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Friday, October 23, 2026

A pergunta que Oprah faz antes de cada decisão: 'Como uso isso a serviço de algo maior que eu?'

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Oprah Winfrey atribui a virada da própria carreira a um hábito simples: definir uma intenção consciente antes de agir.

Em palestra em 2019, numa conferência da empresa de software Qualtrics em Salt Lake City, nos Estados Unidos, a apresentadora contou que adotou a regra em 1989, depois de um programa que a deixou constrangida, e que o primeiro Emmy veio de um episódio construído a partir dela. Desde então, diz aplicar o princípio a tudo, da decoração de um cômodo à escolha dos projetos que produz.

Para chegar a uma intenção que traga bons resultados, ela recomenda uma pergunta. “Como uso isso a serviço de algo maior que eu?”, diz Oprah. Quando a resposta guia a ação, segundo ela, o retorno vem multiplicado.

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O episódio que fez Oprah mudar de rota

No fim dos anos 1980, o talk show que a tornou famosa estava no ar havia poucos anos e seguia a moda da TV diurna americana: conteúdo chocante. Um episódio com skinheads que apoiavam a Ku Klux Klan já a tinha feito questionar se estava apenas oferecendo um palco para o ódio.

A gota d’água veio num programa sobre por que os homens traem. A produção convenceu um homem a participar ao lado da esposa e da amante, e ele revelou ao vivo, em rede nacional, que a amante estava grávida.

Oprah ficou abalada pela esposa. Para ela, ninguém deveria ser humilhado em público daquela forma. Ali, prometeu a si mesma abandonar o formato de confronto.

A lição tirada de um livro

Na mesma época, ela leu The Seat of the Soul, do escritor americano Gary Zukav. O autor parte de uma lei da física, a de que toda ação gera uma reação igual e oposta, para defender que, antes de cada ação, existe uma intenção. É ela que determina como as coisas se desenrolam.

A conclusão de Oprah foi direta: quem não escolhe uma intenção consciente antes de agir acaba guiado por intenções inconscientes, e colhe o resultado de qualquer jeito. Segundo ela, entender esse princípio mudou a trajetória de toda a sua vida.

A partir daí, definiu que o programa serviria ao público com esclarecimento, e não só com entretenimento.

Uma reunião antes de cada gravação

Os produtores não gostaram da mudança. Mesmo assim, Oprah passou a reunir a equipe antes de cada programa para perguntar o que se queria alcançar com cada tema ou entrevista sugerida.

Um dia, fez a mesma pergunta a uma convidada: uma mãe cuja filha tinha sido assassinada pelo namorado. A mulher respondeu que estava ali porque a produção a chamou. Oprah insistiu: por que aceitou, e o que esperava que saísse dali?

A mãe explicou que todos só queriam falar da morte da filha. Ela queria mostrar que a jovem tinha uma vida antes disso, com família, amigos e interesses próprios.

Oprah concordou e definiu a intenção do episódio: mostrar a adolescentes como é um relacionamento abusivo, aonde ele pode levar e o que significa esconder a violência da mãe por medo de perder o namorado. Foi o programa que lhe deu o primeiro Emmy.

O que intenção tem a ver com inteligência emocional

A história de Oprah descreve competências que a inteligência emocional organiza. Parar antes de agir e perguntar “para quê?” é autoconhecimento. Resistir a um formato que dava audiência, mas a incomodava, é autogestão. Perguntar à mãe o que ela queria daquela entrevista é empatia.

O mesmo vale para situações bem menos públicas: uma reunião difícil, um feedback, um conflito com um colega. Decidir antes o que se quer da conversa ajuda a não ser guiado pelo impulso do momento.

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Antes de decidir o que fazer, Oprah passou a decidir para quê.

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