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Monday, October 5, 2026

Empresários afirmam que decisões do STF e desgaste do lulismo favoreceram Flávio Bolsonaro

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São Paulo Empresários e executivos de diferentes setores ouvidos pela Folha afirmam que a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição não pode ser explicada apenas por problemas na economia, como o alto endividamento da população.

Entre os fatores apontados estão o desgaste da gestão lulista e a atuação do Judiciário durante a campanha. Na avaliação de parte dos entrevistados, acabaram pesando contra Lula decisões e intervenções de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Prédios altos com fachadas de vidro refletem outras construções e uma avenida com árvores e veículos em área urbana.
Empresários avaliam que resultado do primeiro turno surpreendeu e mostra desgaste do PT - Danilo Verpa - 17.09.2026/Folhapress

A chegada de Flávio ao segundo turno à frente do presidente dá ao filho de Jair Bolsonaro uma vantagem que o pai não conseguiu obter em 2022. Com 99,59% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,12% dos votos válidos, contra 45,06% de Lula.

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O CEO da consultoria Zag Work, Rogelio Golfarb, que foi presidente da Anfavea e vice-presidente da Ford na América do Sul, afirma que o desempenho de Flávio Bolsonaro sinaliza uma transformação política mais ampla.

"O sentimento de mudança e de uma abordagem mais liberal e à direita parece estar mais espalhado e mais sólido do que tínhamos visto antes. E isso pode ser visto também no resultado do Legislativo e dos governos estaduais em geral", afirma o executivo.

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José Olympio Pereira, que chefiou os bancos Credit Suisse e Safra e apoiou publicamente o candidato Renan Santos (Missão) no primeiro turno, afirma ter visto no resultado deste domingo uma mensagem de cansaço com o PT.

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"A sociedade brasileira deu um recado claríssimo de que não aguenta mais o Lula e que quer uma mudança", afirma.

O resultado coloca o bolsonarismo em situação mais favorável do que a registrada há quatro anos. Em 2022, Jair Bolsonaro terminou o primeiro turno com 43,2% dos votos válidos contra 48,2% de Lula.

O empresário Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho do Grupo Multi, qualificou o resultado como surpreendente e muito favorável a Flávio Bolsonaro.

Na avaliação de Ostrowiecki, Flávio soube ocupar espaço com uma estratégia oposta à do pai. "Evitou as frases polêmicas, as brigas com as instituições e a agenda de confronto que custaram votos a Jair Bolsonaro em 2022, e concentrou a campanha num único eixo, o antipetismo. Com isso recebeu, às vésperas do primeiro turno, a migração do eleitor de centro-direita que estava com Caiado, Zema e outros, repetindo o movimento de voto útil de 2022", afirma.

O empresário avalia que "foi uma estratégia inteligente de jogar parado e apostar no erro do adversário".

"Dois fatores de fundo também pesaram. Os recentes escândalos envolvendo o STF, somados à percepção pública de que a maioria da corte foi indicada por governos do PT, reforçaram a sensação de que o sistema precisa de uma troca. E há o desgaste natural de um partido que governou o Brasil em 18 dos últimos 24 anos", diz ele.

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A crise no Supremo atravessou a campanha e, na reta final, decisões das duas cortes provocaram controvérsia ao interferirem na disputa eleitoral. A mais recente ocorreu no debate presidencial da TV Globo, cancelado a três dias da votação. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio de Lula, que havia decidido não comparecer ao encontro. Horas depois, Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Globo incluísse Renan Santos (Missão), contrariando os critérios estabelecidos pela emissora para o debate.

Flávio, que até então participaria do encontro, desistiu após as decisões. A Globo acabou cancelando o programa.

O sócio-fundador e CEO do BR Partners, Ricardo Lacerda, tem percepção similar. "Estamos vendo uma reação forte aos abusos do STF —foi o grande eleitor de hoje", afirma.

Outro embate entre as cortes ocorreu no caso da notícia falsa segundo a qual Flávio retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito. André Mendonça, ministro do STF que também integra o TSE, havia determinado a retirada de publicações consideradas "notoriamente inverídicas". Flávio Dino, do Supremo, anulou posteriormente parte da decisão e liberou publicações sobre o tema, abrindo uma disputa sobre os limites de atuação das duas cortes.

Lacerda ainda vê um cansaço no eleitorado. "Também parece haver uma exaustão do modelo de governo do PT, com gastos fiscais excessivos e juros muito altos."

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O economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Jubarte Capital, faz uma leitura mais ampla do resultado.

Pelo aspecto econômico, afirma que as urnas refletiram a preocupação dos brasileiros com a própria situação financeira, em particular o elevado nível de endividamento das famílias.

O país chegou às urnas com indicadores positivos no mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor patamar para esse período desde o início da série histórica, em 2012. Ao mesmo tempo, 82% das famílias tinham dívidas a vencer em agosto, maior percentual da série iniciada em 2010.

Para além da economia, Figueiredo enxerga razões políticas. Ele afirma que Flávio é visto mais ao centro do que o pai e que seu programa foi mais bem recebido. Na sua avaliação, a gestão Lula também não correspondeu às expectativas em outras áreas consideradas sensíveis pelos eleitores.

"A percepção é que o governo teve péssimo desempenho em duas das principais preocupações da população: segurança e corrupção", afirma.

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Figueiredo também está no grupo que destaca o fator Judiciário: "Existe um sentimento de indignação com o que ficou percebido como manobras pró-Lula pelo Supremo e alguns ministros do TSE."

Outro capítulo com a Corte envolveu revelações sobre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio explorou o episódio na propaganda eleitoral e buscou associar o desgaste da corte ao governo Lula, enquanto o presidente procurou se distanciar do STF e de Moraes.

O impacto foi captado pelo Datafolha. Em pesquisa realizada em meados de setembro, 47% dos eleitores disseram que a crise no STF teria influência na escolha do voto para presidente. Quando questionados sobre quem seria prejudicado pelo episódio, 38% citaram Lula e 31%, Flávio.

Outro executivo, presidente de uma grande multinacional, que pediu para não ter seu nome divulgado, também afirma que Flávio Bolsonaro cresceu devido ao desgaste de Lula e do PT. Na sua avaliação, o petista teve dificuldade de identificar esse movimento por ter se isolado durante o terceiro mandato.

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