Sobre deixar o flirt morrer e vergonha do marido
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Olá, minhas coisinhas boas, como é que estão neste início de semana com este episódio de Terapia de Casal? O meu nome é Rita da Nova, sou a vossa favorita e comigo está o meu marido, Guilherme Fonseca.
O outro.
O outro, aquele que faz aqui um contraponto. Tem de existir alguém, sempre.
Sabes que tem havido um rapaz que vai aos meus espetáculos, já foi ao Porto e foi a Aveiro, e que grita pela Rita.
Pois.
E no outro dia mandou uma mensagem a dizer: "Eu acho que é um bocado esquisito, mas eu vou com a minha namorada e grito o nome de outra mulher nas salas onde tu vais atuar". E eu acho ótimo. E que vai ao Homem na Cavequeira, disse-me ele.
Vai? Muito bem. Antes de Homem na Cavequeira, eu quero dizer uma coisa e antes da minha curiosidade, antes de qualquer outra coisa. Eu quero dizer aqui o seguinte.
Preâmbulozinho.
Preâmbulozinho. Vou eu fazer este papel hoje, que é o seguinte: hoje é segunda-feira, amanhã é terça-feira. Pessoas da zona de Lisboa, se não têm plano para amanhã, amanhã é a última oportunidade que vocês têm de ver o Amigável, o espetáculo deste aqui que está à minha frente ao vivo.
É verdade. Eu gosto de ver como dizes "este aqui", com esse desprezo.
E é o seguinte: eu sei que eu estou aqui e falo: "Ele não vale nada", mas o espetáculo está incrível.
As pessoas não conhecem, deixa estar.
É a vossa última oportunidade para verem ao vivo. Depois vai estar no YouTube, obviamente, mas é a vossa última oportunidade para verem ao vivo e contribuírem com os vossos risos para a gravação.
Exatamente. Isso é o mais importante, é pessoas que riem muito alto. Se vocês conhecem pessoas que riem muito alto...
Mandem-lhes isto para elas irem amanhã ao Trindade ver.
Terça-feira, dia 20, ou seja, amanhã.
Exatamente. Ver o meu amorzinho a fazer o seu espetáculo. Eu lá estarei.
Mais nada.
Eu lá estarei. Se quiserem só ir por mim, e nós depois conversamos no fim.
Vocês sabem que a Rita está lá.
Eu estou lá.
Portanto, aproveitem e vão.
Pronto, este era o primeiro preâmbulo que eu queria fazer. Segundo preâmbulo que eu quero fazer é a minha curiosidade.
Ok, vai, dale.
Já aconteceu algumas vezes se falar de brain freeze e eu dizer que nunca me aconteceu. Brain freeze é quando vocês estão a comer uma coisa muito fria e vos dá uma dor de cabeça muito intensa.
É uma espécie de uma dor aqui à frente com coisas tipo gelado ou gelo.
Ou uma bebida muito fria. E já aconteceu várias vezes eu dizer: "Nunca tive brain freeze".
É porque não tens brain.
Ou porque não tenho freeze. Mas é dizer: "Nunca tive brain freeze". E hoje pensei: "Eu vou ver o que é o brain freeze, por que isto acontece". Basicamente, o que acontece é quando vocês comem uma coisa muito fria e ela toca no céu da boca ou no palato, ou na parte de trás da vossa garganta, vocês sentem esta dor de cabeça. Isto acontece porque o frio extremo e repentino faz com que os vasos sanguíneos e capilares dessa zona se contraiam. Espero que as pessoas estejam a ouvir a nossa máquina de lavar.
Eu gosto que tu tens o cuidado de fechar as janelas para não entrar o barulho das motas e os carros.
Vai lá fechar ali a porta, se faz favor.
Mas depois temos a máquina a fazer.
Já te explico porque é que temos a máquina a fazer. Vai lá, se faz favor. É porque ontem fiz xixi nas cuecas. Não, não fiz, estou a brincar. Era giro que eu tivesse feito. O frio extremo faz com que estes vasos se contraiam e logo a seguir eles dilatam muito rapidamente para tentarem aquecer a zona. E isto vai ativar uma coisa chamada o nosso nervo trigeminal, que é aquilo que está responsável por nós termos sensibilidade na cara e na cabeça.
Ok.
Portanto, no fundo, o cérebro fica confuso e acha que este sinal para dar a dor vem da cabeça e não da boca, porque o nervo trigeminal partilha efeitos.
Eu entendi 80% do que tu disseste, porque tu estavas a dizer palavras como trigeminal e nervo.
Embora o problema esteja na boca, ou seja, o frio venha na boca, o cérebro, como ativa este nervo que é responsável pela sensibilidade da cara e da boca, ele pensa: "Isto é na cabeça. Vamos pôr aqui uma dor na cabeça".
Ok, e eles metem lá uma dor.
Metem lá uma dor.
Pronto, eu já entendi tudo.
O cérebro diz assim: "Eu não sei bem onde é que isto está a vir, manda para a cabeça".
Manda para ali.
Na dúvida, manda para a cabeça.
É como um restaurante em pânico. Manda para a mesa dois.
Queria trazer esta curiosidade que achei interessante. Achei interessante eu não ter tido nunca um brain freeze.
Depois tenho pena, porque é uma experiência comunitária bastante divertida.
Por exemplo, também não tenho sensibilidade dentária.
Nunca te doem os dentes quando estás a comer coisas muito frias?
Há muito tempo eu tinha, agora deixei de ter.
Já experimentaste morder um gelado?
Já.
E não te dói.
Nem brain freeze, nem dentes, percebes?
Pois, a tua placa dentária é muito forte.
Se calhar é. A nossa higienista oral, fui lá esta semana.
Pois é.
E disse-me: "Isto está tão bom que não a quero ver daqui a seis meses, quero vê-la daqui a mais".
Faz uma boa manutenção dessa boca.
Faço uma boa manutenção desta boca. E esta semana também fui levar a minha primeira injeção de Psoríase, fui aprender a levar a minha primeira injeção de Psoríase.
Como é que uma pessoa que nunca se injetou aprende a injetar-se? Aparece um drogado na sala e explica-te.
O Zé Molas.
Aparece uma espécie de um Zé Molas e explica como é que tu te injetas.
Já que fiquei muito desiludida. Não há uma agulhinha.
Não há uma agulha? Então como é que te injetas?
Há uma agulha, mas espera. Não há aquele tim-tim-tim, sabes? Não há nada.
Aquelas pancadinhas.
Aquela pancadinha que tu dás para sair o ar. Não há nada, não há uma seringa. Pensei: "É isto?" Agora percebo, genuinamente, porque é que é tão fácil para as pessoas usarem Ozempics e coisas do gênero.
Pois, claro. É uma canetinha. Aquilo é só agarrar assim numa preguinha de pele.
Aquilo é uma caneta. Na primeira dose, só para perceberem porque isto aconteceu, levei duas canetas.
Levaste duas, logo da primeira vez? Normalmente é assim, no início leva-se duas e depois é de vez em quando.
É o que vai acontecer. Levei duas, para a semana vou levar mais uma e depois é só de 15 em 15 dias.
Depois é de 15 em 15 dias. É ótimo.
Basicamente, eu tinha levado duas doses. A primeira vez que tomas tens de levar duas doses.
Ok.
Então a enfermeira disse-me: "Olhe, vamos fazer o seguinte: eu dou uma e a menina dá a outra."
Que é para aprender já.
Que é para aprender já.
Muito bem.
E ela fez a preguinha na minha perna, espetou, só que eu não sentia espetar. Eu pensei: "Isto não fez nada. Não há uma dorzinha." Eu fiquei um bocado desiludida, não vou mentir. É tão fácil.
Tu não tens medo de seringas e coisas do gênero.
Zero, não tenho. Pensei assim: "Isto é tão fácil." E ela disse: "Isto é subcutâneo. Já alguma vez deu alguma injeção subcutânea?" E eu: "A mim não, mas a uma gata durante 80 dias, já." Que nós tivemos uma vez uma gata que tinha PIF cá em casa e nós tivemos de lhe dar injeções.
Sabes qual é o problema de a doença se chamar PIF? É que parece PIF. Estava com um PIF.
Estava com um PIF, estava bêbada.
A gata estava sempre bêbada cá em casa.
Tivemos de lhe dar uma injeção de Grozlan todos os dias. Estou a brincar, obviamente. É fixe ser tão fácil. Mas fiquei um bocadinho desiludida. É só tirar a caneta meia hora antes do frigorífico.
As pessoas que tomam Ozempic e que nos estão a ouvir de certeza que passam pela mesma experiência. Pelos vistos, é exatamente igual, é só uma preguinha da tua pele, espetas lá a canetinha e vamos embora e vais à tua vida.
Só que mesmo o espetar. Eu não dei na barriga, que é onde a maioria das pessoas dá. Eu dei na perna, porque ela disse-me: "Tem mais perna do que barriga, portanto vamos dar."
É uma excelente frase.
"Vamos dar perna." E eu: "Ok, então vamos dar perna."
Quem me dera que o frango fosse assim.
Olha, também eu. Não, a barriga.
A barriga é o quê? Não é nada. Se eu mestre do frango, mas vou ali estar calado. Vai, segue. Ignora. Eu tenho dentes para vender. Vai.
"Tem mais perna do que barriga, vamos dar na perna." E eu: "Sim, senhora, vamos dar na perna." Olha, muito pífio, vou-te já dizer.
Pronto.
Sinto. Agora a próxima dou em ti para tu veres.
Está bem. Dá-me aí o tratamento para a psoríase, que é uma doença que eu não tenho. Também vai fazer o quê? Vai me curar uma doença que eu não tenho.
Pronto, era isto que queria dar de update da minha saúde. Já faltava uma update de saúde aqui.
Sim. Eu não sei se queres falar do dia que tiveste ontem.
Para já não, quero falar primeiro do A Mena Cavequeira.
Ok, dá-lhe. Mais preâmbulos e coisas.
Meta amizade.
Sim, senhora, dá-lhe.
A Mena Cavequeira é a nossa festarola de podcast.
Falámos a semana passada. As pessoas ouviram-te a semana passada, dos pormenores todos.
Imagina como quem não tivesse ouvido a semana passada, vou só dar rapidamente. Dia 21 de novembro vai acontecer na Casa Capitão, uma festarola de podcast.
Vamos fazer um episódio de Terapia de Casal ao vivo.
Exatamente.
Não ao mesmo tempo, porque senão era esquisito. Três podcasts ao mesmo tempo.
Era como se vocês tivessem três tabs a dar ao mesmo tempo. Isso era giro.
Três podcasts a dar ao mesmo tempo. Mas na mesma tarde vai haver também um episódio de "No Bad Vibras" e de "Corte e Costura", que são podcasts de amigos nossos, da Joana Teixeira, da Inês Afonso, da Márcia Pedroso e do António Moura dos Santos.
Sim, a Joana no nosso grupo de amigos há semanas a dizer: "Queres ver que o Gui não sabe?"
Então eu não sei a merda do apelido das pessoas? Claro que sei. Mas vão ser três episódios de podcast ao vivo.
Para vocês verem o nível de amizade deste evento.
Incluindo o nosso, Terapia de Casal. Vamos fazer ao vivo e depois vamos fazer DJ sets.
DJ sets.
Nós vamos pôr música outra vez, como fizemos no Mochi foi muito giro, e depois cada um dos podcasts vai pôr música e no fim vêm DJs a sério, que é o Alex dos Dalva.
Ele chama-se Alex Dalva, é o nome dele.
Alex Dalva, dos Dalva, era uma banda com o Ben.
E a Sapatruks.
A Sapatruks, nós gostamos muito. Um grande beijinho para a Joana.
Joana e Érica.
Esse nome não sabia, mas a Joana é a minha favorita de todas as pessoas que vão a este evento. Eu adoro a Joana.
Pois é, tu e a Joana Alves. Eles conheceram-se num casamento da Márcia.
A discutir quotas.
A discutir quotas e a discutir os limites do humor. E de repente, nós estávamos todos à volta a perceber: eles estão a discutir ou eles estão a adorar-se?
Ambas.
Ambas. E foi das coisas mais fascinantes, porque vocês não se largavam.
Pois não.
Vocês depois era assim: "Malta, temos de ir lá para dentro, não sei o quê".
E nós: "Não, mas espera aí, eu e a Joana".
"Mas só a Joana, espera". Depois havia qualquer coisa do casamento, vocês estavam tipo: "Sim, palminhas". E depois juntavam-se outra vez.
Foi muito giro, gostei muito de conhecer a Joana e gosto muito da Joana e ela é uma excelente DJ, muito divertida, e ela e o Alex Dalva, não sei exatamente qual é a ordem, quem é que fecha a noite, mas um deles há de fechar a noite.
Um deles vai fechar a noite.
E acho que vai ser giro. E as pessoas podem comprar bilhetes só para podcast, imagina que só podem ir à tarde porque à noite tem um jantar de aniversário. Compra só para os podcasts. Só querem ir ao DJ, estão fartos de nos ouvir, não querem ouvir, já ouvem aqui todas as semanas. Vão só aos DJ sets e dançam das 10:30 até às 2:00 da manhã. É uma festa à noite.
Uma festinha.
Ya.
Uma festinha. Se eu consigo estar acordada essas horas todas, vocês também conseguem.
Também é verdade.
Sim, mas e o dia de ontem, por falar em amizade.
Exatamente. Eu vou explicar o que é que aconteceu no nosso dia de ontem. Eu fui fazer rir agentes de Faro. Eu fui fazer o meu espetáculo, o meu penúltimo espetáculo, porque o último vai ser na terça-feira, como a Rita disse, fui fazer a Faro. Fui para Faro, ali um bom Algarve, fui lá para baixo e fui fazer o meu espetáculo lá. E tu tiveste um dia sem saber o que estava a acontecer.
Exatamente.
Como é que se sente? Porque organizaram-te um dia de surpresa.
Sim, eu não gosto muito de não controlar. Não sei se já tinha dado para perceber isso sobre mim, eu acho que disfarço muito bem. Eu não gosto muito de não controlar, mas deixei-me ir. Tomei o pequeno-almoço com as minhas amigas num cafezinho ao pé da casa da Inês.
Ok.
E depois fomos pintar molduras.
Muito bem.
São as minhas amigas com quem eu faço muitos arts and crafts. Pintámos molduras.
Por falar em arts and crafts.
Arts and crafts.
Houve uma coisa muito importante que nós não falámos da Coreia e do Japão Tu compraste um livro pra ter um novo hobby.
Então espera. Fui um dia com as minhas amigas, pintamos molduras, depois a seguir apareceu uma fotógrafa pra nós fazermos uma sessão de fotografias kits.
Irônicas.
Irônicas. Nós andávamos há anos a dizer que devíamos fazer.
Podemos divulgar este episódio com uma?
Não, por mim ainda não as temos.
É que as fotos têm um aspecto espetacular e horrível ao mesmo tempo, que é perfeito, está perfeito.
Porque o que eu disse foi, a certa altura, nós estávamos tipo: "Devíamos estar a sorrir", não sei o quê. Eu disse: "Não, nós temos de estar sérias".
Quanto mais sério, mais engraçado.
Isto é a cena mais importante. Nós temos de estar mentalizadas que isto é a cena mais importante das nossas vidas. Nós temos de estar muito sérias. Houve uma altura que eu caí.
Como assim?
Há uma foto em que a Inês e a Márcia me seguram e eu estou deitada no colo delas.
Não há força a abraçar aí.
Não, a Márcia esqueceu-se que se tirasse a mão debaixo da minha perna, eu caía.
Pois.
E ela tira a mão, eu dou uma roda sobre mim mesma e esbardalho-me no chão.
Ok.
Portanto, isto aconteceu. Eu podia não estar aqui pra contar hoje. Portanto, foi muito divertido. Fizemos umas posições muito engraçadas. A minha favorita é a da estrela, que elas estão no chão e eu estou deitada em cima delas como uma estrela.
Sem apoio visual, isso vai ser muito complicado. Eu quero ver essas fotos.
Depois nós partilhamos. E depois fizeram um jantar surpresa com amigos. Isto foi a minha prenda de aniversário.
Porque tu tinhas estado na Coreia no teu aniversário.
Portanto, eu já fiz anos há um mês e de repente estavam a me cantar os parabéns. Isso foi um bocadinho esquisito. Senti um bocado uma obrigação na esplanada onde estávamos quando me cantaram os parabéns, as pessoas à volta tipo: "Êêê parabéns!" E eu: "Foi há um mês, está tudo bem, não precisam de interromper os vossos jantares".
Ya. E vocês estavam a cuscar um ex-namorado de uma pessoa famosa na mesa ao lado.
É verdade. Estamos todos e de repente a Margarida manda uma mensagem pra Márcia a dizer: "Márcia, atrás de ti está o ex de X. Acho que está a falar mal da pessoa ao date".
Ya.
E a Márcia começa a aproximar da mesinha e ouviu tudo. E depois ela vai fazer-nos o briefing.
Pois, muito bom. Ela cuscou a conversa toda.
Entretanto, na Coreia, eu comprei, por falar em artes e hobbies.
Mais um hobby cá pra casa.
Ainda não experimentei. Mas é assim, vocês sabem que eu sou uma pessoa que às vezes fica com obsessões na internet. E há uns tempos, uma das obsessões que eu tinha era ver pessoas a colar stickers em livros. Isto é, vocês têm uma imagem, pode ser uma imagem de um supermercado.
Um supermercado com as prateleiras vazias.
Prateleiras vazias. E depois vocês têm os stickers.
Dos produtos todos.
E vocês descolam. Eu até comprei uma pinça, atenção.
Olha as merdas que te trazem do Japão.
Vocês descolam com uma pinça e colam.
E vais arrumando o supermercado sticker a sticker.
Sticker a sticker.
Depois há uma biblioteca com livros.
Eu só quero conseguir pôr aqui a nossa casa em ordem e a nossa vida em ordem para aos meus domingos eu pôr um audiolivro a dar e colar stickers.
Ya.
Eu pareço uma criança de dois anos, eu sei.
Completamente. Tu já reparaste que os hobbies das mulheres independentes de esquerda são hobbies de crianças de dois anos?
E vou te explicar porquê.
É livros de colorir, é colar stickers.
É pintar molduras.
Pintar molduras.
Vou te explicar simplesmente por quê. Porque finalmente, e é interessante que associas à esquerda.
Porque as mulheres de direita não estão a fazer isto.
Não, as mulheres de direita são mulheres mais conservadoras.
Estão a invadir rádios.
Exatamente, estão a invadir rádios e estão a...
Estão a ser mães.
Estão a bater manteiga e não sei o que é que elas fazem.
Ya.
Não, estou a brincar. Há mulheres de direita e mulheres de direita. Eu estou a falar de mulheres de direita extra conservadoras.
Se vocês estão a ouvir este podcast e levam a sério o que nós dizemos, podem ir andando. Vão ouvir outros, há muitos giros.
Pronto.
Olha, vão ouvir o Despolariza.
Por quê? Porque nós podemos fazer o que nós quisermos com o nosso tempo e de repente ligarmo-nos à nossa infância, ligarmo-nos às coisas que nos davam prazer antigamente, é também pra mim um ato de independência.
Pois claro.
E de que eu posso fazer o que eu quero com o meu tempo.
Pois claro. Sim, senhora.
E a mim dá muito gozo fazer coisas que eu fazia na infância. Não sei.
Tipo borrar as casses.
Acabei de fazê-lo.
Bolsar.
Bolsar. Pronto, então é isto.
Por falar em bolsar, eu tenho uma história pra contar desta semana.
Tu vomitaste.
Tu esta semana.
Eu? O que eu fiz?
Posso terminar? Ou lançar, se quer. Posso começar? Tu esta semana tiveste vergonha do teu marido.
Quando?
Quando?
Olha, foi tão dramático que eu apaguei da minha cabeça.
Então, esta semana a minha mulher escondeu-me de visitas cá de casa.
Não escondi. Tu tinhas o saco do lixo na mão.
Rita da Nova diz exatamente o que é que aconteceu. Tu recebeste convidados cá em casa.
Eu não te escondi, tu ias sair e ias sair com o saco do lixo na mão. Eu não queria que tu te cruzasse, porque o saco do lixo cheirava muito mal. Não eras tu, era o saco do lixo. O saco do lixo cheirava muito mal e eu disse: "Vai andando, que é pra não te cruzares com as pessoas, que isto dá mau aspeto".
E o que é que aconteceu? As pessoas vieram de escadas.
E tu tiveste que ir de elevador.
Não dava tempo de chamar o elevador. Portanto, o que eu fiz? Eu subi um andar a pé, subi pro terceiro, fiquei a ouvir as pessoas a chegar à minha casa e a cumprimentar a minha mulher e a dizer: "Ah, que gato tão grande, parece um cão. É um cão?" "Não, é um gato. Que giro". Enquanto eu estou no andar de cima com o saco do lixo a ser escondido pela minha mulher, que tem vergonha de me mostrar.
Não estavas a ser escondido. O saco do lixo é que estava a ser escondido. Tu eras pra ter levado o saco do lixo mais cedo. Se tivesse levado o saco do lixo mais cedo, eu teria todo o gosto em apresentar-te às pessoas que cá vieram a casa.
Isto é inacreditável. A ser escondido da minha própria casa, pela minha mulher, que tem vergonha de me apresentar às pessoas. Tu tens vergonha de mim?
Eu não tenho vergonha de ti, eu tenho vergonha do saco do lixo. Não comes a inventar. Já estás a inventar.
Mais valia pegar no saco do lixo e pôr à porta de casa do vizinho e dizer que era do vizinho.
Olha, e dizer: "Este vizinho..."
Epá, este vizinho, coitado, podemos desculpar o saco, coitado.
Mal cheiroso. Este saco do lixo mal cheiroso. Eu não sei se as pessoas que têm gatos também sentem isto. Eu não sei o que o Risotto tem. O Risotto é um gato muito especial. É um menino muito especial.
É especial.
É. Mas os cocós dele cheiram muito mal.
Pois é, ele tem em particular, o cocó dele... Será de ser macho? Há alguma coisa na genética masculina que faz com que o cocó cheire pior.
Só pode. É que o teu cocó cheira pessimamente.
Nós trouxemos uma coisa do Japão espetacular.
Umas gotinhas para pôr na sanita que deixa de cheirar.
É um conta-gotas de uma coisa que cheira a rosas. Isso era lindo, cheira a pneus Michelin. Não, cheira a rosas e uma pessoa acaba de fazer cocó, deita duas gotinhas na água e a casa de banho fica a cheirar a rosas. Aquilo é de facto espetacular.
É espetacular.
Não é cá sprays e velas, não é nada disso.
Não. É duas gotinhas na água depois de puxar o autoclismo.
São só duas gotas.
Resolve tudo.
E foi muito giro.
Tenho pena de não ter trazido mais, de não ter trazido um carregamento.
Pois.
Mas pronto. Agora conheço uma pessoa que vai ao Japão a seguir.
Eu conheço tanta gente que está no Japão.
Também eu.
Só em humoristas, eu acho que são três neste momento.
Eu conheço uma menina que vai ao Japão agora. Conheço por interposta pessoa, se calhar posso pedir-lhe.
Dizes: "Olha, podes trazer gotinhas para a casa de banho não ficar a cheirar a merda?"
"Estou exactamente o que é e tu vais querer também."
Ya. Acho que é isto, Rita. Vamos a e-mails, que as pessoas também têm direito a ouvir-nos a falar dos seus problemas.
Vamos.
Queres começar por qual?
Olha, eu quero começar pelo da Mrs. Robinson, que é um e-mail que anda aqui há três mil anos.
Pois é, já está atrasado há uns tempos e nós não respondemos. Onde é que está?
Chama-se "Estou Baralhada". Eu acho que nós não respondemos a este e-mail.
Estou Baralhada. Ok, então cá está. Podes ler tu?
Claro.
Mrs. Robinson.
"Olá, Rita e Guilherme."
Por que Mrs. Robinson? Já vamos explicar, mas para quem conhece o filme...
E para quem conhece a música que foi criada para o filme.
Exatamente, "The Graduate" é como se chama o filme. A Mrs. Robinson é uma mulher mais velha que se apaixona por um senhor mais novo, ou é um senhor mais novo que se apaixona por uma senhora mais velha.
Ou é uma das duas coisas, como se costuma dizer. Bom. "Olá, Rita e Guilherme. O que vos trago aqui não é bem um dilema, apenas gostava de perceber o que aconteceu realmente, porque estou super à nora. Conheci um rapaz mais novo do que eu, no meu local de trabalho. Ele é um cliente. Não sabia muito bem como me aproximar dele sem dar muita bandeira. Então optei por ser extremamente simpática sempre que o via, abrindo o sorriso o mais possível. Ele foi correspondendo aos sorrisos, mas a coisa mantinha-se ali meio na mesmice. A certa altura, partilhei uma story no Instagram do trabalho e ele começou a seguir-me. Continuei a ser extremamente simpática e sorridente para ele e uma vez em conversa com uma colega de trabalho, entrámos a brincadeira com ele para nos trazer um doce e ele trouxe um doce enorme só para mim na visita seguinte."
Ok.
"Isto foi por altura do Dia dos Namorados. Entretanto, trocámos algumas mensagens nas redes sociais e ele pensava que eu era casada."
Ok.
"Esclareci que não, e ele aí soltou-se bastante. De repente, já era a mulher da vida dele, dizia que queria cuidar de mim, perguntou se podia convidar-me para jantar, etc."
Boa, carregando a salto. Eu acho que tu és casada. Não és? Ok, tu és a mulher da minha vida. Não há aqui um salto lógico bastante grande?
Eu disse que sim, mas informei que nesse fim de semana iria de viagem. Olha, podes cuidar de mim à vontade, podes.
Mas eu vou de viagem, portanto prepara-te.
Fui de viagem e ele nada me disse o tempo todo que estive fora. No meu último dia em viagem, falei com ele e disse-lhe que lhe trazia uma lembrança.
Ok.
Ele disse que desde que eu voltasse, não precisava de nenhuma lembrança, que estava com saudades do meu sorriso e que iria buscar-me se eu demorasse.
"Eu não preciso de lembrança nenhuma desde que tu voltes."
"O convite para jantar não voltou a surgir espontaneamente. Quando eu o via na rua, ele dizia que tinha de marcar. Chegou a perguntar o que eu gostava e escolheu o sítio para irmos, mas sem marcar nada. O tempo passou e nada de convite. Eu comecei a duvidar das intenções dele e fiquei mais na minha. Deixei de lhe mandar mensagens e apenas respondia às dele, que foram escasseando até pararem por completo. Sempre que nos vemos, eu derreto-me com ele, abraço-o, ele pega-me na mão enquanto fala comigo e me olha nos olhos, mas não passa disso. O que raio se passou aqui? Os melhores cumprimentos, Mrs. Robinson."
Perderam o timing. É única e exclusivamente isso.
O timing.
Única e exclusivamente isso.
Achas?
Acho, completamente. Eu acho que há atração de ambas as partes, acho que há vontade de ambas as partes. Houve uma grande aproximação por mensagens.
Uma grande tesoneira, o que tu queres dizer.
Houve tesoneira por mensagens, já na "volta tu, que eu não preciso de mais nada, não quero prendas desde que tu voltes" e não sei o quê. E depois não há jantar, e murchou.
Eu também quero dizer uma coisa à Mrs. Robinson, que é: por que estamos a esperar que seja ele que marque?
Pois, também é verdade.
Por que estamos a esperar? Ele já disse que quer.
Ainda por cima é ela que tem a idade da carregada de dedicação.
Exatamente. Tu é que vais assinar a caderneta dele.
Tu é que és mais velha, tu é que tens que pegar no miúdo pela orelha e levá-lo para o restaurante.
Dizer: "Vamos lá, rápido, jantar, era o que faltava."
À minha frente.
Eu acho que ela devia ter iniciativa. E para tirar as teimas é: "Olha, dia X, às não sei quantas horas, no restaurante que nós já tínhamos escolhido. Podes? Queres? Como é que é?"
Fazer um ultimato mesmo. É porque a certa altura ela diz que começou a deixar de mandar mensagens, só respondia às dele. A certa altura ele diz: "Ela não manda mensagens, eu estou a falar sozinho, vou deixar de mandar". E pronto, as coisas morrem. Ou seja, aquele fogo inicial devia ter sido transformado rapidamente num jantar ou num encontro físico. Isso não aconteceu e perdeu completamente a força da tesaneira.
Mas não perdeu o interesse, pelos vistos.
Porque depois eles estão juntos e derretem-se todos.
Derretem-se todos. Mamem-se só.
Mas é que agora está a ficar só platónico, está a ficar só flirt.
Está a ficar só aquele flirtzinho que é: "a mulher da minha vida", é não sei o quê.
Mas também como é que se salva isto?
Para mim é perceber. Ok, é ela pegar e dizer: "Dia X, a não sei quantas horas. Como é que está a tua próxima semana? Em que dia é que podes jantar comigo para irmos ao tal restaurante que tínhamos falado? Eu marco." Como é que é? E depois ver o que é que ele-
Ela devia começar a pés juntos. Ela devia mandar só uma mensagem a dizer: "Lembras-te daquele restaurante que nós falámos? Marquei uma mesa para sexta-feira para dois. Se não vieres comigo, vou com uma amiga".
Pronto.
A reserva não se perde. Ou vens tu comigo e jantamos os dois, ou vou com uma amiga. Acabou.
Pronto. E é assim, aí ela percebe, ele quer ou não quer.
Ya. Mas e se ele responder: "Eu tenho uma viagem", como ela fez?
Mas olha que há muita gente que gosta só disto, deste flerte. Não quer efetivar nada.
Tens toda a razão. Há pessoas que se alimentam imenso.
Imenso disso.
O seu ego e a sua felicidade de flertes.
Exatamente. Nós vamos precisar de perceber: este senhor quer ou não quer? É que senão queira quem queira.
Tu estás a falar à Jorge Jesus, espetacular.
Olha.
É pão pão, casco é casco. Na verdade, por acaso ainda bem que falei do Jorge Jesus. Eles puseram-se 30 minutos a aquecer para depois não entrarem.
Olha.
E isto é uma grande chatice, isto não se faz.
Não se faz. E agora ele saiu da seleção, amuadinho.
Foi para o seu avião.
Foi para o seu avião.
Ela está aqui a ver que a seleção precisa dele e se ele volta para jogar ou não.
Exatamente. Malta, eu também acho esta coisa de nós ficarmos à espera. Eu sei que custa pôr-nos na posição de sermos rejeitados. Custa muito de: "Olha, marquei". "Pois, mas eu não vou querer ir ou eu não vou". Custa, mas é logo para perceber qual é a intenção daquela pessoa. Se é ficar no flerte eternamente, porque se for para ficar no flerte eternamente, se tu também tiveres essa vontade, então é isso que vocês vão ter um com o outro.
Pois, podem só sobreviver à base do flerte.
Pronto.
Que não é nada. É divertido, mas é a parte menos divertida de tudo o que podes fazer.
Achas?
Acho o flerte divertido.
Não, achas, porque eu acho que para muita gente a emoção do flerte é mais interessante do que efetivar alguma coisa.
A sério?
Acho que há muita gente que vive dessa adrenalina do flerte. Dessa, vou mandar a boquinha, e depois responde, e depois não sei o quê.
Não, eu não estou a negar a diversão do flerte. Não estou a negar isso. Agora, ir para a cama com uma pessoa é muito mais divertido.
Eu acho que para algumas pessoas é mais divertido o flerte.
Pois, não querem a aproximação em si, querem só o joguinho.
Querem só o joguinho.
Pois, claro. Pois eu percebo.
Pronto.
Eu também gosto do flerte, mas depois eu gosto muito de estar a falar com os meus amigos, de marcar uma futebolada, mas depois quero jogar à bola. Percebeste o que eu quero dizer?
Pois, mas tu nem gostas de jogar à bola, Guilherme.
É uma metáfora.
Pronto.
É uma metáfora.
Queres ir a outro e-mail?
Quero, quero ir a outro e-mail com mais metáforas.
Lê o da Filomena Cunk.
Da Filomena Cunk, que se chama "E-mail próximo episódio". Ok, estava só à procura do coiso. Então aqui vai.
Vamos.
Da Filomena Cunk. Para quem não sabe, é aquela senhora humorista que faz uma personagem que faz entrevistas e que faz programas de, não é ciência, mas é de história.
De história, sim. Tu nunca viste, pois não?
Eu nunca vi Filomena Cunk.
Eu já vi um episódio, é muito divertido. Eu parei de ver para ver contigo, porque acho que vais gostar muito.
Eu quero é que tu leias o "Carrie", que eu quero ver a série de "Carrie". A andar. Não escolheste lá o livrinho para o teu podcast dos livros, a "Carrie".
Podes te acalmar.
Lê lá que eu quero ver a série. Estou aqui com os episódios, empatados com a minha mulher que quer ler o livro. Andamos a ler rápido.
Podes te acalmar.
Tu não lês não sei quantos livros por dia. Então rápido.
Podes te acalmar. Olha.
"Olá, Rita e Guilherme".
Olá.
"Escrevo-vos este e-mail com o objetivo de receber a vossa opinião e conselhos enquanto terapeutas com muitos anos de experiência", mais ou menos. "Namoro ou namorava há cerca de dois anos. A nossa relação sempre foi bastante saudável. Nenhum de nós levantava a voz durante uma divergência de opiniões. Todos os sentimentos eram válidos e nunca existiram motivos para desconfianças".
Ok.
"Ele é um ano mais velho". Só um ano, é tranquilo.
Nem conta.
"Ele é um ano mais velho do que eu e este ano vai para a faculdade em Évora".
Conta por causa dessa...
"O que significaria termos uma relação à distância. De Évora a Santarém", parece uma música, "ainda são algumas horas de viagem e por isso estaríamos juntos mais ou menos de 15 em 15 dias. Até aqui tudo bem, estávamos ambos dispostos a tentar. O problema começou quando, ao longo deste verão, comecei a sentir que ele estava mais distante. Conversámos sobre isso e tentámos resolver a situação, até com dates mais pensados e diferentes. Apesar das tentativas, chegamos à conclusão de que talvez não fizesse sentido continuar a insistir em algo que já não era o mesmo. Nessa conversa, ele confessou que poderia já não me amar, mas que continuava a sentir uma grande atração física sexual por mim. Foi ele que tomou a iniciativa de terminar, dizendo que eu merecia alguém que me amasse sempre da mesma maneira e que não perdesse os sentimentos ao longo do tempo. No início foi muito difícil, mas hoje sei que mereço amor verdadeiro. Ainda assim, temos conversado algumas vezes depois da separação e ele admite que também está a sofrer e que chora pelos cantos. A minha vontade é que não saiamos mal desta relação. Tenho esperança de que, talvez não imediatamente, mas um dia possamos continuar amigos. No entanto, tenho muitas dúvidas" e ela aqui lista as dúvidas. Primeira dúvida: "Se ele já não me ama, de onde vem todo este sofrimento?"
Ok.
Segunda: "Haverá realmente uma hipótese de sermos amigos ou estarei apenas a magoar-me mais?"
Ok.
Terceira: "Poderá ele estar enganado relativamente aos seus sentimentos?"
Ok.
Quarta: "Eu já tenho como plano candidatar-me à faculdade em Évora antes de ele"-
Já tinha.
"Já tinha como plano candidatar-me à faculdade em Évora antes dele ir para lá. Se eu entrar, estando novamente na mesma cidade, poderá existir alguma possibilidade de voltarmos a ficar juntos ou estou apenas a agarrar-me a uma esperança?" Cinco: "Como se conta à família que uma relação terminou, principalmente quando até há pouco tempo estava tudo bem e foi quando foi apresentado a todos? Peço desculpa pelo e-mail longo, tal como eventuais erros e por este problema parvo de adolescentes. Aceito todas as dicas". Não há problemas parvos, há problemas de adolescentes, mas não há problemas parvos. Todos os problemas são parvos e nenhum problema é parvo. "Aceito todas as dicas que tenham para me ajudar a lidar com o fim de uma relação. Agradecia também que mantivessem o meu anonimato. Coloquei o vosso podcast várias vezes como..."
Não, não me dê.
Isto aqui identifica quem é, de onde é que ela vem e o que é que ela faz. Portanto, um grande beijinho para a Filomena Canc.
Porque tinha muitas dúvidas.
Tinha imensas perguntas.
Imensas perguntas.
E por isso é a nossa Filomena Canc.
Vou começar já pela última. Eu acho que como se diz à família que a relação terminou, é dizendo à família que a relação terminou.
É assim. Essa merda de: "ai, meu Deus, e agora apresento aí uma pessoa..." Isto é claramente dilemas de primeiro namorado. Se fosse o sétimo, tu estavas a dizer: "olha, não deu. Olha, eu e o Coiso acabamos. O Telmo já não vem, acabamos, já não está".
Pronto.
Eu já te contei a história de uma família de uns amigos meus que quando havia namoradas nas fotos de família, elas ficavam sempre nas pontas das fotografias.
Eu acho isso, honestamente, ótimo.
Porque é do género
Logo se vê. Se sobreviveres, ótimo.
Exatamente. E era sempre a namorada mais recente que ficava nas pontas das fotografias. Porque vai que dois meses depois acabaram. A foto corta-se ali. Pronto, está feito.
Dá só um passo ao lado só para ficares ligeiramente
Eu adorava isso. Ficavam sempre nas pontas das fotos.
E vou te ser honesta, olhando em retrospetiva, para quê estragar uma boa foto?
Exatamente.
Para quê estragar uma boa foto?
Exatamente.
Essa era a primeira coisa que eu queria dizer. A segunda coisa que eu queria dizer é: eu também achava que ia ficar com o meu namorado do secundário até entrar para a faculdade.
Essa é que é a grande questão. É que as pessoas apaixonam-se no secundário com o seu primeiro namorado, às vezes até perdem a virgindade ou não, mas é uma coisa muito intensa, um amor de escola e depois a vida, meu Deus, e agora a faculdade, e vamo-nos afastar na faculdade. E a importância que tu estás a dar àquilo, por parecer que é o homem com quem tu vais ficar para o resto da tua vida, e depois a importância que tem para a frente da tua vida, que é só uma espécie de uma nostalgia boa e de um carinho com que tu ficas daquelas memórias, ou então uma indiferença brutal, porque eu era uma criança e foi por esta pessoa que eu me apaixonei.
Já nem me lembrava que namorei com esta pessoa.
Exatamente. Na verdade, Filomena, a maior parte dos problemas que tu tens, curam-se com distância. Distância física e distância temporal. Deixar o tempo passar, vais perceber. "Olha, aquele meu primeiro namorado, que foi para Évora e eu..."
Já nem me lembrava.
Exatamente.
E quero dizer outra coisa, que é: ele pode estar a sofrer, mesmo já não te amando. Uma coisa não invalida a outra. Porque sabemos nós que muitas vezes também quem acaba as relações, sofre com o fim das relações e não é imediato, é depois. É: "isto que eu fiz mudou a minha estrutura, mudou a minha vida. Eu estava habituado a estar com uma pessoa e agora já não estou". Portanto, eu acho que não podemos associar o sofrimento a "afinal ele ainda te ama, só não diz".
A nossa gata ficou com a pata presa no brinquedo.
Coitadinha. Qual delas? A bagairinha? Queres ajuda?
Já está. Estava para aqui refilar. Já está.
Coitadinha.
Pronto, já está.
Coitadinha. Ela agradeceu-te, viste como fechou os olhos. Ou seja, o que eu estava a dizer é: não podemos associar o sofrimento a "afinal ele ama-te, mas está só a esconder que não te ama".
Certo.
Eu só quero dizer à Filomena para não se agarrar a coisas que não são necessariamente verdade.
Sem dúvida nenhuma. E é preciso dizer uma coisa que eu já disse aqui várias vezes neste podcast e que eu acho que é importante falar sobre fins de relacionamentos. Eu terminei um relacionamento de vários anos e tinha a certeza que queria terminar aquele relacionamento. Eu já não era feliz e queria experimentar outras coisas, ir à minha vida e terminar com aquela pessoa.
Coitado. Depois passado dois meses conheceu-me. E acabou.
Terminar com aquela pessoa custou-me muito. E eu fiquei triste e senti-me mal. E isso não quer dizer que eu não tivesse a certeza que era aquela decisão que eu queria tomar. Mas é uma coisa que também custa muito. Eu não estou a comparar sofrimentos de quem acaba e quem é acabado, mas acabar uma relação é uma coisa muito complicada.
Não é uma coisa fácil.
Portanto, é normal que um gajo que está a ir para a faculdade, tenha tesaneira, queira comer pessoas novas, queira conhecer pessoas novas, vai se apanhar sozinho em Évora e nunca se sabe o que é que uma alentejana não tem ali para mostrar nas suas migas. E a verdade é que isso não quer dizer que ele não fique triste de ter terminado a relação que tinha contigo, porque gostava de ti e porque tu tens importância para ele.
Repara que migas, que é uma das coisas que eu mais gosto nesta vida, tu acabaste de estragar.
Por quê?
Porque foste porco com o que ela tem nas suas migas.
E migas de espargos. Aí eu vou-te dizer uma coisa.
Adoro migas de espargos.
Eu papava migas de espargos um fim de semana inteiro.
Quero só dizer uma última coisa, que é ela dizer: "ah, eu já tinha planeado ir para Évora".
Antes de ele ir.
Sim, e se eu agora for, poderá haver aqui alguma hipótese de reconciliação. Eu quero dizer-te outra coisa, que é: há tantas outras hipóteses se tu fores para Évora, tantas outras pessoas mais interessantes que tu vais conhecer.
Vai haver um forcado mesmo bonzão, que te vai agarrar e atirar-te contra a parede em Évora e tu estás aí preocupada com o teu ex. Para quê?
É que depois se nós vamos com esse funil de "ai, eu vou para Évora e podemos voltar", e depois estás só a olhar para a frente e ao lado há coisas mais interessantes.
Exatamente.
Como diria o Bruno Nogueira, a vida não é só isso, a vida é bué cenas.
A vida é bué cenas. E eu acho que, não menosprezando a relação que tu tiveste e que claramente foi uma relação importante para ti e que tu gostas deste rapaz, vocês estão a seguir caminhos diferentes desde nível emocional, nível geográfico. Se for um dia para voltarem, porque cresceram e já se conheceram e as vossas vidas estabilizou e têm muitas saudades um do outro, se for um momento "Past Lives", isso vai acontecer, mas isso eventualmente é uma coisa no futuro. Agora, claramente o instinto de ambos, mas principalmente dele, é eu sou jovem, a minha vida vai para outro sítio, eu quero experimentar coisas novas. Experimenta.
Experimenta.
E se tiverem saudades das velhas, voltam para as velhas.
Experimenta. A lição de hoje é experimenta.
Exatamente.
Experimenta. terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar os vossos e-mails, como fez a Filomena Canc e como fez a Mrs. Robinson. Dois espetros de idade completamente diferentes.
Completamente e dois problemas completamente diferentes.
Dois problemas completamente diferentes.
Eu gosto muito destas injeçõezinhas de realidade que nós recebemos nas mensagens no nosso terapiadecasalpodcast@gmail.com, porque as pessoas mandam as suas histórias, querem ouvir o que é que nós temos para dizer. O Risoto ficou com o brinquedo preso nele próprio. Eu não sei o que é que está a acontecer, mas esta casa é sempre um caos ao domingo de manhã.
Podes me dar a tua mão?
Posso.
Tu não estavas a ouvir nada do que eu estava a dizer antes de começares a falar, pois não? Porque eu tinha acabado de dizer o e-mail, não precisavas de repetir o e-mail.
Não, mas eu reforcei. Para as pessoas tem que estar top of mind. É como eu ir para o Teatro Trindade na terça-feira, dia 20, às 21h30, gravar o meu solo. Tem que estar top of mind. As pessoas têm que se lembrar. É como o Amena Cavaqueira, o nosso festival no dia 21 de novembro na Casa Capital. As pessoas precisam só de pequenas injeçõezinhas, porque se eu não diz, as pessoas não se lembram. Tem que estar aqui, tipo Teatro Trindade, Amigável, última data para gravar. Guilherme Fonseca, humorismo, stand up, Amena Cavaqueira, 21 de novembro, festival de podcasts, festival de DJ sets de podcasts. terapiadecasalpodcast@gmail.com. Tem que estar.
Olha, eu ia desligar e não sou eu que desligo.
Ia fechar o episódio assim.
Eu juro que ia desligar.
Sabes o que é que tu fizeste agora? O equivalente àquelas pessoas que no lugar do morto travam o carro.
Juro, eu ia mesmo tipo: "eu preciso de travar isto já imediatamente".
Sou eu que tenho o poder, sou eu que te vou calar a meio de uma frase. Diz lá qualquer coisa.
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