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Saturday, October 24, 2026

16h. Organização estima 25 mil manifestantes em Lisboa

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A informação. Jornal das quatro, com a edição do João Lourenço. João, centenas de manifestantes já estão a concentrar-se em Lisboa, em resposta ao protesto convocado para hoje pela acampada.

E dentro das principais reivindicações, está o pedido de habitação digna para todas as pessoas. A polícia já cortou o trânsito e durante aproximadamente meia hora os manifestantes foram se acumulando, separadamente nas duas laterais da Avenida da Liberdade. Entretanto, essa caminhada a descer a Avenida da Liberdade já começou. O jornalista José Rafael Lopes está na Avenida da Liberdade. José, boa tarde. Entretanto, já falaram alguns líderes políticos.

Precisamente, já vamos escutar as palavras dos representantes políticos, pelo LIVRE, Isabel Mendes Lopes, João Ferreira, pelo PCP e também José Manuel Pureza, pelo Bloco de Esquerda. Primeiro, dar apenas conta de que já arrancou esta marcha lenta rumo ao Rossio, com praticamente uma hora de atraso, mas os manifestantes arrancaram agora esta caminhada rumo ao Rossio, onde a partir das 17h devem montar uma nova acampada. O objetivo deste movimento é passar a noite à Praça do Rossio com as tendas e pernoitar no local. Há pouco, ainda antes dos manifestantes arrancarem, os jornalistas tiveram a falar com esta representação política, que está presente para já nesta manifestação. É o caso do LIVRE, com Isabel Mendes Lopes, a garantir que espera que daqui possa sair uma mensagem clara para o Executivo.

Eu espero que, com esta mobilização cidadã, haja finalmente a oportunidade para se falar a sério do fim da especulação imobiliária, do fim de benefícios fiscais a fundos imobiliários, o fim de benefícios fiscais a quem lucra com a especulação ou com rendas incomportáveis para a maior parte dos portugueses e que o próprio governo inverta aquilo que tem sido a sua política de habitação e que tem contribuído muito para o aumento do custo, tanto de compra como de arrendamento em Portugal.

Já o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, tem uma questão: quer saber onde está Luís Montenegro.

O primeiro-ministro está ausente em parte incerta. Ninguém sabe onde está o primeiro-ministro. O primeiro-ministro não quer aparecer. E eu só explico isso por uma razão: não quer responder por justamente estar a haver uma mobilização tão forte pela luta pela habitação.

Pelo PCP, falou João Ferreira, que aponta uma outra figura do Estado, agora a António José Seguro.

O presidente da República, que assumiu um compromisso no momento em que tomou posse, que foi defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição. A Constituição tem um artigo, 65º, o direito à habitação, que diz o que são as obrigações do Estado para assegurar o direito à habitação. E diz o que são as obrigações do Estado ao nível de uma política de solos, ao nível de um sistema de arrendamento, ao nível do que deve ser o papel do Estado e das autarquias. Cumpra-se a Constituição também aqui, mas não estão todos os partidos a propor que se cumpra a Constituição, pelo contrário.

As palavras de João Ferreira, do PCP, antes do arranque desta manifestação, esta marcha lenta que vai desde o Marquês Pombal até à Praça do Rossio. É lá que está programada a acampada a partir das 17h. Para já, os manifestantes vão cantando palavras de ordem em favor de uma habitação mais acessível para os portugueses. A Avenida da Liberdade está cortada pela polícia, que vai acompanhando à frente dos manifestantes, que se vão então, João, encaminhando para a Praça do Rossio. Jornalista José Rafael Lopes, a acompanhar esta manifestação em Lisboa. Passamos para a cidade do Porto, ao contato com a jornalista Laura Figueiredo. Laura, boa tarde. O protesto já reúne muitas pessoas aí na Praça da Batalha?

Já bastantes pessoas, diria que pelo menos uma centena, mas há também vários turistas à mistura e por isso é difícil contabilizar, até porque aqui a Praça da Batalha é plena, porque não há um ponto mais alto também que nos permita ter uma noção mais concreta do número de pessoas. Ainda assim, está já um número considerável. Algumas das caras do movimento estavam há pouco a pedir também, ao alto-falante, ajuda dos manifestantes para começar a distribuir cartazes. Parece que se preparam para dar início daqui a pouco à marcha. Por agora, estão também ainda a distribuir um panfleto com as reivindicações do movimento, algumas delas a reversão da lei do arrendamento ou o aumento da habitação pública. O panfleto tem ainda escrita a seguinte frase: "Não é esquerda nem direita, é pelo direito de todos à habitação". Nos últimos dias, o movimento deu alguns sinais de abrandar, manteve na mesma as iniciativas ao final da tarde e também noite na Praça Dom João I, mas sem pernoitar e sem tendas desde a madrugada de segunda para terça, altura em que a polícia apareceu na Praça Dom João I, pouco antes das 6h, e mandou desmobilizar. Por agora, começamos a ouvir aqui algumas das palavras de ordem que temos ouvido ao longo das últimas semanas. Neste momento, os manifestantes começam com algum barulho, os tambores e com a frase: "Teto, chão, direito à habitação." Parece que vai ter início o protesto que está marcado aqui para a Praça da Batalha. Vai seguir em direto à Praça Dom João I, para onde às 19h está marcada a habitual Assembleia Popular. Hoje, não sabemos ainda quais os pontos que vão ser votados. É provável que seja a pernoita e a questão das tendas, é pelo menos essa a expectativa dos manifestantes com quem tenho falado, mas vamos aguardar pelas 19h e pela Assembleia Popular.

Palavras de ordem bem audíveis aos microfones da Rádio Observador e à boleia da jornalista Laura Figueiredo. Recordar que a Polícia de Segurança Pública tem hoje um dispositivo policial preparado para acompanhar estas manifestações, não só na cidade do Porto, em Lisboa, mas também um pouco por todo o país. Numa nota enviada às redações, as autoridades indicam que o dispositivo policial para estes protestos, neste caso, tem como prioridade garantir o exercício do direito de reunião e manifestação e procura também que todas as iniciativas decorram de forma pacífica e em segurança.

O ministro da Administração Interna garante que não há braço de ferro com os manifestantes.

Luís Neves nega estar contra os protestos deste sábado. Reconhece ainda que são uma parte essencial da democracia.

Não há braço de ferro nenhum. Eu já disse e vou voltar a repetir, e direi sempre, porque é aquilo que penso há muito tempo: 52 anos de democracia dá-nos a possibilidade dos cidadãos se manifestarem de uma forma livre, aberta, e isso é saudável para a democracia.

O ministro da Administração Interna, em declarações captadas pela CNN Portugal, Luís Neves, diz que o tema da habitação é legítimo e acredita que os protestos de hoje vão ser ordeiros e pacíficos.

Ainda na crise da habitação, a líder da Iniciativa Liberal afirma estar mais preocupada com a inação do que com o silêncio do primeiro-ministro.

A Deputada Mariana Leitão mostra-se preocupada com a falta de medidas do Executivo perante a crise no setor, diz que afeta milhares de pessoas e, por isso, pede mais propostas e soluções.

Em relação ao silêncio do senhor primeiro-ministro, preocupa-me bastante mais a sua inação do que propriamente o silêncio. Eu quero que o Governo, perante a situação grave que se está a viver, perante um problema que afeta milhares de pessoas, desde os mais jovens aos mais velhos, mas com particular enfoque nos jovens agora por uma razão, porque os jovens, neste momento, aquilo que todos nós sentimos é que os jovens arriscam-se a viver pior que os seus pais. E enquanto o problema da habitação não for resolvido, isso será quase uma inevitabilidade. Portanto, preocupa-me é que o Governo não esteja a conseguir pôr em prática propostas, medidas, soluções para a tal necessidade premente que nós temos, que é de construir muito mais.

Mariana Leitão, à Agência Lusa, à margem da quinta Conferência Leiria + Liberal, a líder do partido defende que é preciso construir mais, nomeadamente através da utilização dos imóveis devolutos do Estado.

Em França, a polícia está a disparar gás lacrimogéneo contra os manifestantes em vários pontos do país.

Continuam os protestos pelo direito à habitação. Em Marselha reuniram-se milhares de manifestantes na praça Porte-d'Aix, onde se registaram alguns confrontos. Um cordão policial impede a esta hora o acesso ao Boulevard de Dames, uma das artérias que conduz ao centro da cidade. As autoridades lançaram a primeira carga de gás lacrimogéneo quando os manifestantes tentaram forçar a passagem. Também em Lyon, as manifestações foram alvo de uma chuva intensa de gás lacrimogéneo. A polícia, que na semana anterior tinha referido a presença de 30 mil manifestantes que foram considerados como desordeiros, contabiliza desta vez menos, neste caso 17 mil protestantes.

Na atualidade internacional, o Irão pode estar a ampliar os planos de ataque contra as forças norte-americanas por todo o mundo.

É um aviso deixado pelo diretor dos Serviços de Informações dos Estados Unidos da América. Uma carta enviada ao secretário de Estado indica que o Irão intensificou substancialmente os esforços para atacar militares norte-americanos em resposta aos Estados Unidos colocarem os funcionários em estado de alerta em todo o Médio Oriente e reduzirem o número de pessoal em embaixadas e consulados naquela zona. Numa altura em que a Base das Lages, nos Açores, tem neste momento 17 aviões da Força Aérea estacionados, tratam-se de reabastecedores KC-46 Pegasus. Recordar que dias antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, em fevereiro, esta base portuguesa recebeu 15 destas aeronaves, que têm capacidade para reabastecer outros aviões em pleno voo.

A Proteção Civil confirma que os dados do recenseamento nacional dos bombeiros foram alvo de ciberataque. E João, a Proteção Civil pede atenção redobrada.

É o que se pode ler numa nota enviada às redações. Depois de ter sido divulgado o ataque, que permitiu acesso a dados pessoais dos bombeiros, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil emitiu um alerta para as possíveis tentativas de fraude. Apela aos bombeiros que mantenham atenção redobrada para chamadas, mensagens ou outras comunicações inesperadas. Já durante a manhã, o presidente da Liga Portuguesa dos Bombeiros, António Nunes, confirmou o ataque, mas diz não ter conseguido perceber se efetivamente houve capacidade de retirar dados.

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