PF apura suposto desvio de emendas do deputado Mario Frias, do PL; suspeita é que dinheiro foi para produtora de 'Dark Horse'

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumpriram 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Em Brasília, os agentes estiveram em uma casa do deputado Mário Frias, do PL. Os policiais deixaram o local no fim da manhã com malotes carregados de documentos.
Em outro endereço ligado ao deputado, também em Brasília, os policiais encontraram sete armas que, segundo a PF, estavam em um endereço diferente do informado no registro. Os policiais apreenderam as armas e um carro. Os agentes localizaram Mario Frias em São Paulo e apreenderam o celular dele.
Também em São Paulo, a PF fez buscas em endereços da empresária Karina Gama e em duas ONGs presididas por ela: o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Karina é dona da produtora Go Up, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Go Up não foi alvo dos mandados.
PF apura suposto desvio de emendas do deputado Mario Frias, do PL; suspeita é que dinheiro foi para produtora de 'Dark Horse' — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O ministro do STF Flávio Dino autorizou a ação desta quinta-feira (10) há uma semana, no dia 3 de setembro. A operação, batizada de Make Up, investiga um esquema de desvio de recursos públicos. De acordo com a Polícia Federal, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria usado empresas para receber emendas parlamentares sem comprovar a execução dos serviços contratados. A PF afirma que a tentativa de desvio dos recursos teriam ocorrido entre abril de 2024 e julho de 2026.
A Polícia Federal investiga 29 pessoas, entre empresários e funcionários das empresas suspeitas de ocultar o dinheiro público desviado. Segundo a PF, Mario Frias é o autor de duas emendas parlamentares suspeitas de desvios. Os repasses somam R$ 2 milhões. Ainda segundo a PF, o deputado integra o núcleo político do esquema e mantém relação próxima com pessoas e empresas beneficiadas pelos recursos públicos.
Já a empresária Karina Gama, de acordo com a polícia, exerce papel central na gestão das entidades responsáveis pela execução de projetos financiados com recursos de emendas parlamentares. Ela também é identificada como um dos principais elos entre as organizações beneficiárias e os fornecedores contratados.
Por determinação de Flávio Dino, todos os investigados estão proibidos de deixar o país e não podem conversar entre si. Eles podem responder por desvio de recursos públicos, organização criminosa, crimes em licitações, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
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