Nobel de Física 2026 premia detecção de neutrinos de alta energia
Mensageiros fantasmagóricos do espaço. Foi assim que a Academia Real de Ciências da Suécia, sediada em Estocolmo, definiu a descoberta que motivou o Prêmio Nobel de Física deste ano. Francis Halzen, 82, foi premiado por suas contribuições na detecção de neutrinos de alta energia com o observatório de neutrinos IceCube, construído no polo sul. A rara premiação isolada, por um único cientista, foi anunciada nesta terça-feira (6).
Com a premiação de hoje, já são 120 concessões de Prêmio Nobel de Física, realizadas entre 1901 e 2026 (em seis anos não houve premiados), para 231 laureados (as regras impõem no máximo três por ano, e só podem ser escolhidos cientistas vivos).
A premiação de 12 milhões de coroas suecas (equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões) foi estabelecida como desejo deixado em testamento por Alfred Nobel (1833-1896), químico e empresário sueco famoso pela invenção da dinamite no século 19.
No ano passado, um trio de pesquisadores trabalhando nos Estados Unidos foi premiado por revelar pela primeira vez a presença de efeitos quânticos em escala macroscópica. A premiação de John Clarke, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Michel H. Devoret e John Martinis, assocciados à Universidade da Califórnia em Santa Barbara, se deu no centenário da moderna teoria quântica, iniciada pelo físico alemão Werner Heisenberg, em 1925. Eles foram destacados especificamente pela descoberta dos fenômenos macroscópicos de tunelamento quântico e quantização de energia em um circuito elétrico.
A cerimônia de entrega das láureas em Estocolmo está agendada para 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel.
Ainda na categoria de Física, somente uma pessoa foi agraciada duas vezes: o americano John Bardeen (1908-1991), que recebeu o prêmio de Física em 1956 e em 1972.
Marie Curie (1867-1934) também é uma das pouquíssimas pessoas a ganhar o Nobel duas vezes, porém isso se deu em duas categorias: primeiro em Física em 1903 e em Química mais tarde, em 1911.
O detentor mais jovem de um Nobel de Física é o australiano William Lawrence Bragg (1890-1971). Ele tinha 25 anos em 1915 quando dividiu a láurea com o seu pai, sir William Henry Bragg (1862-1942), por pesquisas voltadas à análise da estrutura de cristais por meio de raios X.
O mais velho, por sua vez, é Arthur Ashkin (1922-2020). Ele recebeu sua láurea em 2018 aos 96 anos por pesquisas com laser. O americano inventou as chamadas pinças ópticas, que usam a força do raio laser focalizada para manipular objetos microscópicos, incluindo organismos vivos, como vírus e bactérias.
No Nobel de Física, a maioria dos laureados é de homens. Além de Curie, apenas outras quatro mulheres foram premiadas: a alemã Maria Goeppert Mayer (1906-1972) em 1963; a canadense Donna Strickland, 66, em 2018; a americana Andrea Ghez, 60, em 2020; e a francesa Anne L’Huillier, 67, em 2023.
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