

Para Buffett, a confiança no índice vem de uma aposta de longo prazo na economia americana. Em artigo publicado no auge da crise de 2008, ele lembrou que, no século 20, os EUA passaram por duas guerras mundiais, pela Grande Depressão e por dezenas de recessões, e ainda assim o índice Dow Jones saiu de 66 para 11.497 pontos.

Essa disciplina exige convicção, e também saber quando a convicção precisa ser revista.

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