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Friday, October 9, 2026

A empresa que para suas atividades e dá folga aos funcionários no Dia Mundial da Saúde Mental

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RESUMO | No Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, a Lundbeck Brasil desligou suas operações nesta sexta-feira (9) e deu folga a todos os funcionários. A medida chega em um ano de recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais no país e faz parte de um pacote mais amplo de bem-estar, que inclui apoio psicológico, telemedicina, jornada flexível e modelo híbrido.

O Brasil registrou 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior número em pelo menos uma década e alta de cerca de 15% sobre o ano anterior, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Nesta sexta-feira, 9, uma farmacêutica com sede no Rio de Janeiro respondeu a esse cenário de forma pouco comum: desligou a operação e deu o dia de folga a todos os funcionários.

A iniciativa é da Lundbeck Brasil, braço da farmacêutica dinamarquesa especializada em doenças do cérebro. O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado em 10 de outubro, que neste ano cai em um sábado. Por isso, a empresa antecipou a pausa para o último dia útil da semana, enquanto a maior parte do mercado segue a rotina.

Para Josiel Florenzano, presidente da Lundbeck Brasil, saúde mental não deve entrar na conta como custo. “É o maior investimento que uma empresa pode fazer. Quando cuidamos do bem-estar das nossas equipes, estamos também investindo em engajamento, criatividade e resultados sustentáveis”, diz.

Quem trata depressão não pode ignorar o próprio escritório

A lógica da folga coletiva nasce do negócio da companhia. A Lundbeck desenvolve tratamentos para depressão, ansiedade e outras doenças do cérebro, e a direção entende que seria incoerente falar de saúde mental para pacientes e médicos sem aplicar os mesmos princípios dentro de casa.

“Somos uma empresa de saúde mental. Faz todo o sentido criar um espaço para que cada colaborador possa cuidar de si, recarregar as energias e olhar para as próprias necessidades. É uma forma de coerência entre o que pregamos e o que vivemos internamente”, diz Alba Eiras, diretora de Pessoas e Comunicação da Lundbeck Brasil.

Para a executiva, o cuidado com a saúde mental precisa funcionar como responsabilidade permanente, e não como campanha de conscientização com data marcada para acabar.

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Um dia de folga não resolve sozinho

A pausa desta sexta é a parte mais visível de uma estrutura montada ao longo dos anos. A Lundbeck oferece programa de apoio psicológico, assistência financeira e jurídica, telemedicina, incentivo à atividade física e ações de qualidade de vida.

No desenho do trabalho, a empresa adota jornada flexível e modelo híbrido, além de políticas voltadas ao desenvolvimento profissional. A proposta é cobrir o bem-estar físico, emocional, social e financeiro dos funcionários.

O movimento acompanha uma mudança no mercado de trabalho. Benefícios ligados ao chamado salário emocional, conceito que reúne reconhecimento, propósito, flexibilidade, desenvolvimento e qualidade de vida, ganharam peso na decisão de quem escolhe onde trabalhar.

Engajamento como consequência

Na avaliação de Alba, o retorno do investimento em saúde mental aparece na cultura da empresa antes de aparecer nos números. “O resultado vem porque as pessoas estão envolvidas e comprometidas. Quando a organização demonstra esse cuidado de forma genuína, o engajamento cresce naturalmente”, diz.

O tema, antes restrito ao RH, passou a ocupar a pauta de conselhos e lideranças. Na Lundbeck, cabe aos gestores entender as particularidades de cada pessoa da equipe.

“Não acreditamos que exista uma separação entre a pessoa que trabalha e a pessoa que vive. Somos indivíduos completos, com histórias, desafios e necessidades diferentes”, diz Alba.

Nesta sexta, ao menos, as duas tiraram o dia de folga.

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