Restrição a jogos e bets é aposta de Lula na reta final da eleição

É uma jogada eleitoreira, não tenho a menor dúvida; uma decisão que não tinha consenso dentro do governo. A gente acompanhou essa discussão durante meses e era uma discussão, não uma decisão. Lula era o mais radicalmente contra e agora, finalmente, bateu a mão na mesa e falou: 'vamos acabar ou vamos restringir muito', apostando, sem dúvida, no efeito eleitoral.
José Roberto de Toledo
Para Toledo, Lula tenta virar a chave da campanha ao oferecer uma agenda "para frente", em vez de insistir na comparação com Jair Bolsonaro. A ideia, diz Toledo, é associar a promessa de restrição a um alívio para famílias afetadas por endividamento e vício.
Toda a campanha do Lula, até a semana passada ou retrasada, era olhando pra trás, que é um equívoco total. As pessoas votam na esperança, não na experiência. Ele quer dizer: 'eu sou o cara que vai acabar com o jogo no Brasil e, se não acabar, é porque o Congresso não deixou e quem não deixou vão ser os bolsonaristas do PL ou os aliados dele'.
José Roberto de Toledo
Thais Bilenky concorda: "E todas aquelas pessoas que estão sofrendo com crise de vício na família, endividamento, transtorno mental e outros mil problemas que a gente sabe que as apostas causam, vão olhar para o Lula com um pouco mais de simpatia a partir deste momento. E essa é a jogada que obviamente está por trás dessa decisão, além de de eventualmente ser favorável mesmo à proibição."
Toledo avalia que a movimentação também tenta colocar a oposição na defensiva. "Os bolsonaristas" ficariam com o ônus de derrubar a medida provisória e, com isso, "ficar a favor do jogo", afirma.
Ele aponta, porém, que a iniciativa deve enfrentar resistência de vários lados. Toledo cita risco de contestações "judiciais, congressuais" e pressão de grupos econômicos interessados no mercado de apostas.
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