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Sunday, September 20, 2026

Fim do comprimido diário? Dose única pode controlar colesterol por um ano

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Uma única aplicação pode, no futuro, mudar a forma como o colesterol alto é tratado. Uma pesquisa testou uma terapia genética capaz de desativar um gene no fígado e manter os níveis de LDL, o colesterol ruim, cerca de 50% mais baixos por pelo menos um ano.

O estudo foi publicado na última sexta-feira, 28, no New England Journal of Medicine e apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia. A pesquisa envolveu 15 pacientes, acompanhados por aproximadamente 12 meses após receberem a terapia.

A estratégia utiliza a tecnologia CRISPR, que permite fazer alterações específicas no DNA. Nesse caso, os pesquisadores escolheram um gene ligado ao metabolismo das gorduras presentes no sangue.

Como a edição genética age no fígado

O alvo da terapia é o gene ANGPTL3, encontrado nas células do fígado. Ele participa da produção de uma proteína que dificulta a eliminação do LDL e dos triglicerídeos da circulação.

O LDL pode se acumular nas paredes das artérias e contribuir para a formação de placas. Com o tempo, essas alterações podem dificultar o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de infarto e AVC.

A CRISPR funciona como uma ferramenta molecular capaz de localizar uma sequência específica do DNA. Ao atingir o ANGPTL3, provoca uma alteração que impede o funcionamento do gene. Com isso, a proteína deixa de exercer sua função normalmente. A expectativa é favorecer o processamento das gorduras pelo organismo e reduzir sua concentração no sangue.

Mutação natural inspirou o tratamento

A escolha do ANGPTL3 foi baseada em uma descoberta feita antes do desenvolvimento da terapia. Cientistas identificaram, na Itália, pessoas que nasciam com uma mutação capaz de prejudicar o funcionamento desse gene.

Esses indivíduos apresentavam níveis mais baixos de colesterol e triglicerídeos ao longo da vida. Eles também tinham menor ocorrência de doenças cardiovasculares. A pesquisa atual tenta reproduzir esse efeito protetor por meio de uma alteração genética feita diretamente nas células do fígado.

O que os primeiros resultados mostraram

Nos participantes que receberam a maior dose, a quantidade da proteína produzida pelo ANGPTL3 caiu quase 80% no sangue. Os níveis de LDL e triglicerídeos diminuíram cerca de 50%.

A redução permaneceu durante pelo menos um ano de acompanhamento. Nesse período, os pacientes não precisaram receber uma nova aplicação.

Para os pesquisadores, a duração do efeito é um dos principais resultados da pesquisa. O achado sugere que a edição alcançou células suficientes do fígado para produzir uma alteração persistente.

As células modificadas podem continuar se multiplicando e originar novas células com a mesma alteração genética. Esse mecanismo pode ajudar a explicar a manutenção do efeito ao longo do tempo.

Uma nova possibilidade para doenças crônicas

A principal novidade da estratégia está na possibilidade de substituir um tratamento contínuo por uma intervenção de dose única. Atualmente, medicamentos como as estatinas precisam ser utilizados regularmente para controlar o colesterol.

Essa característica pode ser especialmente relevante para pessoas que têm dificuldade em manter tratamentos de longo prazo. Uma terapia de ação prolongada também poderia, no futuro, beneficiar pacientes que não respondem adequadamente às opções disponíveis.

Entre os possíveis beneficiados estão pessoas com hipercolesterolemia familiar, condição genética que pode provocar níveis elevados de colesterol desde cedo.

Apesar dos resultados, a terapia ainda não está disponível para o tratamento do colesterol alto. O estudo envolveu apenas 15 pacientes e teve como principal objetivo avaliar a segurança da abordagem.

Uma nova etapa, com um número maior de participantes, já está em andamento. Os resultados são esperados até o fim de 2026 e poderão orientar os próximos passos da pesquisa.

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