Declaração de voto

Creio que assim posso ajudar outros eleitores ainda indecisos ou que pensam em se abster ou anular o voto, ao final da campanha presidencial mais estranha e despolitizada da redemocratização. Cada voto pode ser decisivo numa disputa tão acirrada que chega tecnicamente empatada à grande final. Você pode desempatar esse jogo.
Vida que segue
Meu voto, por Nilton Monteiro
(se puder, por favor, leia o texto até o final)
Eu voto porque meu voto não é moeda de troca.
Eu voto com minha consciência limpa, as mãos limpas, a alma limpa, o aprendizado de vida limpa e o orgulho de ser brasileiro.
Eu voto norteado por uma trajetória de vida da qual não me envergonho e muito menos me arrependo. Muito pelo contrário.
Eu voto à luz de Deus!
Eu voto pelo ecumenismo e pela pregação do papa Francisco.
Eu voto contra os que se dizem religiosos (especialmente católicos!) e são absolutamente avessos aos ensinamentos de Francisco.
Eu voto em oposição a mercadores da fé, ladrões que transformam a religião em fontes de enriquecimento próprio e de sua matilha.
Eu voto em caminhos que busquem preservar a consolidação das instituições democráticas, que tratam a ciência como bússola e a responsabilidade pública como norma, chão onde se possa andar, com ou sem dificuldades, mas com firmeza.
Eu voto por escolher projetos que não se alimentam de ruído, mas de diálogo; que não se erguem sobre impulsos, mas sobre evidências; que não transformam a vida coletiva em espetáculo, mas em compromisso.
Eu voto pela revisão permanente de erros, individuais e coletivos.
Eu voto pela dúvida como motor do mundo.
Eu voto, contudo, pela certeza de que a política é a única arte que anima (talvez permita) a convivência humana.
Eu voto contra o analfabetismo político e contra a cartilha infeliz dos que o estimulam.
Eu voto (luto) contra quaisquer tipos de analfabetismo.
Eu voto pela soberania nacional e porque sou absolutamente avesso a quem se enrola na bandeira brasileira e lambe mantos de assassinos internacionais, senhores da guerra e da corrosão da humanidade.
Eu voto contra o complexo de vira-lata.
Eu voto, em plágio ao professor e amigo Clodomiro Bannwart, em política com educação, por gentileza, sem agressões à inteligência humana e sob a guia da procura do progresso socioeconômico de forma ampla.
Eu voto pelo legado de meu pai, que me ensinou a ser justo, ter respeito a qualquer pessoa e andar de cabeça em pé.
Eu voto pela recusa ao autoritarismo e pela busca por uma política que não fere, não divide e não fantasia.
Eu voto porque caminho com quem sustenta a ética, a serenidade, a clareza e o respeito, porque acredito que o presente só se enraíza e o futuro só floresce onde a democracia respira.
E não entrego meu voto, nunca, a quem teima em entregar o Brasil a impérios de discursos falsos (mas, interessados em nossas riquezas), a quem glorifica torturadores, a quem homenageia milicianos, a quem festeja genocidas, a quem gera ódios, a quem louva negacionismos e propaga a morte não só do planeta (mas igualmente daqueles que o habitam), a quem desrespeita minorias, a quem transforma sua verdade em arma, a ciência em descrédito e o caos em projeto.
Eu voto porque meu voto é sagrado.
Fiquem em paz!
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.