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Wednesday, October 7, 2026

Investigadores criam hidrogel inovador para tratar melanoma

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Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho desenvolveram um hidrogel com potencial para tratar melanoma, foi esta quarta-feira anunciado.

Em comunicado, a FCUP dá conta deste “hidrogel inovador”, um material híbrido composto por nanocápsulas esféricas e um polímero (gel), podendo ajudar a tratar o melanoma, a forma mais grave de cancro da pele que, em Portugal, conhece 1.000 a 1.500 novos casos por ano.

Na prática, as nanocápsulas levam o fármaco usado no tratamento de vários tipos de cancro, a doxorrubicina, e o gel “funciona como uma espécie de barreira, permitindo controlar a libertação do medicamento”.

O hidrogel será aplicado na zona específica da pele que seja afetada pelo melanoma e pode complementar outros tratamentos e abordagens terapêuticas, incluindo após cirurgia.

“A libertação localizada e controlada do fármaco poderá reduzir a exposição de tecidos saudáveis e, consequentemente, alguns dos efeitos secundários associados à quimioterapia”, acrescenta a FCUP.

Os ensaios laboratoriais realizados no Minho mostraram “boa biocompatibilidade” e, em estudos anteriores, tinham confirmado que as nanocápsulas são sensíveis ao pH — na prática, entrando em contacto com tumores, geralmente apresentando um ambiente mais ácido, o sistema “poderá facilitar a libertação do medicamento”.

“À temperatura ambiente, o material é uma solução que pode ser facilmente manipulada e aplicada. Quando entra em contacto com a pele, devido à diferença de temperatura, ocorre rapidamente a transição para o estado de gel, o que favorece a sua permanência no local de aplicação”, descrevem Isabel Oliveira e Eduardo Marques, docentes na FCUP, citados na nota.

Segundo o primeiro autor do estudo, Rui Machado, compreender como as nanocápsulas e o gel interagem entre si foi uma das fases essenciais do processo, que foi desenvolvido no âmbito de uma tese de doutoramento em Química, que defendeu em abril.

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Os resultados de dois anos de trabalho foram publicados no final de julho na revista da especialidade Applied Bio Materials, da Sociedade Química Americana, e os cientistas têm como próxima fase “avançar para estudos in vivo, de forma a avaliar a interação do hidrogel e do fármaco com o organismo”.

“O objetivo é continuar a explorar o potencial deste sistema inovador para se chegar a um tratamento antimelanoma mais localizado e com menos efeitos secundários”, conclui a FCUP.

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